"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)

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domingo, 26 de outubro de 2008

O Sol e a Lua


Quando o SOL e a LUA se encontraram pela primeira vez, se apaixonaram perdidamente e a partir daí começaram a viver um grande amor.

Acontece que o mundo ainda não existia e no dia que Deus resolveu criá-lo,deu-lhes então o toque final... o brilho !
Ficou decidido também que o SOL iluminaria o dia e que a LUA iluminaria a noite, sendo assim,seriam obrigados a viverem separados.

Abateu-se sobre eles uma grande tristeza quando tomaram conhecimento de que nunca mais se encontrariam.

A LUA foi ficando cada vez mais amargurada, mesmo com o brilho que Deus havia lhe dado,ela foi se tornando solitária.
O SOL por sua vez havia ganhado um título de nobreza "ASTRO REI",mas isso também não o fez feliz.Deus então chamou-os e explicou-lhes: Vocês não devem ficar tristes,ambos agora já possuem um brilho próprio.

Você LUA, iluminará as noites frias e quentes, encantará os enamorados e será diversas vezes motivo de poesias.

Quanto a você SOL, sustentará esse título porque será o mais importante dos astros,iluminará a terra durante o dia,fornecerá calor para o ser humano.E a sua simples presença fará as pessoas mais felizes.

A LUA entristeceu-se muito com seu terrível destino e chorou dias a fio...Já o SOL ao vê-la sofrer tanto,decidiu que não poderia deixar-se abater pois teria que dar-lhe forças e ajudá-la a aceitar o que havia sido decidido por Deus.

No entanto sua preocupação era tão grande que resolveu fazer um pedido a ELE:
Senhor, ajude a LUA por favor,ela é mais frágil do que eu, não suportará a solidão...E Deus em sua imensa bondade criou então as estrelas para fazerem companhia a ela.

A LUA sempre que está muito triste recorre as estrelas que fazem de tudo para consolá-la, mas quase sempre não conseguem.Hoje eles vivem assim... separados,o SOL finge que é feliz, a LUA não consegue esconder que é triste.O SOL ainda esquenta de paixão pela LUA e ela ainda vive na escuridão da saudade.Dizem que a ordem de Deus era que a LUA deveria ser sempre cheia e luminosa,mas ela não consegue isso....

Porque ela é mulher, e uma mulher tem fases.Quando feliz consegue ser cheia, mas quando infeliz é minguante e quando minguante nem sequer é possível ver o seu brilho.
LUA e SOL seguem seu destino,ele solitário mas forte,ela acompanhada das estrelas, mas fraca.Humanos tentam a todo instante conquistá-la, como se isso fosse possível.

Vez por outra alguns deles vão até ela e voltam sempre sozinhos, nenhum deles jamais conseguiu trazê-la até a terra,nenhum deles realmente conseguiu conquistá-la, por mais que achem que sim.Acontece que Deus decidiu que nenhum amor nesse mundo seria de todo impossível, nem mesmo o da LUA e o do SOL...

E foi aí então que ele criou o eclipse.Hoje SOL e LUA vivem da espera desse instante, desses raros momentos que lhes foram concedidose que custam tanto a acontecer.Quando você olhar para o céu a partir de agora e ver que o SOL encobriu a LUA é porque ele deitou-se sobre ela e começaram a se amar
E é ao ato desse amor que se deu o nome de eclipse.

Importante lembrar que o brilho do êxtase deles é tão grande que aconselha-se não olhar para o céu nesse momento,seus olhos podem cegar de ver tanto amor.
Bem, mas na terra também existe sol e lua...e portanto existe eclipse....Mas essa era a única parte da história que você já sabia, não era?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O fenômeno Chalita


Gabriel Chalita foi o vereador mais votado na capital. Exatamente, 102.048 votos. Votação de deputado federal. Edis com número bastante inferior já postulam futura senatoria. Pesquisa feita por grandes jornais, dias antes, mencionavam personalidades a indicar vários futuros vereadores e não citava o nome do mais votado. Apontado como "puxador de votos" para o candidato a Prefeito Geraldo Alckmin, foi alvo de denúncias inconsistentes. Uma delas imputava a ele haver omitido em sua declaração de rendas sociedade numa editora cujo capital era de R$ 10 milhões. Dez milhões de reais. Na verdade, a editora não passara de um sonho utópico de adolescente. Por recomendação de seu professor André Franco Montoro, aquiesceu em fazer parte de uma sociedade para publicar apostilas e livros do Mestre da PUC-SP. O capital era de RC$ 10 milhões: Dez milhões de cruzados. Isso equivale, hoje, a R$ 3.600,00 aproximadamente. Há uma grande diferença entre dez milhões de reais e três mil e seiscentos reais. Nunca integralizados, para formar pequena empresa que não chegou a publicar nada e foi objeto de futuro distrato. O esclarecimento feito em oportuno só foi publicado às vésperas das eleições e num espaço diminuto. Mesmo assim, foi estrondosa a sua consagração nas urnas.Como explicar essa vitória? GABRIEL CHALITA tem 39 anos. Aos 18, foi vereador em Cachoeira Paulista. Desde sempre, militou na Igreja e em causas sociais. Aluno o mais aplicado em todos os cursos, dois bacharelados, dois doutorados e prossegue os estudos de pós-doutorado. Escreveu mais de cinqüenta livros. Sobre filosofia, ética, direito. Mas também publica poesia, ensaio, biografia, obras edificantes e essenciais à formação do caráter.Foi Presidente da FEBEM, Secretário da Juventude e Secretário da Educação do Estado de São Paulo. Faz programa diário na rádio e semanal na televisão. Parece dispor de um especial talento: o da ubiqüidade. Está em todos os lugares a proferir conferências, palestras, aulas, depoimentos, testemunhos e exortações. Mas isso não explica a sua penetração em todos os segmentos. É que CHALITA é generoso. Vivencia o princípio da dignidade da pessoa humana em plenitude. Trata com atenção e carinho a crianças, jovens, adultos e idosos. É um ser muito amado, dotado de um carisma singular, que inaugura uma nova fase na política brasileira. Uma candidatura à Câmara Municipal de São Paulo é empreitada muito séria. Políticos tradicionais e grupos poderosos se propõem a conseguir uma das 55 cadeiras, pois o Legislativo local interfere na economia nacional. São Paulo é o terceiro orçamento da República. O primeiro é o da União, o segundo é o do Estado de São Paulo. O terceiro é o de sua capital. Isso significa dispêndio de enormes somas de dinheiro. CHALITA se elegeu sem o investimento de outros candidatos. Alguns chegaram a contratar 3 mil pessoas no dia da eleição. Ele fez uma campanha direta. Pessoal. Até personalíssima. Compareceu a todas as escolas e fez palestra para uma classe, para duas classes, para o colégio todo. Pela manhã, à tarde e à noite. Percorreu paróquias. Assistiu a missas. Participou de cultos. Fez leituras. Fez conferências. Visitou escritórios de advocacia, empresas e instituições. Tem facilidade em se comunicar. E quem o assiste, fica seduzido por suas propostas. Um amigo meu que assistiu a uma palestra dele na escola de seus filhos, na manhã seguinte ligou pedindo material de divulgação da eleição. Garantiu, junto à sua família, cem votos. Ficou encantado com a sinceridade, pureza de propósitos e disposição em mudar os parâmetros de conduta de uma Edilidade que até há pouco envergonhava os paulistanos. Quem não se lembra dos adesivos: "Tenho vergonha dos vereadores de São Paulo"?Sua eleição realimenta a esperança de quem acredita em política provida de eticidade. Quem o não ouviu, mas leu seus livros. Também tem direito a se nutrir dessa esperança. Quem o não conhece e não votou nele porque mora em outro município, pode erigir sua conduta como parâmetro para os edis de sua cidade. Espera-se muito de GABRIEL CHALITA. Agora é o momento de concretizar, como formulador de regras gerais e abstratas destinadas à disciplina social, o seu sonho de tornar o mundo mais harmônico e mais fraterno. É nisso que a sua legião de amigos está a confiar.



José Renato Nalini

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

I FLIC de Catanduva - SP

O Colegião inovando mais uma vez trouxe para Catanduva, de forma inédita, um evento literário grandioso, a I FLIC - Feira Literária do Colegião. Na programação da Feira intitulada 'Machado de Assis e o Universo da Palavra', conferências de ilustres especialistas do universo acadêmico, dentre as mais esperadas, a da escritora internacionalmente reconhecida Nélida Piñon (Academia Brasileira de Letras) e a do escritor e ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo Gabriel Chalita (Academia Paulista de Letras). São também atrações da FLIC a cinemateca com a exibição diária de filmes como forma de releituras das principais obras machadianas; peças teatrais, show de MPB, o Espaço-Machado, uma sala que retratará toda a atmosfera da época de nosso grande mestre; a Feira de livros promovida pela livraria Nobel; o Cantinho da criança com a 'Árvore de Livros' e o Café-Cultural.

A feira, que durou uma semana, com programação intensa, encerrou na última quinta-feira, 09/10, com a presença ilustre do escritor e educador Gabriel Chalita, que falou sobre suas obras 'Pedagogia da Amizade' e 'Pedagogia do Amor' ,além da apresentação do grupo 'Cezinha e Banda', de Rio Preto, e massagens realizadas por profissionais da área. O evento, de altíssimo nível, superou todas as expectativas das organizadoras, com mais de mil e cem inscritos. Este foi mais um dos projetos do Colegião: promover cultura para formar cidadãos mais críticos e conscientes.

O best-seller das urnas



" Na noite do último domingo, o escritor e professor universitário Gabriel Chalita teve de lidar com sentimentos distintos. Ao mesmo tempo em que comemorava os 102 048 votos conquistados na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal, precisou consolar seu padrinho político, o ex-governador Geraldo Alckmin, que foi atropelado pelo atual prefeito, Gilberto Kassab, e ficou fora do segundo turno. "Mesmo abatido, ele me deu parabéns e disse que estava feliz por mim", conta Chalita, que diz só ter aceitado ser candidato depois de muita insistência por parte do seu antigo protetor. "É claro que minha expectativa era ser vereador para apoiar o Geraldo, mas, seja quem for o eleito, não tenho o perfil de parlamentar briguento", afirma ele, que, garante, seguirá a orientação do seu partido, o PSDB, e estará com Kassab, do DEM, na disputa final com Marta Suplicy, do PT. Apesar da votação expressiva, Chalita ficou longe do recorde do agora deputado federal José Eduardo Cardozo (PT), que em 2000 recebeu quase 230 000 votos.(...)"



(Leia a íntegra da matéria na Revista Veja SP, veiculada neste domingo, dia 12/10.)

domingo, 12 de outubro de 2008

Em boa companhia


Na próxima sexta-feira, dia 17 de outubro, Gabriel Chalita é o convidado da Faculdade Dehoniana, para um debate no evento denominado Semana Teológica. Ao lado de ele, estarão dois importantes representantes do pensamento nacional: o padre Fábio de Melo, que também é escritor de grandes méritos, e a poeta Adélia Prado, autora de belas páginas da poesia brasileira.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mais votado, Chalita diz que ficou surpreso com resultado


Mais votado, Chalita diz que ficou surpreso com resultado
Vereador que teve mais de 102 mil votos, achava que teria 60 mil.Ex-secretário de educação, ele diz que vai investir em projetos na área.
Vereador mais votado de São Paulo com mais de 102 mil votos, o professor e escritor Gabriel Chalita, de 39 anos, (PSDB), disse ter se surpreendido com o resultado das eleições.
“Eu me candidatei de última hora, no último dia permitido. Não imaginei que teria mais votos do que vereadores que já estão na Câmara e trabalham com política há mais tempo”, afirmou Chalita, que foi secretário estadual de educação de 2001 até 2006 no governo de Geraldo Alckmin (PSDB).
“Eu pensava ‘se eu tiver 60 mil votos, serei muito bem votado’”, acrescentou ele que foi vereador pela primeira vez no município onde nasceu em Cachoeira Paulista, a 212 quilômetros de São Paulo, aos 19 anos.

Foi o candidato tucano à prefeitura que o convenceu a se candidatar para vereador, conta Chalita. Sem Alckmin no segundo turno, o recém-eleito vereador disse que subirá no palanque do candidato que seu partido decidir apoiar e afirmou ser contra uma posição de neutralidade.
“É algo ruim. As pessoas que votaram em mim querem sabem quem eu vou apoiar e por qual motivo”, afirmou.

Chalita acredita que muitos de seus eleitores são pessoas ligadas à área de educação, às igrejas Católica e Presbiteriana, e também eleitores que gostam dele como escritor, atividade que começou com apenas 12 anos.
Atualmente, ele tem 46 livros publicados com 9 milhões de exemplares vendidos.

O vereador é professor em duas universidades, dá palestras em congressos pelo país e diz que não quer parar de escrever. “Devo diminuir a quantidade de palestras fora de São Paulo, mas vou continuar trabalhando como professor e nunca deixarei de escrever. Para mim escrever é relaxar”, diz o vereador, que é formado em filosofia e direito, tem dois mestrados e dois doutorados nessas áreas.

Projetos

Mesmo se preparando em cima da hora, o parlamentar eleito disse ter reunido cerca de R$ 600 mil para gastar na sua campanha, entre recursos seus, do partido, de amigos e de uma empresa, cujo nome não foi informado.
Chalita diz ter investido em mala direta e reuniões com professores e outras pessoas da área de educação para divulgar sua campanha, visitas em escritórios de advocacia, além de dois dias de anúncio em jornais e cabos eleitorais na semana que antecedeu a eleição.

O tucano pretende focar seus projetos como parlamentar na área de educação e diz que vai apresentar um projeto de lei para combater a prática do bullying nas escolas públicas e privadas da capital. Ele também é favorável à escola de tempo integral e acredita que isso poder ser feito aos poucos, ao longo dos anos.
“A educação precisa ser construída em cima de um plano”, afirma o recém-eleito vereador.

GABRIEL CHALITA -VEREADOR MAIS VOTADO EM SP

Chalita, do PSDB, é o campeão de votos para vereador em SP O candidato Gabriel Chalita (PSDB) foi o mais votado para vereador em São Paulo. Até a 1h30 desta segunda-feira (6), quando faltavam apenas seis das 20.286 urnas da cidade para serem apuradas, o que representa pouco mais de dois mil votos, Chalita somava 102.030, 1,70% dos votos válidos.

fonte G1

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

MENSAGEM DE GABRIEL CHALITA


Muito Obrigado


Desde cedo meu pai me ensinou a beleza de dizer 'muito obrigado'. Duas palavras que expressam uma alma que se faz diferente quando encontra outra alma. As almas se encontram. Os sonhos também. E nesses encontros - alguns duradouros, outros o necessário para que um sorriso diga : conte comigo. Fica um sabor de gratidão.Chegamos ao final dessa jornada cidadã. Percorri lugares e conheci pessoas nessa cidade imensa. Fui muito bem recebido. Educadores, famílias, líderes religiosos, artistas, mulheres e homens que na simplicidade de um gesto me fizeram acreditar ainda mais que esta é a minha missão, este é o meu ofício. Trabalhar com as pessoas pelas pessoas. Estudei e estudo muito. Gosto de aprender com os livros e com as pessoas. Os problemas desta cidade não são poucos, mas eu quero trabalhar com dignidade para que os meus sonhos, os mesmos que encontraram sonhos comuns nessa jornada, possam ser realizados. Agradeço à minha equipe. Ao coordenador da campanha, meu irmão querido Paulo Alexandre Barbosa, e a toda essa juventude de todas as idades que me conduziram com paciência e paixão. Cada ator é fundamental para que o espetáculo diga a que veio. Viemos e aqui estamos aguardando o dia 5 de outubro. Peço o seu empenho nesses três últimos dias. Converse com mais amigos. Peça aos amigos que conversem com outros amigos. O voto é um exercício de amor em que confiamos os destinos de nossa cidade a pessoas que julgamos merecedoras do nosso apoio.Peço o seu apoio para o Geraldo Alckmin prefeito. Nenhuma eleição está ganha ou perdida antes do voto. Ele é um homem preparado para que esta cidade fique do tamanho que merecem as mulheres e homens que moram aqui. Terra das oportunidades. Terra das frustrações. Terra das vitórias e das derrotas que podem se transformar.Quero, enfim, pedir a Deus que abençoe a cada um de vocês que neste espaço me ajudaram a construir algumas páginas do livro da minha vida, da nossa vida, porque não há monólogo nesse universo grandioso da palavra. Duas palavras. Muito obrigado.


GABRIEL CHALITA

sábado, 27 de setembro de 2008

Trecho de Mulheres de Aço e de Flores,

de Fábio de Melo


A COSTUREIRA


Ando tão apertada de costura que se o dia tivesse vinte e cinco horas ainda sobrariam três ou quatro botões para pregar. Essa vida anda depressa demais. Quando menos imagino, o dia já se foi, esse desaforado!Vivo para ajeitar as mulheres. Prepará-las para ocasiões. São jantares, casamentos, formaturas. Vivo para ajudar a esconder os defeitos. A gordura localizada, a estria, a celulite. Em situações mais raras, saliento as virtudes.Adelaide Moura não costura com nenhuma outra pessoa porque só eu sei esconder aquele culote. Branca Rodarte não dá um passo para fora de casa se a roupa que estiver vestindo não tiver saído da minha máquina. É quase uma ciência a forma com que disfarço a sua falta de seios. Um enchimento aqui, outro enchimento ali. O tecido socorrendo a ausência de carnes. O que falta em umas sobra em outras. Lídia Boaventura costura comigo por uma razão contrária à de Branca. Nela, a natureza resolveu sobrar generosa. Cores e tecidos a serviço da ação clandestina. Mundo esquisito, meu Deus!Helena Sobreira não sabe o que fazer com tanta carne. A única cor que lhe cai um pouquinho melhor é o preto. Parece uma viúva eterna. Eu me exercito no ofício de costurar tecidos desde os dezesseis anos de idade. Herdei o dom de minha mãe, que por sua vez herdou o dom de minha avó. Uma ancestralidade!Fazer roupas é um jeito de ver os bastidores dos acontecimentos. Enquanto todo mundo vê a roupa por fora eu vejo é por dentro, nos seus avessos. O que vejo do tecido é sua sustentação primeira, sua trama. Um tecido só é bonito de verdade à medida que possui um avesso que o sustenta. A beleza externa só tem sentido porque há um alicerce no contraponto. Interessante, mas as pessoas são semelhantes aos tecidos. Se não há uma trama de sustentação não há beleza que possa sobreviver aos desmandes do mundo.Rosélia Adamastor nunca foi feliz. Talvez tenha sido a mulher mais bela que a nossa pequena cidade tenha conhecido. Mas a sua beleza não repercutiu na sua alma. Não foi o suficiente para lhe fazer feliz. Faltou um avesso de tramas resistentes. É estranho. Já Eliodora Fernandes sempre foi de uma feiúra de dar dó na gente. Mas o interessante é que nunca faltou um sorriso naquela criatura. O avesso foi bem feito. Mulheres por dentro e por fora. Mistérios que me despertam coragem para continuar costurando. Minha máquina é minha realidade. É dela que parto para os meus sonhos. O que materialmente corto, ajunto e costuro, de alguma forma repercute dentro de mim. Eu toco constantemente os bastidores da vida. E é a partir desses avessos que construo pontes que me levam para outros mundos.Eu costuro a realidade com linhas de sonhos. Imagino. E no ato de imaginar sou retirada para dançar, repito a sobremesa, comento a elegância dos adornos; troco olhares com o garçom. Rodopio enquanto danço pelo salão; recebo elogios pela escolha do penteado, a seda do vestido. Tudo isso sem sair de minha máquina. As linhas que entrelaçam os tecidos suturam o meu coração a realidades inexistentes. E por isso sou especialista em ver além das aparências. Sei do que os tecidos são capazes e as viagens que proporcionam. Se não tivesse essa habilidade não me restaria muita coisa. A vida na castidade, o corpo preservado, as pernas sem destinos, os cabelos sem fitas, o pescoço sem colares. A vida na mais perfeita e absoluta normalidade. Nem um risco no calendário, nenhum dia convidado a sair do esquecimento; nenhum convite pregado na geladeira, nada que anuncie um sábado com aspecto de primavera: horário marcado no salão, atenção especial para um corte de vestido, retoque de tinta no sapato de ocasião.Eu viajo é nas cores dos tecidos. Quilômetros e quilômetros de linhas me levam pelo mundo afora. O meu porto é a minha máquina. Nela eu sacramento partidas que não terminam nunca. Aprendi muito cedo que o sonho é mais que a realidade.No sonho, o cruel se desfaz com a mudança de foco. É simples. É só deixar de pensar. Se a paixão não convém é só trocar a cara. Fácil de resolver. A imaginação permite retoque, mudanças constantes.De Belo Horizonte a Paris eu levo um segundo. Não pago passagem, nem tenho problema com excesso de bagagem. Eu vou leve. Esqueço as roupas. Volto pra buscar. Troco a cena.Mudo o clima.Faço vir a chuva para dormir logo. Solicito o sol para o meu mergulho e imagino a neve para amenizar o calor. Acendo lareiras nas noites frias; encontro a promissória perdida; ganho na loteria, e divido o prêmio com os pobres.Na angústia, adio a decisão. Na agonia, antecipo o fim. Na alegria, eu prolongo o início. O tempo não tem poder sobre minha velha máquina de costura. Ela o desafia constantemente. Desafio que demonstra intimidade, parceria. Minhas pernas não andam, mas chegam. Chegam aos lugares que aos sonhos pertencem.O homem amado, o amor miúdo de toda hora, a espera no portão, o medo de que ele se atrase e que desista por vergonha, que não mande recado. Medo de que a espera fique superior ao tempo reservado para as esperas que se confundem com a alegria.A casa sem número ainda em construção. A planta discutida; o desejo partilhado de uma varanda que nos proporcione uma visão do outro lado da rua. O lugar não habitado, clandestino, iluminado por um poste de madeira. Os insetos voando em movimentos circulares, tais como os amantes ao redor de suas esperanças. Coisas pequenas que nos fizessem reviver os encantos dos tempos já idos, vividos, ancorados nos porões da memória, dos dias em que a vida era acontecimento certo, rotina garantida, panos estendidos à espera de corte.Eu não sei viver de outro modo. Quando quis a realidade, ocorreu-me a solidão e o despreparo. Vi o tecido da vida se desprender de minhas mãos, e com ele a minha habilidade. E naquele dia, o vestido de Eliane Vieira não ficou pronto a tempo da ocasião para a qual ela o havia solicitado.O choro incontido o dia inteiro, a dor na alma, o inchaço nos olhos, a pouca visão. O fogão de quatro bocas com os cozidos de minha preferência permaneceu intacto. Rosalinda não ousou perguntar a razão da tristeza. Apenas anunciou que já estava indo e que se precisasse eu saberia onde encontrá-la.A noite com suas demoras parecia despencar as estrelas sobre o teto do meu abrigo. A dor tinha cheiro de hortelã. Não sei a razão. Tristeza nem sempre tem razão. Apenas dói com seus cheiros estranhos.As dores da infância tinham cheiro de dama-da-noite. A pequena planta ficava na beirada da porta da cozinha. A mesma porta sempre entreaberta para que meu pai pudesse entrar em casa depois de suas aventuras, quando a madrugada já era a dona do mundo.Não tê-lo em casa causava um imenso arrocho no meu coração. Boca seca, descompasso na fala, olhos curiosos, mãos sem lugar, sem coragem de pegar o rosário para uma oração que preservasse meu pai da infidelidade.A cama estendida, os lençóis intocados, a vida seguindo o curso de sua passagem. As horas, os minutos, os segundos, o tempo.O silêncio vez ou outra era quebrado de forma sutil por um movimento de mulher que esperava. Vinha do quarto de costuras. O barulho da máquina de minha mãe era tão manso quanto suas alegrias. Eu tantas vezes quis sair do quarto, crescer no tamanho e na coragem, vestir um vestido de mulher adulta, tomar minha mãe pelos braços, abrir a porta da sala, acender um cigarro, e esbravejar com voz de quem já havia vivido duzentos anos. – Vamos buscar aquele vagabundo na rua! –. Sentia-me imensa por dentro, mas o corpo só tinha 8 anos. Queria resgatar minha mãe de sua espera torturante, mas eu ainda não era capaz de amarrar os meus sapatos sozinha.Num certo dia de agosto, quando os cães enlouquecem de tanto calor, a porta da cozinha amanheceu entreaberta. Sentada em sua máquina, minha mãe viu que o dia havia amanhecido sem que seus ouvidos tivessem ouvido o bater de porta que nos aliviava a existência.Sozinha no meu quarto eu havia acompanhado a vigília da espera. Quando coloquei a minha cara na porta da cozinha, pela primeira vez pus minha atenção na profundidade que havia no cheiro da hortelã.Manoel Carreira estava chegando pelos fundos, gritando pelo nome de minha mãe. A notícia foi dada sem rodeios: meu pai estava morto.Desde então, minha mãe iniciou-me no ofício de costurar tecidos. Ensinou-me os segredos das texturas e das cores. Foi com redobrada atenção que me ensinou a puxar da máquina, juntamente com as linhas dos carretéis, as linhas dos sonhos. Ela dizia: – Tem de enxergar o que a cliente quer! Ajude a transformar o sonho em realidade! –, insistia.E foi assim que o sonho se tornou a minha realidade. Quando minha mãe morreu, eu já acumulava 26 anos. Ao chegar em casa, depois do sepultamento, entrei em seu quartinho de costura. Ainda havia carretel de linha colocado na máquina. Um pedaço de tecido azul marinho estava cortado, pronto para a costura. Um outro pedaço de tecido branco estava riscado como detalhe para a gola, pronto para o corte. Um paletó de mulher, eu percebi. O paletó que estava fazendo para ela mesma. Os aviamentos; pequenas amostras de sianinhas estavam colocadas ao lado do tecido. Intuí que a escolha ainda não era definitiva. Dois modelos de botões também estavam reservados. Já era fim de tarde. A dama-da-noite começava a demonstrar que existia. Sentei-me na máquina e pus-me a fazer aquele paletó de mulher. Uma costura a quatro mãos. Mãos vivas, mãos mortas. O que ela havia começado eu resolvi terminar. Cumplicidade só possível aos que amam sem os limites do tempo. Um paletó que seria usado em ocasiões simples. Missa das 6 da manhã. Mesmo no verão o vento era frio naquela hora. Uma visita ao Santíssimo Sacramento nas noites de quinta-feira, ou até mesmo as pequenas comemorações do grupo da terceira idade.Enquanto costurava, pude experimentar a minha dor com todas as suas conseqüências. – Já não há razões para este paletó! –, pensei. Já não há mais o corpo que iria vesti-lo. Os dois pequenos bolsos não aquecerão as mãos calejadas de tesoura e agulhas. As mãos desaprenderam de ser vivas. Já não movimentam o risco, o molde, o corte e a fechadura da porta.Algumas horas depois escolhi os botões. Decidi com segurança pelo que tinha detalhes de flores delicadas. Senti-me orgulhosa por conhecer os gostos de minha costureira favorita.Quando dei por mim a noite já estava avançada em horas. O tempo em que durou o meu ofício partilhado não pertenceu à natureza do tempo que passa. Pude notar em mim algo superior. A costura daquele tecido extrapolou a materialidade. Ela foi além. Atingiu também a minha alma. Costurou-me de forma definitiva às mãos que me fizeram mulher, ao ventre que me teceu para o mundo, o avesso de minha sustentação. Cumpri na minha carne o milagre bonito da continuidade, e por que não dizer, da ressurreição gloriosa.Ao terminar o que ela havia começado, eu colocava os meus pés numa missão evangélica, semelhante à que os discípulos de Jesus precisaram cumprir para que o mestre não morresse na morte. Depois da pedra posta os passos precisam reencontrar a direção da vida. E foi o que eu fiz. O ritual de sepultamento terminou ali, na ressurreição que a máquina de costura me proporcionou.Há coisas que a morte não sepulta porque pertencem à vida eternizada. Minha mãe está em mim. E liturgicamente eu pude repetir: – Ela está no meio de nós!Terminado o paletó, abracei-o e dancei com ele uma valsa de despedida e de saudade!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Amor, que é amor, dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor.

Amor, que é amor, dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor. O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou. O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado, eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto". O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração os quais sozinhos jamais poderíamos enxergar. O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!" Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha. Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos. Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las. Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios. Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois... Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo nem tampouco fora do cultivo. Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira. A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá de saber que com ela vão inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos... ou não.
Padre Fabio de Melo.

sábado, 20 de setembro de 2008

ALMA GÊMEA...

A crença de que a gente tem uma alma gêmea a ser encontrada, uma pessoa que vai nos completar e nos tornar inteiros não é mais verdadeira, sabia?
Não vale a pena mais pensar e viver assim. Encontrar a tal da metade, essa tal de alma gêmea é transferir para o acaso, para o outro algo que só depende de você!
Chega a ser injusto pensar que se deva acreditar nisso como sendo algo romântico a ser experimentado. Chega de depender de outras pessoas.
Chega!O fato é que amar é um privilégio e uma grande oportunidade de você se evoluir como pessoa.
Você é um ser absolutamente completo e nasceu dotado, preparado e motivado para experimentar todas as ferramentas que precisa para encontrar a felicidade, independentemente de pessoas, lugares ou o que quer que seja.
A felicidade é uma escolha pessoal, um dom que desabrocha...
Uma virtude e que precisa ser cultivada e descoberta.
Talvez um exercício diário... Uma busca que se faz só.
Você veio ao mundo para uma missão que só pode ser realizada por você mesmo e por isso nasceu único, exclusivo, nesse tempo, nesse país.
As pessoas que você escolheu para amar são companheiras de jornada. Mais do que isso: são presentes de Deus.
Mas não são, nunca serão a sua felicidade, a sua realização, a sua essência de vida!
Não seja injusto com você mesmo ao transferir para os outros a tarefa de ser feliz que é inteiramente sua, viu?
Nunca mais se confunda com a hipótese de ser feliz somente se uma determinada pessoa te amar. Jamais atribua a sua felicidade e a sua razão de existir a quem quer que seja!
Nunca perca a referência de seu real valor!
Você é insubstituível porque você é você!
Tudo o que você sente, vê, tudo o que entende por mundo é reflexo do que tem bem dentro do seu coração!
Você pode, sim, se tornar melhor através do amor, através da compreensão, da caridade.Não é o outro que te faz melhor.
É você mesmo que se permite crescer e ser melhor.
Agarre-se a você!
Seja o seu melhor amigo!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Recordar - Rumi

"Sê como o Sol para a Graça e a Piedade.
Sê como a noite para encobrir os defeitos alheios.
Sê como uma corrente de água para a generosidade.
Sê como a morte para o ódio e a ira.
Sê como a Terra para a modéstia.
Aparece tal como és.
Sê tal como pareces.
Se pudesses libertar-te, por uma vez, te ti mesmo,o segredo dos segredos se abriria para ti.
O rosto do desconhecido, oculto além do universo,apareceria no espelho da tua percepção.
Na realidade, tua alma e a minha são o mesmo.
Aparecemos e desaparecemos um com o outro.
Este é o verdadeiro significado das nossas relações.
Entre nós, já não há nem tu, nem eu.
(...)
Há uma Alma dentro de tua Alma.
Busca essa Alma.Há uma jóia na montanha do corpo.
Busca a mina desta jóia.
Oh, sufi, que passa!
Busca dentro, se podes, e não fora.
No amor, não há alto nem baixo,má conduta nem boa,nem dirigente, nem seguidor, nem devoto,só há indiferença, tolerância e entrega."

domingo, 7 de setembro de 2008

Travessia -Discurso de Gabriel Chalita na A.P.L.




Na noite de ontem, a Academia Paulista de Letras viveu um momento glorioso: a posse do escritor Walcyr Carrasco.O evento ocorreu no Colégio Dante Alighieri, uma sessão gloriosa. Tive a honra de fazer a saudação de posse ao neo-acadêmico. Partilho com vocês o discurso que proferi: "José Renato Nalini - Presidente da nossa amada Academia Paulista de Letras. Senhoras Acadêmicas. Senhores Acadêmicos. Minhas amigas. Meus amigos.Travessia"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ... Que já têm a forma do nosso corpo ... E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares ... É o tempo da travessia ...E se não ousarmos fazê-la ... Teremos ficado ... para sempre ... À margem de nós mesmos..." (Fernando Pessoa) É de travessia que gostaria de falar esta noite. Noite gloriosa em que o escritor Walcyr Carrasco assume a cadeira número 14 que pertenceu ao saudoso poeta Cyro Pimentel, cuja travessia foi marcada por competência e elegância.Walcyr Carrasco é de Bernardino de Campos. Filho de João e de Ângela. O pai ferroviário, homem simples certa vez disse ao filho já adulto, desempregado, batalhando pela vida. "Filho, se precisar vá lá pra casa. Um prato de comida não vai faltar". Walcyr agradeceu comovido a simplicidade e o acolhimento do pai. Mas não precisou. Construiu sua casa com alicerce. A mãe Ângela tinha um pequeno bazar. Era conversadeira e sorridente. Lembranças que até hoje povoam a mente criativa do novelista.A travessia faz com que o fluxo seja inexorável. O cenário muda. As pessoas permanecem porque emocionam. Outras apenas vão - cumpriram talvez o seu ofício. De Bernardino de Campos à Marília. Dona Hélia, dona do bar da esquina, há pouco tempo deu a ele um enfeite de parede comprado no bazar da mãe. Em Marília, a lembrança do menino Joel que tinha uma deficiência mental. O que seria da sua travessia? O que seria da travessia daquele outro rapaz, tetraplégico, apresentado por um amigo, que escrevia e desenhava para sustentar a casa? Histórias que tocaram e influenciaram o adolescente Walcyr. Personagens que o ajudaram a compor para que o preconceito jamais tirasse da vitrine o doce sabor da diferença. O que seria de sua travessia? Em Monteiro Lobato, a inspiração para escrever e escrever muito. De vendedor de livro porta-a-porta a garçom nos Estados Unidos. De professor de português de uma americana cega ao Senhor das Seis, como ficou conhecido depois de tantos sucessos de audiência no horário mais difícil de se emplacar telenovelas.O rapto do garoto de ouro, uma adaptação do livro de Marcos Rey foi sua estréia como autor de teatro. Êxtase lhe rendeu o celebrado prêmio Shell. O Guarani, Filhos do Sol, Xica da Silva, O Cravo e a Rosa, A Padroeira, Chocolate com Pimenta, Alma Gêmea, Sete Pecados. O telespectador riu, chorou, torceu, vibrou, aprendeu. Assim são suas novelas e minisséries - uma homenagem à literatura que se populariza na grande mídia. Uma homenagem aos encontros cotidianos que ganham poesia com um texto leve, envolvente.Senhora das Velas, Pequenos Delitos e Anjo de Quatro Patas mostram, atestam sua boa travessia na literatura adulta. Para o público infanto-juvenil temas como preconceito, drogas, afeto fazem com que seus livros tenham enorme êxito. Em "A palavra não dita", o sonho de dizer "pai". A travessia seria muito mais leve se o amor não ficasse escondido em algum recôndito empoeirado.Cronista impecável traz seu humor aos fatos cotidianos de uma cidade imensa de problemas e de tipos, de casos e acasos. Na revista Veja é lido, comentado, respeitado.A travessia, prezados confrades e confreiras, é um desafio cotidiano. Fazer com que os talentos plantados pelo Jardineiro Primeiro floresçam é tarefa árdua que exige disciplina e integridade. Quem sabia ontem o que seríamos hoje? Quem ousa dar o desfecho da travessia?"Aconteceu que nessa noite Pedrinho ouviu a conversa e a referência à sua futura ação. Entrou a sonhar. Que fariam dele? Na fábrica, como o pai? Se lhe dessem a escolher, iria a engraxador. Tinha um tio no ofício, e em casa do tio era menor a miséria. Pingavam níqueis.Sonho vai, sonho vem, brota na cabeça do menino uma idéia, que cresceu, tomou vulto extraordinário e fê-lo perder o sono. Começar já, amanhã, por que não? Faria ele mesmo a caixa. Escovas e graxa, com o tio arranjaria." Monteiro Lobato traz essa narrativa de um pré-modernismo concreto. No conto de natal, o menino quer apenas o sonho de ser engraxate. Sonho pouco? Quem determina o que é pouco ou muito? Talvez seja a tal de felicidade que Aristóteles tanto proclamava como a verdade única e universal. Não a felicidade em si, mas a sua busca. A travessia!Guimarães Rosa, o escritor mineiro e universal que brincava com as palavras como um menino travesso, também atravessou."Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessiaO correr da vida embrulha tudo.A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,sossega e depois desinquieta.O que ela quer da gente é coragem".Coragem não lhe falta, querido neo-acadêmico. Coragem de ousar em uma travessia repleta de holofotes e de penumbra. É no subsolo das suas emoções que surgem as narrativas que emocionam. É no submundo das suas dores que a dor partilhada faz com que entendamos mais da natureza humana. É nas inquietações que não o deixam, que se constroem e se destroem vidas. É esse o seu ofício. É essa a sua literatura.Seja bem-vindo, querido amigo, a esse bom convívio. Esta é a casa em que histórias de vida se misturam. São mulheres e homens que têm em comum a sina da palavra. São artífices de gerações diferentes que bebem e se embriagam sem pudor da língua portuguesa. Em nossos encontros, desencontramos. O escritor é um desconstrutor porque é um forte. Porque não tem medo. Na escrita ficcional, nos ensaios científicos, nos poemas que desnudam o que somos ou o que gostaríamos de ser, nas crônicas cotidianas todos nós atravessamos. Até quando? Quem sabe? Esse poder visionário não nos foi concedido. Fiquemos com o que ganhamos. O nosso galardão é a pena ou a tinta ou a caneta ou a máquina barulhenta e melancólica ou a nova tecnologia que não mata a velha inspiração. É isso o que recebemos, escritores todos. E recebemos para servir a uma causa. O nosso corpo já mudou. As roupas já foram trocadas porque há um novo corpo que nos habita. E haverá outro e depois outro e assim nos despediremos quando chegar o momento do encantamento final. Amigas e amigos. Esta é uma noite como qualquer outra em que algumas pessoas se reúnem para celebrar um homem menino que se torna imortal. Um homem na grandeza que a palavra lhe empresta, com alma vegetativa, sensitiva e racional. Um homem que delibera com presteza. E também um menino. Um eterno menino que brinca e que sonha. Um menino generoso que acredita no poder de transformar a vida das pessoas. E como Walcyr Carrasco é generoso! Mas isso fica para um outro encontro. Que haverá, com certeza. Porque a nossa travessia. A de nós todos, está longe de encontrar o seu porto final. Continuemos então. A palavra não pode parar. Nem a vida! "

sábado, 30 de agosto de 2008

Mãe querida

Torno a ver, nos meus dias de criança,
O teu regaço, a lamparina acesa,
O pequeno lençol que trago na lembrança,
A oração da manhã e o pão à mesa...

Varro o chão, a fitar-te as mãos escravas,
Afagando o fogão, de momento a momento...
A roupa e o batedouro em que cantavas
Para esquecer o próprio sofrimento...

Depois, era o tinir da caçarola,
Aumentando a despesa no armazém...
Vestias-me de renda para a escola
E nunca me lembrei de ofertar-te um vintém.

Cresci... A mocidade me requesta,
Ante a cidade de qualquer maneira...
Parti... – eu era a rosa para a festa,
Ficaste... – eras a rústica roseira.

De tudo vi na estrada grande e nova,
As flores do prazer, o brilho, a fama,
A malícia dourada e os suplícios da prova
Marcando a pranto e fel os passos
de quem ama...

Hoje, volta a buscar-te, mãe querida,
Dá-me de tua paz sem ilusão,
Guarda-me em ti, amor de minha vida,
Alma querida de meu coração.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

MÃE

Mãe!

Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero Ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!



Almada Negreiros

terça-feira, 26 de agosto de 2008

GABRIEL CHALITA - VEREADOR - SP

SUCESSO É SER FELIZ

Há pessoas que têm a mania de olhar para os outros e ver um talão de cheques (com fundos, é claro). Estão mais interessadas em saber como o outro poderá ajudá-las a atingir suas metas, principalmente as materiais, do que em tornar-se amigas do ser humano que está à sua frente. No mundo dos negócios, é comum as pessoas se relacionarem visando a interesses, mesmo quando estão em eventos especiais. Mas na vida pessoal não precisa nem deve ser assim.As pessoas estão se esquecendo do quanto é gostoso sair só para se divertir, conhecer gente, trocar afetos e fazer amizades.Estamos nos esquecendo de ajudar os outros e de pedir ajuda também, por que não? É importante que redescubramos o prazer de tornar as pessoas felizes. Muitas pessoas vivem à espera de uma oportunidade para criticar, prejudicar, menosprezar o outro, mas perdem muitas ocasiões de ser boas.É muito bonito quando a gente sente prazer em proporcionar felicidade aos outros. Quando o sucesso implica sucesso para os outros, todos ficam felizes com seu êxito. Mas, quando o seu sucesso significa derrota para os demais, estes sentirão inveja de você. É muito triste não ter um amigo para comemorar as vitórias.Há pessoas que dizem que o ruim do sucesso é a inveja.Mas isso só acontece quando o sucesso significa ganho para uns e perda para outros. Quando o sucesso significa ganho para todos, as vitórias ficam muito mais saborosas.


Roberto Shinyashiki

sábado, 16 de agosto de 2008

SABER E SENTIR

"... Saber ser amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros".
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você quando for preciso.Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás.É vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água.Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro, mesmo que demore um pouco, e que não transformam a mágoa, mesmo que ainda sofrendo, em munição na hora de futuras discussões.Sente-se amado aquele que tem alguém que o faça rir, que o faça sentir que a vida não deve ser tão séria, e que sabe que os pequenos momentos juntos é que tem valor e serão lembrados com mais carinho. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada.Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.Sente-se amado quem não ofega, mas suspira.Quem não levanta a voz, mas fala.Que não só concorda, mas escuta."
Arnaldo Jabor

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você amaeste cara?Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Arnaldo Jabor

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Alckmin atrai vereadores do PSDB e mina apoio a Kassab

Dos 11 tucanos fechados com a candidatura do prefeito, agora só restam 4

Por Carlos Marchi - Estadão

Discretamente, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) está atraindo os vereadores tucanos para apoiar sua candidatura. Cinco já gravaram mensagens para o programa de Alckmin e tiraram fotografias com ele para cartazes da campanha. Quando Alckmin se lançou candidato, 11 dos 12 vereadores tucanos se negaram a apoiá-lo e ficaram ao lado do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Hoje o núcleo de resistência a Alckmin se resume a quatro vereadores.Alckmin começou a cativar os vereadores tucanos ao pregar que fará intensa propaganda, em seu espaço de televisão e rádio, para pedir o voto de legenda no PSDB. Essa estratégia é vital para a manutenção da bancada tucana, que pulou de 7 para 13 vereadores na eleição de 2004 graças à votação do hoje deputado José Aníbal, que teve 165 mil votos, e ao voto na legenda, que em 2004 somou metade do total obtido nominalmente pelos candidatos tucanos.?PUXADORES?O PSDB vive um drama: dos seus seis primeiros colocados em 2004, cinco não concorrerão este ano. Aníbal e William Woo se elegeram deputados em 2006; Ricardo Montoro e Marcos Zerbini conquistaram vaga na Assembléia e Roberto Tripoli deixou o partido para se filiar ao PV. Para reforçar sua posição agora, os tucanos lançaram Gabriel Chalita, o ex-secretário de Educação de Alckmin, para "puxar legenda", como se diz no jargão político. Mas ele não tem o mesma densidade eleitoral de Aníbal.São Paulo costuma dar ao PSDB a maior quantidade de votos de legenda, primazia que no resto do País fica com o PT. Consciente disso, Alckmin tem acenado para os vereadores com seu decidido engajamento na pregação do voto de legenda no PSDB, o que certamente ajudará na tentativa de manter a grande bancada que os tucanos fizeram em 2004.Cinco vereadores já gravaram para o programa de Alckmin e tiraram fotografias ao lado dele: Gilson Barreto, Mara Gabrilli, Juscelino Gadelha, José Rolim e Tião Farias (o único que apoiava Alckmin desde o começo da disputa). Carlos Alberto Bezerra e Dalton Silvano não gravaram, mas foram à inauguração do comitê de Alckmin.Sem pressionar ninguém, Alckmin tem cortejado os vereadores tucanos. No dia do aniversário de Adolfo Quintas - que apóia Kassab - Alckmin ficou por 1h20 na enorme festa para 1.500 pessoas, mais tempo do que Kassab. Num terreiro que teoricamente lhe era hostil, percorreu as mesas e cumprimentou centenas de pessoas.Hoje, resistem ao assédio do ex-governador apenas quatro nomes - Gilberto Natalini, José Police Neto (Netinho), Ricardo Teixeira e Claudinho.

domingo, 20 de julho de 2008

Merecido apoio aos professores

VOLTO AO ASSUNTO da educação.

Chamaram-me a atenção os dados publicados pela Folha no dia 9 de junho, segundo os quais o corpo docente brasileiro está atraindo jovens de baixa qualificação: os bons alunos do ensino médio fogem do magistério, que, infelizmente, tornou-se uma profissão desprestigiada. Bem diferente foi o quadro da minha juventude, no qual a professora e o gerente do Banco do Brasil gozavam do mais alto prestígio nas comunidades em que atuavam. Eram carreiras disputadas, até para casamento...

Por curiosidade, busquei os detalhes das pesquisas citadas pela Folha, em especial a que analisa as medidas que vêm sendo tomadas pelos países que têm sucesso na educação. Neles encontrei surpresas e obviedades.No campo das surpresas, verifiquei que, mesmo nas nações ricas, os adicionais de investimento em educação não produzem necessariamente bons resultados na aprendizagem. Isso é intrigante e, ao mesmo tempo, instrutivo.

Só dinheiro não resolve o problema. Outra surpresa é que a redução do tamanho das classes tem um efeito desprezível sobre a melhoria do desempenho dos alunos.No campo das obviedades, está a importância crucial da competência e da dedicação dos professores. Há ali uma frase impactante: "A qualidade da educação não pode ser melhor do que a qualidade dos professores" (Estudo da McKinsey, apresentado pela Fundação Lemann).

Aqui está a solução do quebra-cabeça da educação. Podem-se aumentar os recursos e diminuir as classes, mas nada vai acontecer de bom se o professor não for bem preparado, comprometido e estimulado. Daí a importância de revalorizarmos a carreira de professor.Na Coréia do Sul, na Finlândia, em Cingapura e em Hong Kong -onde os alunos obtêm as melhores classificações nos testes aplicados-, os docentes vêm do topo da pirâmide em termos de preparação. Não é para menos.Voltando às surpresas, a referida pesquisa mostrou que os países que se destacam em matéria de educação pagam bons salários aos professores -sem serem espetaculares.

Isso significa que, além de uma remuneração condigna, o que atrai professores de qualidade é um bom ambiente de trabalho, a atualização contínua, o trabalho com diretores líderes e, sobretudo, o respeito à sua profissão.Ou seja, o diagnóstico está feito. Precisamos da terapia. Os planos do MEC são meritórios. Oxalá eles se transformem em realidade para formar um clima de entusiasmar jovens bem formados a entrar no magistério.


antonio.ermirio@antonioermirio.com.br

sábado, 19 de julho de 2008

Relacionamentos

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
'Ah,terminei o namoro...'
'Nossa,quanto tempo?'
'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'
'É não deu...'
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo, nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama!
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez,dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós.
Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói!
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta.
É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sobre simplicidade e sabedoria - Ruben Alves

Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho.Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.

No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.

Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.

Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, "as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar." O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: "Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: 'Tudo isso te darei se prostrado me adorares.'" Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o "muitos" é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: "De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?" (Mateus 16.26).

O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: "Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne" (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: "Cheguei, finalmente, ao lar". Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.

Diz o Tao-Te-Ching: "Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa."Diz T. S. Eliot: "Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?"Diz Manoel de Barros: "Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha."

Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: "A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. "A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, "precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço." Mas o sábio está à procura das "coisas dignas de serem conhecidas". Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: "De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?" E assim, depois de meditar, escolhe um...

A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.

O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de "Resta..." Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. "Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas..." "Resta essa capacidade de ternura..." "Resta esse antigo respeito pela noite..." "Resta essa vontade de chorar diante da beleza...". Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.

As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: "Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás..." Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.

Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.

Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: "Papai, eu gosto muito de você!"; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: "Veja como estão agradecidas!" Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.

Diz Guimarães Rosa que "felicidade só em raros momentos de distração..." Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: "É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai..." Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Concerto para corpo e alma, pg. 09.)

A lei não é seca - Gilberto Dimenstein

Crescem ataques contra a lei que inibe o motorista de beber e dirigir --alguns deles, com razão. Pessoalmente, temo que o excesso de rigor inviabilize sua aplicação. Também tenho dúvidas sobre a legalidade de exigir que alguém se submeta ao bafômetro. Em essência, porém, sou dos que apóiam a dureza contra os irresponsáveis do trânsito. Por isso, fico muito incomodado com o apelido "lei seca" --é um apelido tendencioso, abençoado por nós, jornalistas.


Fico incomodado por dois motivos:


1) Não existe nenhuma proibição à bebida. Mas apenas a se dirigir depois de bebida. É muitíssimo diferente da vivida pelos Estados Unidos. Erro, portanto, conceitual. Não tem nada a ver com aquela maluquice dos americanos.

2) Como aquela lei era, nos EUA, uma maluquice, o apelido lei seca estimula as ações e a desobediência.

Não sou moralista. Gosto de beber e, reconheço, aprecio aquela sensação de leveza que provoca uma dose a mais. Mas não apoiar essa lei é uma irresponsabilidade. Há tempos precisávamos de algo mais duro contra a matança no trânsito --e os comunicadores fazem um julgamento quando sustentam o apelido de lei seca.

Pode parecer um detalhe, mas não é.

PENSAMENTOS