"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Em seu primeiro discurso na Câmara, Chalita destaca a educação (23/02/2011)

Deputado Federal @gabriel_chalita

“É a primeira vez que ocupo esta tribuna. Agradeço a Deus o privilégio de estar aqui e a generosidade do povo de São Paulo. Quero aproveitar esta reflexão, no que estamos discutindo, falando da Olimpíada, de esporte, da geração de uma juventude mais saudável, para tratar de um tema que é essencial para que, de fato, consigamos cumprir o que diz o polo nuclear da Constituição de 1988, referente ao princípio da dignidade da pessoa. Nenhum país consegue ser digno se não educar com excelência e qualidade seus filhos.
Fiquei profundamente feliz ao assistir ao pronunciamento da presidente Dilma nesta Casa, chamando os professores de ‘autoridades da educação’. O caminho para se construir um país saudável, democrático, é valorizar esses professores e essas professoras. É fazer com que, de fato, realize-se um sonho antigo nosso; se nós relembrarmos a nossa história, lá na Bahia, em 1940, um jovem, chamado Anísio Teixeira, construiu a primeira escola de tempo integral do Brasil. O sonho daquele educador impulsionou a educação de países como o Chile, a Coreia. E nós ainda nos envergonhamos da educação que temos. Nós ainda não conseguimos formar o ser humano na escola com sua integralidade, racional, emocional, social.

É por isso que o tema da educação precisa empolgar a sociedade brasileira, o Congresso Nacional. Neste ano, vamos discutir o Plano Nacional de Educação e temos a triste notícia de que há milhares de crianças esperando vagas em creches, de que há professores que não têm uma formação adequada, de que há um distanciamento dos pais na relação educacional de seus filhos. Se nós quisermos um país, de fato, justo, precisaremos construir uma educação muito mais saudável, muito mais responsável. Acho que este é o nosso sonho.
Esporte, diminuição da violência, tecnologia, geração de empregos, saúde, tudo isso nasce na educação. A utopia está ligada à educação. Há um pensador chamado Francis Bacon, um dos pensadores chamados utópicos, que, em sua obra Nova Atlântida, descrevia uma casa, chamada Casa de Salomão, no centro da Ilha da Utopia. Dizia Francis Bacon que aquela ilha só seria saudável, só seria livre, quando todas as pessoas tivessem acesso ao conhecimento daquela casa. Somos um país que conseguiu diminuir a pobreza, mas a nossa autonomia e a nossa liberdade só serão realmente alcançadas com a educação, e a alma dessa liberdade e dessa autonomia está no professor.”

Fonte: Site oficial Gabriel Chalita

Ouça e veja o 1º pronunciamento do deputado na sua página da Câmara dos Deputados
http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/webcamara/videoDep?codSessao=00017884&dep=gabriel%20chalita

Leia o último texto do professor no seu blog oficial:
http://blog.cancaonova.com/gabrielchalita/2011/02/24/incontinencia-verbal/

 “Incontinência Verbal”.

Destaco o trecho abaixo do artigo que pude ler ontem na revista que chegou a minha casa por correios, através da Canção Nova:
“É atribuído a Sócrates um diálogo em que os seus discípulos vieram falar sobre a vida dos outros e ele perguntou, ensinando: “Vocês já passaram pelos três crivos antes de me contar?” Os crivos são verdade, bondade e necessidade. “É verdade? Vocês têm provas? É bom? Não vão magoar ninguém? É necessário? Tem alguma coisa a ver com a vida de vocês ou com o bem público? E os discípulos se calaram, e Sócrates voltou a falar de filosofia.
A palavra tem poder. Que esse poder seja usado para fazer o bem. Palavras ditas sem amor podem ferir.
Que tal pensarmos antes de falar? Que tal fazermos a experiência do ouvir mais, para aprender, e falar apenas o necessário, para ensinar?
Notas da professora Cristiana Passinato: Sou muito suspeita para discorrer sobre qualquer coisa acerca do professor Chalita, para mim que diariamente o chamo de Gabriel… É estranho, pois até muito pouco tempo não gostava nem de ver seu programa na Canção Nova, mas como por um encanto por indicação de um padre que semanalmente eu ouvia antes do advento da fama e sucesso explodir na mídia com seus cds e livros junto ao tal professor, escritor, comunicador, evangelizador, 1001 utilidades Gabriel Chalita.
Sim, para mim ainda não acostumei com os títulos políticos, pois o conheci como professor e evangelizador, o chamava de senhor, distante o tratava e permanecia no imaginário quando o conheci no lançamento de 2 de seus mais de 60 títulos (com apenas 41 anos), o professor Chalita, que muito facilmente cruza olhares cúmplices conosco quando o ouvimos todos os dias via rádio Canção Nova no seu programa diário ao meio dia, onde chama a sua dinâmica de Papo Aberto, e assim o é… Ele sabe como fazer isso, e ao chegar pessoalmente quebra qualquer tipo de distância com seu carinho e amor, objeto que tanto trabalha e discursa em sua “Pedagogia do Amor”, ele sabe conjugar esse verbo com maestria e usa e abusa de seu poder de nos seduzir para o bem, para a caridade, para a Educação, quando somos da área…
Por isso, que acredito que Chalita no Congresso irá fazer diferença, pois ele com seu jeito tímido de menino do interior que ainda preserva, e classe e requinte que conquistou com seus avanços acadêmicos e na vida literária irá articular e conquistar espaços por nossa causa que muitos não conseguiram e mais, tendo a propriedade de quem já muito esteve em sala de aulas, pois ainda leciona em universidades de SP, é professor de filosofia e semiótica na área de Direito, e desde seus 15 anos, na sua cidade – Cachoeira Paulista, interior de SP, Vale do Paraíba – lecionou…
Foi secretário da educação no governo Alckimin em SP, onde enfrentou problemas e feras e defendia a controversa causa da “progressão continuada” que muitas vezes é confundida com “aprovação automática” – discussões para lá de importantes e que irão ser pautadas nesse espaço oportunamente – e implementou o modelo da “Escola Integral”, que preconiza lembrando o modelo de Anísio Teixeira, e que pôde com sua próxima gestão colher bons frutos e angariar muitos admiradores políticos e ainda apoio da classe do professorado paulista.
Eu mesma já ouvi os 2 lados, tanto quem fala a favor quanto quem gostou de sua atuação, mas todos acentuam a honestidade e transparência, e a incansável luta pela afetividade sendo um elemento primordial, por que não dizer até essencial nas relações envolvendo o processo educativo.
O professor realmente me causa admiração, pois é polivalente, dinâmico, jovem, e promissor, votaria se fosse de SP, até por isso o apoiei por aqui pela internet e acredito nos mesmos sonhos e na legitimidade do discurso e prática que tenho acompanhado durante 1 ano, diariamente via Twitter, rádio, TV, etc…
Realmente, acredito que afinal um homem do bem e de Educação chegou na política do cenário nacional para nos representar com propriedade e conhecimento de causa!



quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

BRASIL & TURQUIA



Merhabá, (Olá em turco)




O objetivo principal deste site é aumentar a relação entre a Turquia e o Brasil, culturalmente e comercialmente. A falta de conhecimento e informações sobre a Turquia no Brasil foi o motivo inicial deste site,desenvolvido especialmente para estreitar os laços entre os dois povos.
Além de apresentar a Turquia de uma forma muito ampla (com informações, fotos e vídeos), também dispõe de  vários serviços para ajudar o crescimento do comércio entre Brasil e Turquia.
Um dos serviços é a disponibilização de cursos de língua turca para iniciantes. - Eu faço...Huhuu :) -
Vale a pena conferir!

http://www.brasilturquia.com.br/

terça-feira, 30 de março de 2010

Onde vamos parar?

Profª Cristiana Passinato

O “Professor refém” é cada dia mais uma realidade frequente na sociedade, e está mais evidente por aí do que nunca.

Estamos à beira de um colapso sério que nos levará a um abismo imenso entre essas duas classes.
Os choques sérios de gerações, as desavenças, as grandes discussões.
A mídia não pára de evidenciar casos e mais casos de desentendimentos em sala de aula.
Muitos direitos dados aos alunos e poucos deveres, bem como alguns professores em completa situação de despreparo, faltas de condições e salários baixos, sem mesmo conseguir saber até onde podem atuar.
É fato que professor não deve trocar papel com pais, mas muitas vezes pela falta de educação chamada por muitos de berço há uma reflexão séria de comportamento em sala de aula, não permitindo que esse espaço seja bem aproveitado por todos.
Nem mesmo o espaço físico é respeitado.
Essa classe de educacores convive com atrocidades enquanto o aluno o ameaça em alguns momentos, caso haja algum desacordo com leituras distorcidas do Estatuto que os protege onde a função não deveria ser essa: a de coagir mestres e deixar alunos à vontade para fazerem qualquer atrocidade desejada, individualmente ou em grupo.
Pior é quando o tom ameaçador surge e o bullying vira prática habitual pelos alunos para se valerem da situação e se beneficiarem por todos os lados.
Acredito que isso seja maléfico e deturpe a personalidade e a formação desses alunos que tudo podem e não obedecem a nenhuma força que os limite.
Aliás essa palavra temida, que muitos falam que está desatualizada, acredito que seja o mais necessário nesse cenário, pois quem ama Educação e segundo até mesmo Içami Tiba e Tânia Zagury, autores de conceituadas teorias e obras publicadas no ramo da pedagogia têm como demonstração desse amor. O tal “Limite sem trauma”, pois “Quem ama Educa”.
Vídeo sobre bullying (em geral, não no caso do aluno para o professor, especificamente) do especialista sobre o assunto, o professor e vereador Gabriel Chalita:
Gabriel Chalita fala sobre o Bullying
Não é um problema só no nosso país, e sim global, vejam ainda em:
Em Portugal bullying será tipificado como crime na violência escolar http://bit.ly/atPnLw – via Twitter Denise Sobrinho (Jornalista)
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Justiça muda critério de escolha de professor em SP; início das aulas pode atrasar

Folha Online

A Justiça de São Paulo decidiu em liminar (decisão provisória) que os professores temporários que já atuavam na rede estadual de ensino terão prioridade na escolha das aulas, mesmo que tenham tirado notas inferiores aos novatos em exame realizado no final de 2009, revela reportagem de Fábio Takahashi publicada nesta sexta na Folha. Inicialmente, o critério priorizava os professores que tiveram melhor desempenho na prova.
A decisão foi tomada a pedido da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) na última segunda-feira (8), menos de dez dias do início do ano letivo, dia 18.
A Secretaria de Educação afirmou que tentará derrubar a medida, mas caso não consiga, o ano letivo da rede, de 5 milhões de alunos, irá atrasar para refazer a distribuição.

O governo afirma que implementou o exame para melhorar a seleção dos docentes temporários. A Justiça acatou o pedido da Apeoesp, pois entende que os temporários que já trabalharam na rede devem ter prioridade em relação aos novatos, ainda que tenham obtido notas menores na prova.



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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Orientação do secretário da Educação às D.E.s desrespeita poder judiciário


Chegou ao conhecimento da APEOESP que o secretário da Educação, Paulo Renato Souza, enviou orientação pessoal, por escrito, às diretorias regionais de ensino e demais órgãos da Secretaria determinando que ignorem a liminar conquistada pelo nosso Sindicato para a reorganização das listas de classificação dos professores no processo de atribuição de aulas.
Tal fato é muito grave. Na nota que enviou, o secretário afirma "ter esperança" de que o governo conseguirá reverter a decisão judicial na data de hoje, 11 de fevereiro e, com base nisto, afronta o poder judiciário mandando descumprir a liminar.
É importante lembrar que a liminar que obtivemos determina a reorganização das listas, remetendo os professores "categoria O" (onde se incluem os estudantes, portadores de licenciatura curta, tecnólogos e bacharéis) para a escolha de aulas apenas após os professores "categorias F e L". Assim, resguarda os direitos e prerrogativas dos professores habilitados em relação aos não- habilitados no processo de atribuição de aulas, conforme prevêem o artigo 62 da LDB e os artigos 12 e 22 da Resolução SE 98, que regulamenta a atribuição.
Nós, da APEOESP, prosseguimos exigindo o imediato cumprimento da decisão judicial e, em cada local de atribuição de aulas, estaremos atentos e atuantes para que nenhum professor habilitado seja desrespeitado em seus direitos.


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domingo, 6 de dezembro de 2009

Chalita: 'precisamos de nova geração de políticos'




Do Diário do Grande ABC



Vereador mais votado do Brasil nas eleições do ano passado, o ex-secretário de Educação de São Paulo Gabriel Chalita (PSB) tem planos maiores para o futuro: está de olho em uma vaga no Senado.
Depois de trocar o PSDB pelo PSB por divergências com o rumo do governo paulista e o encerramento de projetos iniciados por ele na Educação, Chalita afirma ter superado o mau momento no tucanato e que, apesar de ter saído do partido, mantém relações estreitas com o ex-governador e hoje secretário de Desenvolvimento Geraldo Alckmin. O novo socialista - cotado para assumir vaga de candidato ao senado pelo novo partido - afirma que o mais importante na vida política é manter bons contatos e boas alianças, e confirma, sem constrangimento, que no próximo ano, deve apoiar Paulo Skaff (PSB) ou Ciro Comes (PSB) ao governo de São Paulo, mesmo que Alckmin, seu amigo pessoal, concorra ao cargo.
Sem meias-palavras, Chalita condena postura do governador José Serra - que segundo ele não respeita professores - e também dentro do partido alega que o tucano prejudica a sigla, que hoje, se vê representada apenas em sua figura. A demora na definição do candidato tucano, segundo ele, pode também prejudicar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, outra opção na disputa presidencial ano que vem. O ex-secretário diz que a inércia de Serra sobre a definição de qual cargo concorrer em 2010 coloca todo o PSDB em espera. O possível apoio de Serra a Aloisio Nunes e a pouca importância a Alckmin são lembrados pelo vereador que defende o surgimento de novos rostos na política nacional como fator fundamental para mudança na postura parlamentar e para dar basta à corrupção do País.



DIÁRIO - O PSDB tentou mantê-lo a todo custo. Qual foi o fator que determinou sua saída?

GABRIEL CHALITA - Foi uma sequência de fatores. Na verdade, quando saí da Secretaria de Educação, resolvi que sairia da política. Acompanhei a campanha do (Geraldo) Alckmin à presidência, mas não estava com ânimo de ser candidato. Logo depois, vi desmonte de vários projetos educacionais; o primeiro foi o Escola da Família, a menina dos meus olhos, e que diminuiu muito a violência nas escolas. Ver aquilo destruído foi doloroso. Não entendi a postura da equipe do (José) Serra, tão contrária ao que construímos na Educação. Alckmin me pediu cinco vezes para ser candidato; só aceitei para poder ajudá-lo mesmo. Quando fui eleito, achei que haveria mais consideração, no sentido de repensar a política educacional. Achei que teria espaço dentro do partido. Queria ser mais livre, conversei com o diretório nacional, estadual, conversei com Alckmin e disse que não estava mais à vontade dentro do partido e, no PSB, fiquei impressionado.

DIÁRIO - Segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) faltou diálogo com professores no início desta gestão. Você credita esse erro ao governo?

CHALITA - À postura do governador. Os secretários cometeram os mesmos erros e o Paulo Renato está no mesmo caminho. Grande parte da imprensa elogiou as provinhas dos professores, como se isso avaliasse mérito. Durante minha gestão, pagávamos bônus por mérito de ações dos professores em sala de aula, mas essas avaliações os ridicularizam, diminuem a categoria. Ninguém faz prova com outros profissionais do governo. Existe tom de desconfiança com osprofessores. Um discurso de que professor é vagabundo, não trabalha direito, que falta demais. Há professores que têm essa postura? Claro, assim como há políticos que também são assim. A abordagem da visão educacional deste governo foi errada. Vi o governador dizer que aluno tem de saber português e matemática, o resto é perfumaria. Esporte, história, geografia não são perfumarias. O olhar do PSDB de São Paulo sobre Educação foi contra tudo o que acredito.

DIÁRIO - O sr. levou a família para dentro da escola no fim de semana com o Escola da Família. As pessoas sentiram falta quando os aparelhos foram fechados...

CHALITA - Acabou tudo. Sei o que é a violência doméstica na periferia e na Grande São Paulo. Isso tem de ser combatido por meio de outra postura pedagógica e vi isso ruindo de uma hora para outra. Tentei conversar com o governador algumas vezes e ele não dava menor importância. Chegou um momento emque comecei a reclamar. Fui o mais votado e não tinha assento na diretoria nacional, estadual e nem municipal do partido. Nem líder eu era. Não havia respeito. Ele quis falar comigo quando já tinha decidido sair do partido. Digo de coração que a possível candidatura ao Senado me agrada, mas o que mais me levou a sair do partido foi encontrar com professores que acreditaram em mim e ouvir deles que estava tudo diferente do que havia proposto e eu não podia falar mal.

DIÁRIO - Como você avalia o cenário para as eleições de 2010?

CHALITA - Se a definição fosse agora, como quer Aécio (Neves - governador de Minas Gerais), ele teria tempo de percorrer o Brasil. Se for em março, como prega o Serra, Aécio não terá tempo de fazer alianças e será difícil alguém que não é conhecido ganhar eleição. Essa indefinição dele (Serra) destrói o PSDB, atrapalha Minas, partidos aliados e São Paulo, porque se ele não for candidato, quem será? Qual será o processo de escolha? Você tem um partido que governou o Brasil por oito anos, reduzido a uma única pessoa.

DIÁRIO - Se Serra for candidato à presidência, Alckmin pode disputar o governo do Estado. Qual será seu posicionamento neste cenário?

CHALITA - Apoiarei o candidato do PSB, não farei críticas ou inventarei mentiras sobre Alckmin. Acho que ele foi honesto, ótimo governador. Agora, vou construir bandeira no partido. Então as pessoas devem entender que respeitarei o Alckmin, mas temos de ser coerentes com a coligação feita.

DIÁRIO - Lula se fez no Grande ABC. O sr. avalia que o retorno do PT à região está à altura da contrapartida?

CHALITA - O Grande ABC é peculiar, porque tem realidades diferentes. O fato de essas cidades terem se desenvolvido, muito ligadas a dormitórios, porque as pessoas trabalham e pagam impostos em São Paulo, dificulta ação dos prefeitos. É complicado administrar cidades grandes, com recursos orçamentários pequenos. Acho que apesar das dificuldades, você tem avanços. Não dá para culpar um partido, dá para pensar em propostas para o futuro.

DIÁRIO - O sr. acredita que a mudança na personalidade jurídica do Consórcio Intermunicipal pode auxiliar na mudança de políticas públicas regionais?

CHALITA - Com certeza. você se fortalece, fala de outra forma. São todas as cidades do Grande ABC fazendo discussão, é outro peso político. E as cidades precisam dialogar mais. pois uma coisa é pleito eleitoral, onde cada um defende uma ideologia. Passou o processo eleitoral, é hora de administrar e construir políticas públicas comuns.

DIÁRIO - Por sua experiência à frente de Pasta do Estado, há propostas para o Grande ABC? Pretende ajudar candidatos da região ano que vem?

CHALITA - Acho importante trazer pessoas que são exemplos de história de vida, de superação. Para mim é uma honra poder estar ao lado de Romualdo Magro Júnior e Marcelinho Carioca. Entrar na política traz riscos. Você fica exposto, é cobrado, mas isso lhe traz maneiras de fazer o bem. Sempre que encontro Marcelinho, ele fala de projetos sociais que auxiliam crianças. Precisamos de gente nova na política. Eles ajudarão a construir políticas para a região. Conheço o Grande ABC, mas se sair candidato ao Senado e for eleito, vamos construir políticas conjuntas. O Senado fala de temas nacionais e estaduais, elegem-se prioridades, mas não se tem a mesma aplicação política de outras câmaras. Acho importante nos cercarmos de boas pessoas. Acredito muito em política feita dessa forma, com líderes que tiram parte de seu tempo para pensar no coletivo.

DIÁRIO - O sr. busca essa dinâmica nas pessoas que deve apoiar?

CHALITA - Sou muito sincero, só apoio candidato depois de conhecê-lo melhor. Demoramos muito para construir uma imagem e lutamos para que isso seja preservado. Acredito que Marcelinho vai empolgar uma geração em relação à política, porque ele tem garra, curiosidade e vontade de aprender. Romualdo conhece a região, nasceu aqui, pode ajudar muito a população. Pode ser uma ótima dobrada.

DIÁRIO - Dá para reverter a imagem que as pessoas têm hoje do Senado, depois de tantos escândalos?

CHALITA - Acho que haverá grande renovação, porque vai chegar muita gente com vontade de fazer o que é correto. Se defendêssemos o que está na Constituição, no Senado, não precisaríamos fazer muito mais. Porque lá se fala da dignidade e isso dá amplitude de ações. Aliás, se você seguir os princípios da dignidade da pessoa humana, não vai roubar, não vai colocar dinheiro na meia, na cueca. Precisamos construir uma geração de políticos que não seja tão intransigente, que não faça má versação do dinheiro público.

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sábado, 5 de dezembro de 2009

Levanta-te para a vitória - Gabriel Chalita e Padre Fábio de Melo







Eu queria refletir com vocês passagem de quando levam as crianças para Jesus. “Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que pusesse as mãos sobre elas e orasse por elas. Os discípulos, porém, as afastavam. Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.” (Mateus 19,13-14)
“Deixai vir a mim as criancinhas”, é interessante que neste processo da existência humana, vamos aprendendo a respeitar as outras pessoas, vamos nos conhecendo e conhecendo os outros, quando Jesus diz “vir a mim”, Ele quer dizer que se não tivermos um coração puro como de criança, não seremos felizes.
O pai sonha muito com o filho, mas parece que o filho não atende os sonhos do pai, mas é preciso entender que o filho não é igual ao pai. O primeiro sonho de um pai e uma mãe deve ser que seu filho seja bom, que sonhe que os filhos se formem, mas o primeiro sonho é que seja bom. Se eu, pai, sonho que meu filho seja bom, a primeira coisa a fazer é eu ser bom. A criança, não é preconceituosa, ela vai pegando as manias dos pais, ela vai aprendendo com o jeito dos pais.
Os exemplos cotidianos que damos em casa prepara o ser humano, desenvolve a capacidade de amar. Pode faltar tudo, mas não pode faltar o amor.
O cristianismo familiar é preciso ser resgatado para os filhos viverem a verdade. Tem pai que só quer o filho em cima do “pódio”, mas é necessário saber que todos os erram, ninguém é perfeito.
Muitas vezes perdemos a chance de ser melhor. É a convivência com o outro que me faz um pouco melhor. “O verdadeiro cristão é aquele que permitia que a Bíblia esteja entranhada em si.” Vir para o hosana é saber que a palavra está entranhada em nós, nós sofremos, fomos vitoriosos, omissos, mas estamos aqui.
Quando pensamos como Jesus pensava, vivemos uma virtude muito linda, que é a compaixão. Perdemos muitas oportunidades de ajudar o outro porque não temos compaixão. Todos nós temos em nós a razão e emoção, todos temos capacidade de amar.
Toda vez que a gente trata o ser humano como uma coisa, não vivemos a essência do cristianismo. Precisamos fazer que com a nossa compaixão o outro se sinta amado, precisamos ser gentil com o outro.
Se eu não for simples, se alguém te perguntar se você tem alguma para coisa para celebrar a vitória, você tem tantas coisas que lhe ensinaram esse ano, mesmo com as situações dolorosas, hoje podemos ser um pouco melhor pois essas coisas nos fez crescer.
Cada um é diferente do outro, e precisa ser respeitado, assim como você também deve ser respeitado, a criança tem seu jeito próprio de ser e isso não pode ser perdido.
Madre Tereza dizia que ninguém pode sair da minha presença da mesma forma, ele precisa sair melhor. Precisamos sair da canção Nova com os reservatórios cheio, para que cheguemos em casa com serenidade, pessoas que vai lutar com os problemas mas que não vai perder a paz.
“Cuidado por onde andas, é sobre meus sonhos que caminhas” Carlos Drummond. Para os pais, que seus filhos se lembrem de você, não como alguém que queria sempre o primeiro lugar para eles, mas alguém que os amava.


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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A importância do afeto em sala de aula



Não há quem se sinta bem ao ser maltratado, desestimulado ou desprezado. Isso vale em um restaurante, em um posto de saúde, em uma Igreja ou em uma escola. Nesses afetos cotidianos, nota-se o papel da escola como protagonista de uma sociedade melhor. É na escola que se moldarão o caráter e a personalidade, que aprendemos os primeiros passos rumo à formação do ser humano. Já não há mais espaço para instituições que passam burocraticamente informações aos alunos sem o cuidado de formá-los devidamente para a vida.

Revista Clube Eu Gosto: Qual a importância e o resultado prático da afetividade no ambiente pedagógico?

Gabriel Chalita: O processo educativo envolve três grandes habilidades: cognitiva, social e emocional. A habilidade cognitiva trabalha com o processo constante de aprender novas idéias, conceitos e valores. A habilidade social desenvolve duas questões básicas: uma é a importância da cooperação, e a outra é a solidariedade. A habilidade emocional é a revelação do que há de mais nobre no ser humano: a capacidade de amar e de ser amado. Ela perpassa as outras duas. Não se aprende sem emoção e não se participa do jogo social sem emoção. A afetividade nasce dessa certeza de que o aluno aprende quando se sente valorizado, acolhido, respeitado. Portanto, o resultado prático é a construção de um espaço mais harmônico em que as heterogeneidades convivam em paz. E, além disso, a real possibilidade de aferir os resultados de uma educação com mais qualidade e significado para os aprendizes.

RCEG: Que ações e comportamentos práticos demonstram essa afetividade em sala de aula?

Gabriel Chalita: Afetos cotidianos. Os professores têm de conhecer os seus alunos. Sei que isso não é fácil. Mas o ideal é o que propunha Aristóteles: o educador tem de ser como o médico. O médico precisa conhecer o paciente antes de prescrever um medicamento. Há doses diferentes do remédio de acordo com a necessidade de cada um. O educador tem de ir percebendo a evolução do aprendiz. E ir conduzindo com leveza os seus passos. Na prática, significa que o professor deve se preparar para entrar em uma sala de aula. Saber o nome dos alunos. Diferenciar autoridade de autoritarismo. Compreender que a didática da sala de aula precisa ser mais envolvente. O aluno participa melhor quando se sente desafiado a resolver problemas, quando percebe que as suas dúvidas são respeitadas. Não acredito na teoria do medo para garantir o bom comportamento em sala de aula ou evitar a algazarra.

RCEG: É possível conseguir disciplina com afeto?

Gabriel Chalita: Sem dúvida. Dom Bosco, o fundador dos salesianos, dizia que não basta aos jovens que sejam amados, eles precisam sentir que são amados. Ele tinha o desafio de cuidar de crianças cuja rebeldia fazia com que não fossem aceitas em escola alguma. E, aos poucos, ele ia conquistando uma a uma. O cinema é rico em exemplos assim. Professores que transformam a desconfiança ou a apatia dos seus alunos por meio de relações educadas, ternas, competentes. Evidentemente, não basta uma postura cordial, se o professor não se prepara, se não tem o que dizer.

Conteúdo e forma são essenciais para que os alunos se interessem pela aula. O professor precisa despertar a curiosidade do aluno, compreender o erro e não supervalorizá-lo. E investir em uma relação que faça com que o aluno fique constrangido em ser indisciplinado, já que é tratado com tanto respeito. Uma regra básica: todo educador tem de ser educado. Esse já é um caminho para ter uma relação melhor entre mestre e aprendizes.

RCEG: Se a relação de afeto é uma relação com base na cumplicidade como conseguir isso do aluno?

Gabriel Chalita: Aos poucos, como toda relação de afeto. Não adianta o professor chegar a uma sala de aula e dizer que ama os alunos ou que tem afeto por eles. Essas coisas não precisam ser ditas. O tempo vai mostrando o quanto aquele professor gosta de lecionar, o quanto ele se prepara para ajudar os alunos a encontrar os próprios sonhos. Trata-se de uma conquista cotidiana. O primeiro dia de aula é fundamental. O primeiro contato tem de ser de acolhimento e investigação. Não há matéria chata. E o professor tem de se dar conta de que a didática precisa servir a essa causa de buscar na vida a continuação do conhecimento partilhado na sala de aula. É como oferecer o aroma de uma flor sem mostrá-la e esperar para ver os alpinistas escalar montes à sua procura. Paulo Freire dizia que o primeiro caminho para que o professor tenha sucesso é ver sua postura diante da vida. Quem gosta de viver tem chance de ser um bom professor; quem não gosta, fica mais difícil. Creio que o que o mestre queria dizer como isso é que a fremente aventura da vida não pode se reduzir a atitudes burocráticas, mas ao êxtase da boniteza da vida em que ensinamos e aprendemos constantemente - aí está a cumplicidade!

RCEG: Um dos resultados práticos da psicologia do afeto é o fortalecimento da autoestima. Como lutar contra o bullying, uma prática comum nas escolas e que vai contra a filosofia do afeto.

Gabriel Chalita: o bullying é uma atitude de não convivência, de não harmonia nas relações humanas. Nasce do preconceito contra alguém que é diferente. Aí começa o problema, porque diferentes são todos. Não há pessoas iguais, nem os gêmeos. E conviver com a diferença faz parte da habilidade social. O bullying coloca no agressor o direito de destruir a vítima física ou moralmente. A vítima, debilitada, sente-se menor que os demais. Os que assistem também se diminuem. Aprendem antivalores. Acredito que o agressor ou os agressores sejam também vítimas. Não acredito que alguém nasça violento ou preconceituoso. Essas coisas são aprendidas em casa, na mídia, no contato com outras pessoas. Recentemente, os meios de comunicação mostraram uma mãe incentivando a filha a brigar na porta de uma escola. Na entrevista, ela não teve dúvidas: “Minha filha nasceu para bater e não para apanhar”. É impressionante como os pais estão distantes do que seria uma educação de qualidade. Alguns são ausentes; outros, sufocantes; outros, competidores ávidos que não admitem um erro dos filhos. Querem sempre vê-los no primeiro lugar do pódio. Ledo engano. A infância tem de ser o tempo da infância. Com as brincadeiras da infância. Cada coisa no seu tempo. Aliás, em vez de transformá-las em adultos deveríamos fazer o inverso, redescobrir a criança adormecida nos adultos.

RCEG: O material didático tem alguma importância nesse processo de aplicação pratica de afeto?

Gabriel Chalita: Todo material é importante para instrumentalizar os caminhantes. O material didático não pode frustrar a autonomia, ao contrário, tem de despertar a curiosidade em impulsionar a competência na resolução de problemas. Assim, também, o chamado material paradidático. O livro é um instrumento precioso. A tecnologia evidentemente trouxe um novo tempo para o processo educativo, mas o livro, a contação de histórias, o convívio são a essência de um processo de crescimento, como já dissemos, cognitivo social e emocional entre alunos e professores. Lembro-me de uma de uma das minhas primeiras professoras que toda sexta-feira nos colocava no chão para ouvir uma historia. Às vezes lia, às vezes contava. E no momento mais curioso da narrativa, fechava o livro ou a boca, dava uma pausa, e a noticia de que o final da historia ficaria para a segunda-feira. E aí estava a curiosidade. Havia poucos livros na biblioteca e quase sempre não conseguíamos encontrar o final. Não havia Internet. Esperávamos ansiosos pela segunda-feira para saber o desfecho. Era assim, na simplicidade da releitura de Sherazade que aquela professora/fada de uma escola pública do interior, com seu condão, tocava os nossos sentimentos e ensinava que nos livros estavam universos fascinantes que, quando descobertos, nos dariam a vitória singela atribuída aos desbravadores. Os livros, os materiais tecnológicos estão aí para ser desbravados. E é por isso que a educação não pode aleijar a coragem, ao contrário, deve incentivá-la. Sem a coragem, as outras virtudes se intimidam.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ternura na receita - por Gabriel Chalita



Mais um Natal se aproxima.A festa da natividade do Menino Jesus reúne as famílias ao redor da mesa.Nesses encontros,muitas vezes as diferenças aparecem e o sonho da celebração do amor se converte em pesadelo.
A família é o espaçõ priveligiado da convivência.Seus membros são diferentes.Cada um carrega dons,traumas,esperanças.Cada um luta,a seu modo,para buscar a perfeição.Entretanto,imperfeitos são todos.
Algumas crianças choram por brinquedos mais caros.Alguns pais fazem dívidas para satisfazer os mimos dos filhos.Fazem mal.Vale mais a sinceridade:"filho,eu não tenho dinheiro para comprar esse presente>Você merece,mas fica para outra ocasião."Lembro-me de uma história em que a filha queria uma vitrola.O pai sentou-a no colo e disse,"como não tinha dinheiro para comprar a vitrola,comprei o filhinho dela.", e entregou um rádio pequeno a filha. A menina,hoje mulher crescida,nunca se esqueceu.Talvez,se tivesse recebido a vitrola,já não mais lembrasse dela.
Na plenitude dos tempos,segundo as escrituras,nasceu o Menino Jesus.A manjedoura de Belém foi seu primeiro berço. As canções de vida foram entoadas por Maria,a mulher escolhida por Deus,e José,o carpinteiro devotado ao respeito humano.Em sua infância,o Menino brincou,ouviu histórias,aprendeu,ensinou,surpreendeu. Foi criança,enfim.Em Sua adolescência,viveu,próximo aos pais,à essência da família>Fortaleceu para o exercício de Sua missão.E partiu,permanecendo.Como devem fazer os filho.Cada um nasce para um voo diferente,mas o ninho da ternura é lugar de aconchego.
A festa de aniversário é do Menino Jesus.Sua simplicidade deve inspirar o encontro.Exageros não combinam com a manjedoura.Na receita da ceia,não pode faltar ternura;o resto é menos importante.Presentes podem ser distribuídos.Abraços.Conversas. O ideal é que alguma ação solidária seja feita pelos pais e filhos.Um presente para o filho e outro para um menino sem lar.Uma história contada em casa e outra para os velhinhos de um asilo,esquecidos pelos seus. Pequenas ações que cumprem o sonho do Menino aniversariante "...porque tive fome e me destes de comer;tive sede e me destes de beber;era peregrino e me acolheste;nu e me vestistes;enfermo e me visitastes;estava na prisão e viestes a mim"(Mt 25,35-36)
Que o Natal seja um tributo à solidariedade.Os pais dão o exemplo e os filhos aprendem.Que a alegria ao Menino seja concedida por uma família que vive e celebra o amor.
Fazei a experiência,diz o Senhor dos exércitos,e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha benção sobre vós muito além do necessário.A palavra está em Malaquias.
E está em nós.Façamos a experiência da solidariedade,do respeito,da ternura.E a nossa noite será o prenùncio de um novo ano abençoado.
Feliz Natal


Gabriel Chalita
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sábado, 21 de novembro de 2009

Estudo mostra que apenas 7,5% dos brasileiros compram livros


 
Apenas 7,47% da população brasileira compra livros não didáticos e destinam à literatura o equivalente a 0,05% da renda familiar, segundo um estudo divulgado hoje por editores reunidos no Instituto Pró-Livro.
O pouco orçamento destinado à leitura se reflete em que 60% dos brasileiros nunca abrem um livro e, quem tem o costume, lê 1,3 obra literária ao ano, segundo o estudo, baseado em dados oficiais.
A taxa de leitura no país aumenta para 4,7 exemplares por ano incluindo as obras pedagógicas e didáticas.
Segundo o estudo, 75% dos brasileiros que se consideram leitores afirmou na enquete que sentem prazer na leitura, e o resto admitiu que só lê por obrigação.
A média de leitura dos brasileiros é dez vezes inferior à dos Estados Unidos e quase a metade à da Colômbia, país onde é lida uma média de 2,4 livros por ano, segundo as mesmas fontes.
O estudo indica que, no Brasil, 21 milhões de pessoas são analfabetas, que estão incluídas nos 77 milhões de habitantes considerados não leitores, e 95 milhões leem ativamente, segundo dados de 2007.

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E o desrespeito continua...

Professor temporário é um forasteiro na escola, diz educadora



da Folha de S.Paulo



Especialista em didática e na formação de professores, a docente Maria Isabel de Almeida, 54, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, acredita que o fato de 43% dos 230 mil professores da rede estadual de ensino de São Paulo serem contratados em caráter temporário traduz-se em graves prejuízos para os estudantes.
"A escola deveria ser para o aluno, mas é esse lado que menos se leva em conta na hora de elaborar as políticas públicas de educação", diz ela. "Lá pelos anos 1970, chamava-se o professor temporário de 'precário'. Mudou o nome, mas a precariedade ficou", afirma Maria Isabel.
Para exemplificar, a docente cita a forma como os 100 mil professores não-efetivos "pegam" aulas. Funciona assim: todo início de ano, as classes que foram refugadas pelos professores efetivos (os que passaram em concurso) são distribuídas entre os temporários, segundo classificação feita por critérios de antiguidade e títulos.
Como essa classificação muda de um ano para outro, a situação mais comum é a do professor temporário que raramente consegue "pegar" aulas na mesma escola.
"Desapareceu a figura do professor 'da' escola estadual, aquele profissional que conhecia todos os alunos, acompanhava-os ao longo dos anos, sabia identificar os irmãos e familiares, a vizinhança, participava daquela comunidade. A rotatividade anual faz com que o professor esteja sempre na situação de 'forasteiro'. No início do ano, ele tem de começar do zero a conhecer aquele novo mundo", diz ela.
"A situação piora porque o professor, para 'inteirar' o orçamento, acaba 'pegando' sobras de aulas em mais de uma escola. Ele dará seis aulas em uma, cinco em outra, três em outra. Três comunidades diferentes para conhecer e trabalhar. E, no ano seguinte, começar de novo --sempre do zero", diz.

Marginalizados

A professora relata que os professores temporários acabam marginalizados nas escolas --tanto pelos alunos quanto pelos colegas efetivos. "Isso gera uma situação de esgarçamento da relação do professor com sua carreira. Professores mais bem formados não são atraídos para dar aulas; a classe média foge. Essas dezenas de milhares de vagas temporárias, portanto, serão preenchidas por indivíduos das classes populares sem outra opção profissional, como uma alternativa ao desemprego."
A docente da USP enfatiza que essa origem social dos professores poderia até ser um ponto favorável, caso houvesse investimento para efetivá-los, via concurso público, e valorizá-los. Mas não foi isso o que ocorreu, diz ela. A prova de conhecimentos específicos realizada em 17 de dezembro último e que a Secretaria da Educação pretendia incluir entre os critérios de classificação dos temporários "foi a demonstração cabal de que se preferiu por ora não enfrentar o problema básico da precariedade desses 100 mil profissionais".
"A tal prova conseguiria apenas classificar a fina flor do lúmpen-professorado. Alguém acredita que isso resolveria o drama de professores mal preparados, fragilizados, desmotivados?", pergunta.


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domingo, 8 de novembro de 2009

Expulsão de aluna hostilizada na Uniban atesta incompetência, diz entidade


A Uniban decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda, 20, hostilizada por colegas no dia 22 de outubro. Ela foi xingada nos corredores da universidade, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet.
"Ao expulsar essa menina, a universidade assina seu atestado de incompetência", afirma Samantha Buglione, coordenadora do Cladem (Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher) no Brasil.


"O espaço que deveria promover a discussão está tendo atitudes simplificadas e autoritárias", diz ela. "Para a universidade ser intolerante em questões de moralidade neste nível é porque ela está completamente desvirtuada do que deveria ser", afirmou.
As opiniões de Buglione refletem um pouco a contrariedade de boa parte dos educadores, advogados e entidades de defesa das mulheres ouvidos pela Folha sobre a punição da Uniban à jovem que foi hostilizada ao usar um vestido curto.
Para Buglione, a função da Uniban era promover um debate, e não mandar a estudante embora. "Esse caso é uma excelente metáfora para mostrar como a universidade não está mais sendo universidade", afirma ela, que também é professora de direito da Univali (Universidade do Vale do Itajaí).
"Como é uma instituição que se propõe a fazer um trabalho educativo, a expulsão deveria ser a última medida", avalia Sabrina Moehlecke, doutora em educação pela USP e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Ressalvando falar em tese, por não ter acompanhado detalhes do caso, ela acrescenta: "Mesmo que as pessoas venham com hábitos, formas de agir e de se vestir inadequados, a instituição tem a função de criar formas de lidar com isso".
O promotor de Justiça Roberto Livianu, do Movimento do Ministério Público Democrático, afirma que a decisão é um "exagero", "foge à razoabilidade" e lembra "posturas fundamentalistas islâmicas".
O professor de direito constitucional João Antonio Wiegerinck avalia que a expulsão só ocorreu devido à repercussão do tema na mídia, e não pelo comportamento da aluna. Ele afirma que a roupa da jovem era inadequada ao ambiente de estudo. "Faltou bom senso à estudante. Mas dou aula há mais de oito anos. Há roupas piores."
Segundo Wiegerinck, é praxe nas instituições de ensino regulamentos para punir alunos por comportamentos do tipo. Mas ele ressalta a necessidade de uma gradação para os casos de reincidência --como advertência e suspensão, sempre por atos formais, e não verbais.

Ato público

Para Sônia Coelho, militante da SOF (Sempreviva Organização Feminista), a expulsão da estudante é um retrocesso e mostra a falta de compromisso da instituição com a educação.
"É preciso trabalhar prevenindo a violência. O contrário do que a universidade está fazendo. A aluna deveria ser acolhida, e os alunos, educados."
A SOF afirma ter buscado contato com a universidade para propor um ciclo de debates sobre a violência contra a mulher. Sem sucesso, decidiu fazer um ato público no dia 18 na frente da Uniban --que, com a expulsão, pode ser antecipado.
A decisão da universidade, ao ver a reação contra a jovem como defesa do ambiente escolar, diz Sônia Coelho, põe em risco todas as mulheres. "Qualquer uma que se vista com um short ou vestido pode ser abordada de forma pior. Daqui a pouco as mulheres serão apedrejadas."
A fundadora da União de Mulheres de São Paulo, Maria Amélia de Almeida Teles, diz que a atitude da Uniban mostra que ainda existe discriminação e reforça a existência do preconceito: "É difícil acreditar que em pleno século 21 a mulher não tenha direito a dispor de seu próprio corpo e a se vestir da maneira que desejar".


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Uniban decide expulsar aluna hostilizada por usar vestido curto

A Uniban publicou anúncio em jornais de São Paulo deste domingo (8) em que afirma ter decidido expulsar a aluna Geisy Arruda, 20, hostilizada por colegas no dia 22 de outubro.
A estudante foi xingada nos corredores da universidade, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), por usar um microvestido rosa. O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Geisy parou de frequentar as aulas --ela está no primeiro ano do curso de turismo.
No anúncio, intitulado "A educação se faz com atitude e não com complacência", a universidade afirma que a sindicância aberta para apurar o acontecimento concluiu que houve "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade" por parte da aluna.
Segundo a nota, foram colhidos depoimentos de alunos, professores e funcionários, além da própria Geisy, para embasar a sindicância. Em seu depoimento, a Uniban diz que "a aluna mostrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse".
As imagens gravadas no dia e divulgadas na internet também foram analisadas, e os alunos identificados foram suspensos temporariamente das atividades acadêmicas.
A universidade afirma que a aluna frequentava a unidade com trajes inadequados "indicando uma postura incompatível com o ambiente" e chegou a ser alertada sobre o assunto, mas não mudou o comportamento. No dia do acontecimento, segundo a Uniban, Geisy percorreu percursos maiores para aumentar sua exposição, "ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos".
"A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar."
Em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, o advogado da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, disse que a aluna "sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar".
O advogado da estudante, Nehemias Melo, disse que ainda não foi notificado da decisão. Geisy afirma ter ficado inconformada com a expulsão, que classificou de absurda.



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sábado, 7 de novembro de 2009

Chalita fala sobre “tecnicismo” de Serra e falta de democracia no PSDB




Vereador mais votado do país em 2008 e recém-filiado ao PSB, o ex-tucano Gabriel Chalita se virou contra seu antigo partido. Em entrevista ao Vermelho, na sexta-feira (6), durante o 12º Congresso do PCdoB, em São Paulo, o parlamentar acusou o governador José Serra (PSDB-SP) de esvaziar a “democracia partidária”. E disparou contra o PSDB: “Quando você está num partido em que você não pode falar em nenhuma instância partidária, está na hora de ir embora — senão você trai o povo”.



"Foi melhor deixar o partido", diz Chalita

Ex-secretário estadual de Educação durante o governo de Geraldo Alckmin (2001-2006), Chalita afirma que a gestão Serra abandonou princípios “humanistas” ao lidar com a área. “O que ficou foi uma visão muito tecnicista, muito distante do povo.”



Declarando-se “emocionado” com o discurso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabara de pronunciar no Congresso do PCdoB, Chalita saudou também o “grupo de partidos que apoiam uma visão muito mais humana de política”. Caso, segundo ele, das principais legendas de esquerda no Brasil — PT, PSB, PCdoB e PDT.



Confira abaixo trechos da entrevista

Dentro do PSB, houve alguma resistência à sua filiação ou você foi bem acolhido?

Fui muito bem acolhido, sim, e está sendo muito legal. O PSB é um partido que tem uma preocupação imensa com essa questão humana, e eu também tenho bandeiras que defendi a minha vida toda.



Fico emocionado de ver o presidente Lula falando tanto em educação, no quanto ele investiu, no que é o ProUni (Programa Universidade para Todos). Encontrei aqui no PCdoB várias pessoas que fizeram o Escola da Família, que é um projeto que veio antes do ProUni e que ajudava a pessoa a ter uma formação universitária.



Essa é a linha daquilo que defende o PCdoB, o PDT, o PSB, o PT. É também a linha que defendia uma parte do PSDB quando eu estava lá, uma ala mais à esquerda. É a visão mais humanista, essa preocupação com o ser humano.



O legado do Lula é um legado de muita emoção, de respeito às pessoas, de cada pessoa individualmente. Veja quando ele fala do Bolsa Família ou de um trabalhador, Eu estava no evento com os catadores de materiais reciclados e via com que emoção o Lula abraçava as pessoas. Acredito na política como exercício assim — de gente que gosta de gente, de gente que respeita gente e trabalha para que essa gente tenha melhores condições de vida.



O que houve com esse grupo que você chama de “ala mais à esquerda” do PSDB? Ficou isolada, sem espaço no partido? O Serra “limpou a área”?

Eu acho que sim. O que ficou foi uma visão muito tecnicista, muito distante do povo. Vejo na minha área — que é a área da Educação — que a gente abria as escolas para a comunidade, aquela população toda nas escolas. Hoje é uma linha “provinha”, “provinha”, “provinha”, “provinha”.



Você vai destruindo essa capacidade de criativa. O professor — um trabalhador que já sofre tanto — é tratado de uma forma inadequada. É tão complexa essa relação de professor e aluno numa sala de aula. O professor tem de ser acolhido, valorizado. E, cada vez mais, vende-se uma imagem horrível do professor.



Agora, para aumentar salário, tem que fazer uma “provinha”. Por que só o professor tem que fazer uma provinha? Por que político não tem que fazer “provinha” também? Então é uma visão muito preconceituosa, depreciativa e incorreta sob ponto de vista cognitivo. Não é por ir bem numa prova que uma pessoa será um bom professor na sala de aula. É uma visão equivocada.



Se a gente pegar o conceito do que era uma social-democracia, deveria estar muito mais à esquerda, ter uma visão muito mais ligada ao dinamismo social. Mas não é isso o que a gente enxerga. Eu estou muito feliz de estar agora nesse grupo de partidos que apoia uma visão muito mais humana de política e vou continuar trabalhando nessa direção.



Nas eleições municipais de 2008, você teve 104 mil votos e foi o vereador mais votado do Brasil. Você diz que, apesar disso, Serra nunca fez questão de recebê-lo. Não havia mesmo nenhuma disposição para o diálogo?

Eu começa a incomodar com minhas críticas à política educacional que eles desenvolviam, e infelizmente faltou também democracia partidária. Num congresso como este do PCdoB, pode haver discordâncias — uma pessoa pensa de certo lado, outra pessoa pensa de jeito diferente. Mas as pessoas têm voz. Você pode dizer aquilo que você pensa e ser ouvido. Os outros escutam, e há diálogo.
Agora, quando você está num partido em que você não pode falar em nenhuma instância partidária, está na hora de ir embora — senão você trai o povo. Foi melhor deixar o partido do que o povo.


André Cintra


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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Gabriel Chalita lança coletânea de contos



Nos próximos dias 10 e 11, Gabriel Chalita, ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo, lança, simultaneamente, os livros Homens de Cinza e Mulheres de Água, obras em formato de conto que desvendam o ser humano e seus sentimentos. Com a presença do ator Ary Fontoura, que fará a leitura de trechos dos livros, Chalita estará em São Paulo e no Rio de Janeiro para autografar as obras que, com narrativas curtas e emocionantes, mergulham nos universos feminino e masculino.

Em Mulheres de Água, as mulheres são as estrelas. Os relatos singelos e verdadeiros revelam os sentimentos femininos e os desvendam com sutileza e perspicácia. A inveja, o ciúme, a paixão, a esperança, a descrença, o desamor estão todos nos contos de Chalita, cuja intenção era falar sobre as mulheres em pleno diálogo com a vida.

Já em Homens de Cinza, o autor mostra as emoções e sentimentos do homem, a partir de observações de seu comportamento. Em todas as situações, sob os mais diversos aspectos, Gabriel Chalita faz um mergulho de maneira ora intimista, ora fugaz, ora contundente. A presença do cinza é permanente na vida de cada um dos personagens: o cinza que embrutece os sentimentos, que desmancha teias, que desfaz a paixão, que carrega para além das emoções rasteiras.

Gabriel Chalita, que é formado em Filosofia e Direito, tem mestrado em Sociologia Política e Direito e doutorado em Comunicação e Semiótica e também em Direito, recentemente tomou posse como membro da Academia Brasileira de Educação, ocupando a cadeira de nº 34, que tem como patrono Olavo Bilac.

Eleito em 2004 Educador do Ano, é membro da União Brasileira dos Escritores e autor de mais de 45 livros. Nas eleições de 2008, foi eleito pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) como vereador de São Paulo, com o maior número de votos da Casa: 102.048.

Lançamentos dos livros Homens de Cinza e Mulheres de Água, de Gabriel Chalita



10/11 - Colégio Visconde de Porto Seguro - Unidade Panamby

Rua Itapaiuna, 1355 - Panamby

São Paulo - SP

11/11 - Livraria da Travessa

Av. das Américas, 4666 - Barra Shopping

Nível Américas - Lj 220

Rio de Janeiro - RJ
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um dos novos contos de Gabriel Chalita

Dia de Todos os Mortos – um exercício de Amor

Hoje é o dia do Amor. Do amor que devotamos às pessoas amadas que partiram. A celebração do amor, não pela magia do contato físico, mas pela doce eternidade das lembranças daqueles que perduram vivos dentro de cada um de nós. É de Mia Couto, escritor africano, o aforismo que tão sabiamente traduz esse sentimento : “ Morto amado nunca mais para de morrer”.
Integra a história da humanidade o gesto de adorar, de homenagear, de rezar pelos mortos. Cada cultura revela seus costumes nas diferentes formas de amor à memória de seus mortos. A Igreja Católica dedica um dia do ano para rezar e celebrar a vida eterna de nossos entes queridos. Esse dia, desde o século XIII, é solenizado em 2 de novembro. Dia 1º é dia de Todos os Santos; dia 2, dia de Todos os Mortos.
Talvez o maior medo e maior mistério da vida humana seja o da morte. Justamente pelo mistério que ela encerra. Desde sempre o tema da morte me provoca densa reflexão, num misto de tristeza e alegria. Gostaria de compartilhar esse sentimento com vocês. Um dos contos do meu livro Homens de Cinza, que será lançado no próximo dia 10, perpassa por esse tema.



Antecipo a vocês o conto O riso de Everson:



Everson era coveiro. Tinha medo de defunto. De caixão não tinha. Não achava de bom gosto abrir a urna para despedidas no cemitério. Isso devia ser feito antes. Quando acontecia não olhava. Aprendeu com o pai, também coveiro, que o último que olha fica com a imagem do morto perturbando durante um bom tempo.
Não se incomodava com choradeira nem com desmaio de última hora. Ficava com a pá e o chapéu esperando as despedidas e depois cumpria a função. Achava falta de respeito ficar conversando. Gostava mesmo era de imaginar a vida do partinte. Fazia isso, observando o jeito da família. Quando quem sobrava era a viúva, olhava com curiosidade se estava chorando de obrigação, de alívio ou de tristeza. Quando era o viúvo, reparava na disposição e nas mulheres distantes para perceber alguma intenção.
Tem gente que chora de remorso, tem gente que chora de saudade. Everson percebia a diferença, mas não falava porque não era dado a comentários. Desde cedo aprendeu em casa que o melhor é ficar quieto. Quanto mais se fala, mais bobagem se traz ao mundo.
Tem gosto por matemática. Conta as pessoas e compara com outros enterros. Gente jovem leva mais gente e tem mais dor, a não ser quando o velho é muito querido ou importante. Tem um caderno de anotações em casa com o nome, data e freqüência dos enterros. Em primeiro lugar, em popularidade, está o Padre João. Coisa linda ver a cidade inteira no cemitério. E ele morreu velho, bem velho. O falatório não foi econômico. E não abriram o caixão. O que menos gente levou foi um tal de Antonio do Nascimento. Ninguém. Everson até rezou por ele em consideração. E depois despejou a terra.
Em dias de chuva, partiam mais cedo os que deixavam seus mortos. Em dias de sol, acompanhavam até o final.
Caixão pequeno cortava o coração. Não entendia a falta de oportunidade de fazer coisa certa ou errada na vida. Injustiça. Caixão de virgem, desconfiava. Já viu muito moça freqüentar o lugar dos mortos acompanhada e depois vestir a pose de recatada.
Desaforo era família desleixada que deixava o túmulo sujo. Pouco caso com a casa do morto. Quando dava, limpava os abandonados. Gostava de ler os escritos nos túmulos. Perdia tempo porque lia devagar. Mas gostava.
Em um dia qualquer, quase fechando o portão, conheceu Maria Rita. Lembrou de tê-la visto em algum sepultamento. Buscou na memória e achou o dia da partida do marido. Não reparou muito porque abriram o caixão. Além do que achava desrespeitoso com o defunto qualquer reparação mais saliente.
Maria Rita veio com umas poucas flores colhidas de alguma pracinha e um maço de velas. Limpou e fez jeito de quem faz prece. Muito econômica na opinião de Everson. Nem bem se benzeu e já terminou. Não chorou. Pouca gente chora depois de algum tempo.
Pediu fogo. Everson deu. Distraída queimou o dedo. Riu. Everson também riu. Perguntou a ele se tinha medo. Ele riu e maneou a cabeça. Perguntou o nome. Everson riu e respondeu baixinho. Coçou o rosto, arrumou o cabelo, falou alguma coisa consigo mesma e sem despedir se foi.
No dia seguinte voltou. Veio acompanhando um enterro. Não chorou. Ninguém chorou. Era defunto velho e parece que sacrificava a família. Foram embora e ela ficou. Falou o seu nome e riu. Everson também riu. Perguntou se ele tinha vergonha. Ele riu. Ela deu um beijo de leve no rosto corado. Ele riu. Foi a primeira vez que uma mulher beijou Everson, que ele lembre. A mãe morreu com ele ainda menino. E o pai, homem muito trabalhador não era dado a intimidades com o filho. O pai também já tinha sido enterrado. Pouca gente foi. Os outros dois coveiros fizeram o serviço. Everson não quis que abrissem o caixão. Chorou depois que os outros se foram.
No terceiro dia Maria Rita, sem procissão alguma, voltou. Trouxe só vela e de novo pediu fogo. Everson estava enrolando cigarro de palha. Maria Rita quis experimentar. Tossiu. Everson riu. Falou a vida inteira dela. Everson ouviu. Falou inclusive do falecido e de sua falta de bondade. Falou do quanto ele a agredia. Falou de alívio. Everson quase chorou. Teve vontade de protegê-la mas lembrou-se do pai que sempre dizia que o melhor era esperar.
Ficaram juntos, ela falando e ele ouvindo até o pôr do sol. Ela não reparava nessas coisas , ele sim. Falava com alegria e ele ouvia com disposição. Voltou alguns outros dias. Deu alguns outros beijos. Tudo com muito respeito. E ele ria. Iniciativa não tinha nem para dizer sim nem para dizer não. Mas gostava.
Reparou nos seus olhos depois de um beijo de namorado e pediu a Deus, tirando o chapéu que aqueles seus olhos de gente viva o perturbassem para sempre. Maria Rita falou em casamento. Everson riu.
O tempo passou e Maria Rita nunca mais voltou ao cemitério. Everson vivia os dias esperando. Enrolava o seu cigarro de palha, varria o chão, limpava, jogava terra e escarafunchava os seus sentimentos. Morrido não tinha, senão ele teria visto. Doença? Mudança? Ele pouco descia até a cidade. O que precisava tinha por perto.
Semanas. Meses. Até que em outro sepultamento, lá estava ela. De luto. Chorosa pelo marido morto. Everson não entendeu. Abriram o caixão. Ele olhou o morto. Vestia terno cinza. Teve medo depois. Os olhos estavam lá, cerrados, mas estavam lá. Arrependeu-se. Com o chapéu e a pá esperou as despedidas. Pensou consigo mesmo. Não entendeu. Jogou terra e se foi.
No dia seguinte ela voltou. Trouxe umas flores e um maço de velas. Pediu fogo e falou da rudeza do defunto. Do ano triste de um novo casamento infeliz. Era violento também. Que bom que morreu.
Everson ouviu. Ela deu um beijo de despedida e dessa vez um abraço. Everson riu.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

‘Valorização pelo Mérito é lamentável’ diz Gabriel Chalita








Juliana Franco

“A Valorização pelo Mérito é lamentável”. Essa é a opinião do ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo e atual vereador da Capital, Gabriel Chalita (PSB) sobre o programa de incentivo por mérito para professores, lançado pelo governo do Estado. A proposta foi aprovada no dia 21, pela Assembléia Legislativa e prevê reajuste de 25% para docentes da rede estadual de São Paulo que tiverem melhor desempenho em avaliação, aplicada anualmente. A mudança salarial ou promoção também será determinada pela análise da vida funcional do profissional, que avaliará a assiduidade e o tempo de permanência na escola.



“O ponto central de uma avaliação deve ser o aluno. A iniciativa vai estimatizar o professor. Se o docente precisa ser avaliado para receber aumento, por que não avaliar os engenheiros, os médicos ou os políticos do Estado para receber aumento?”, questiona. “Não sou contra formar professor ou avaliar, muito pelo contrário. Acho que o processo avaliativo sempre é bom, mas o ponto central deve ser o aluno. Não acho que o professor que tirar dez na prova é o que tem melhor desempenho dentro da sala de aula. Esses critérios são obsoletos em termos educacionais, mas são mostrados como inovação”, acrescenta.



Segundo Chalita, a realidade brasileira é complexa e a heterogeneidade dentro da sala de aula é gritante. “O professor não tem que decorar teorias pedagógicas. Tem que saber dar aula e se relacionar com seus alunos”, afirma.


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PENSAMENTOS