"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O desafio turco

Quanto mais cautelosa tiver sido a reação dos países árabes — reunidos ontem no Cairo — diante da postura de Recep Erdogan em seu confronto com Israel, mais consequente ela promete ser. Como disse o primeiro-ministro turco, antes de embarcar na segunda-feira para o Cairo, Israel não atua só com crueldade na Faixa de Gaza, mas também com a irresponsabilidade de criança mimada.
Só faltou dizer quem mima a criança, mas não seria necessário. Durante muito tempo, o acalanto a Israel foi quase natural: o Ocidente guardava uma mauvaise conscience pelo antissemitismo histórico, agravado pelo massacre executado pelos nazistas nos campos de extermínio.

Hoje, essa amabilidade com o Estado de Israel passou a ser incentivo a uma guerra que pode ampliar-se para além do Mediterrâneo. Erdogan é conciso, ao dizer que Israel não percebeu que o mundo mudou, e que cabe a Tel Aviv encontrar uma forma de conviver bem com seus vizinhos e com o resto da Humanidade.
A Turquia é uma nação chave na geopolítica do Mediterrâneo. É um país muçulmano e europeu e se define como laico. Erdogan não é árabe. Ele acha conveniente que todos os países do Oriente Médio também se identifiquem como estados laicos, o que favoreceria o entendimento mundial. Em razão de sua atitude, começa a crescer como necessária liderança no Oriente Médio. Ele tem razão, ao declarar que, em maio do ano passado, o governo de Tel Aviv violou as regras internacionais, ao atacar um barco desarmado, de bandeira turca, em águas de livre navegação, com ajuda humanitária a um povo sitiado e constantemente agredido. No ataque, morreram nove cidadãos turcos.
Falando do Cairo, o nosso embaixador no Egito, Cesário de Melo Antonio, foi ao ponto: começa a concertar-se uma tríplice aliança contra o governo de ultradireita de Israel, composta da Turquia, do Egito e do Irã. Ele, que foi embaixador em Teerã e em Ancara, antes de ser removido para o Cairo, conhece o ânimo dos três povos, mais do que o ânimo dos governos.
Poderia ter citado a Síria, mas não o fez. E não se pode esquecer o poder militar e político do Hizbollah no Líbano. Se espicharmos o horizonte histórico um pouco além de nossa visão, alcançaremos o momento em que, livres da presença militar norte-americana, o Iraque, o Afeganistão e, possivelmente, o Paquistão, irão somar-se à poderosa coalizão anti-Israel na região.
Erdogan anunciou que irá patrulhar o Mediterrâneo, a fim de garantir a livre navegação no grande mar interior. A Rússia mantém uma base naval em porto sírio, o de Tartus, e isso explica por que a Otan — de que a Turquia faz parte, é bom registrar — ainda é reticente em atender ao desejo francês de intervenção contra Assad. Esse jogo estratégico coincide com o esperado reconhecimento, pela ONU, e ainda este mês, do Estado Palestino, dentro das fronteiras anteriores a 1967.
O Brasil, pelo que sabemos, não está ausente das preocupações com o Mediterrâneo. É interessante notar que, em 11 de setembro, o chanceler brasileiro Antonio Patriota se encontrava em Istambul e, ali, condenava o excesso de poder militar no mundo. A presidente Dilma Rousseff visitará a Turquia no mês que vem.

Israel se encontra diante da grande oportunidade de negociar sua sobrevivência com os países árabes e com o mundo. Isso reclamará a difícil renúncia à presunção de superioridade — que anima parte de seu Exército, de seus intelectuais e políticos — e a disposição de conviver em paz com os palestinos. Os Estados Unidos, que o protegem com seu poder bélico e econômico, se encontram em situação difícil.
O New York Times, em sua edição de domingo, publicou importante artigo do príncipe saudita Turki A-Faiçal, ex-embaixador nos Estados Unidos, ex-chefe dos serviços de segurança de seu país e conhecido estudioso dos problemas muçulmanos. Al-Faiçal deu a seu texto o título forte: Veto a State, lose an ally. Se os Estados Unidos usarem o poder de veto ao reconhecimento do Estado da Palestina, correrão o risco de perder o seu maior aliado no Oriente Médio: a Arábia Saudita, e, provavelmente, com ela, o único suprimento confiável de petróleo da região.
Os analistas de política internacional não percebem que, não obstante a força diplomática e militar de Washington, há um ponto que une todos os muçulmanos, além de outros povos: o apoio aos palestinos. As relações mais ou menos normais entre Israel e alguns países muçulmanos foram determinadas pela conjuntura histórica, que os fizeram ocasionalmente aliados dos Estados Unidos, mas essa situação está mudando, e rapidamente.
Israel venceu as guerras contra os árabes em certo momento histórico. Enfrentou adversários que haviam saído debilitados da guerra, sem ajuda estrangeira e sem exércitos próprios bem armados e adestrados. Hoje, a Turquia, por si só, tem poder bélico muito superior ao de Israel, embora tenha a bomba atômica, e poder equilibrado na aviação militar. Na Marinha de Guerra é acachapante a superioridade turca, bem como no número de combatentes. A Turquia tem uma população dez vezes superior à de Israel.
Ninguém quer a guerra, mas os que desdenham a paz talvez pensem que sua invencibilidade é eterna. Não é o que vimos no Vietnã e, ao que tudo indica, veremos no Iraque e no Afeganistão.
Os Estados Unidos anunciaram que vetarão o reconhecimento do Estado Palestino. Ao que parece, não levam em conta a advertência de Faiçal. O fato é que, com o veto, se não recuarem dessa decisão anunciada, não perderão apenas a Arábia Saudita – mas o pouco que lhes resta do respeito do mundo.
E para completar o quadro, quando fechávamos ontem este artigo, alvos norte-americanos, da Otan e do governo títere afegão, se encontravam sob o continuado ataque dos combatentes talibãs.






Mauro Santayana, do Jornal do Brasil

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Farsa

Maurício Dias, Carta Capital

José Serra pegou carona na situação da Líbia para espalhar, no Twitter, o terror político contra os adversários. Lula é o alvo. Foi transformado em amigo de Kaddafi, um ditador chamado outrora de “O louco de Trípoli”.
O reingresso de Serra no cenário, após a derrota eleitoral de 2010, tem sido um desastre. Teve um artigo e uma entrevista criticados, surpreendentemente, pelos seus próprios aliados. O ex-candidato tucano parece ter olvidado sua cálida recepção ao vice de Kaddafi, Ashamikh, quando governador de São Paulo.
Em 2009, entretanto, no governo de São Paulo, Serra recebeu amistosamente, como era devido, o vice-primeiro-ministro da Líbia. Imbarek Ashamikh anunciou a disposição do governo Kaddafi de investir no Brasil muitos milhões de dólares.
Esta é apenas mais uma prova de que Serra se desnorteou desde que, em campanha eleitoral no Rio, recebeu uma pancada na cabeça proveniente do impacto de uma bolinha de papel. A consequência percebe-se agora: a vítima sofreu traumatismo moral.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cresce violência no centro do Cairo; feridos já passam de 600

Desafiando o toque de recolher e os pedidos do governo para que deixem as ruas e voltem para suas casas, críticos e defensores do ditador egípcio, Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, continuam a protagonizar violentos confrontos no centro do Cairo.
Às 22h20 locais (18h20 de Brasília), a rede de TV americana CNN mostra imagens do caos ao vivo da praça Tahrir, indicando que coquetéis molotov são atirados de janelas de prédios vizinhos e tiros de metralhadora são ouvidos. O governo aumentou o número oficial de feridos para 611. Ao menos uma pessoa também morreu nos distúrbios somente nesta quarta-feira.
Imagens aéreas da CNN dão uma amostra da gravidade da situação no local. Dezenas de manifestantes correm assustados, um tanque do Exército tenta dispersar a multidão e explosões de coquetéis molotov são vistas repetidamente.
Tiros de metralhadora foram disparados ao ar momentaneamente, mas não houve feridos, aparentemente.
Informações oficiais sobre o saldo de mortos durante os nove dias de confrontos têm sido escassas e mesmo os números informados por emissoras de TV e agências de notícias são desecontrados. A Reuters indica ao menos 138 mortos até o momento.

VICE
Mais cedo, o vice-presidente egípcio Omar Suleiman disse à agência estatal Mena que os manifestantes deveriam voltar para casa.
"Os participantes nesses protestos transmitiram suas mensagens, tanto aqueles exigindo reformas como aqueles que saíram em apoio ao presidente Hosni Mubarak", disse.
Logo depois ele reforçou seu pedido a "todos os cidadãos que voltem para suas casas e respeitem o toque de recolher para aumentar os esforços das autoridades para restaurar a calma e a estabilidade, e limitar as perdas que os protestos já causaram ao Egito desde a semana passada".
Anteriormente o ministro da Saúde do Egito, Ahmed Farid, confirmou à TV estatal egípcia que os confrontos entre os manifestantes que protestam contra o ditador egípcio Hosni Mubarak e seus defensores já deixaram 611 feridos, acrescentando que até o momento não há ferimentos a bala.
Mais cedo fontes oficiais tinham indicado que mais de 400 pessoas já tinham sido feridas. O único morto confirmado até o momento seria um soldaso que caiu de uma ponte, indica o governo.

PROTESTOS
Manifestantes pró e antigoverno no Egito se enfrentaram nesta quarta-feira na praça Tahrir, epicentro dos protestos pela queda do ditador Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. O enviado especial da Folha ao Cairo, Samy Adghirni, estava no local e relata como aconteceram os confrontos.
Um grupo de milhares de partidários de Mubarak invadiu mais cedo a praça Tahrir, onde há nove dias manifestantes contrários ao regime acampam e protestam por sua renúncia imediata. Portando paus e chicotes, eles entraram com cavalos e dromedários na praça localizada no centro do Cairo.
Manifestantes pró-governo (abaixo) enfrentam os egícpios anti-Mubarak na praça Tahrir, no centro do Cairo
Os manifestantes antigoverno afirmam que alguns dos simpatizantes de Mubarak eram policiais à paisana, em uma estratégia para acabar com os protestos --que levaram o ditador a anunciar, na véspera, que não concorrerá nas eleições de setembro.

"O PND (Partido Nacional Democrata) pró-Mubarak e a polícia secreta vestida à paisana invadiram a praça para acabar com o protesto", afirmou o manifestante Mohammed Zomor, 63.
Não há sinal, contudo, de intervenção do Exército para conter o conflito. Mais cedo, um porta-voz das Forças Armadas pediu aos manifestantes que encerrassem os protestos, já que as demandas foram ouvidas, e permitissem que o país voltasse à normalidade.
Imagens da televisão Al Jazeera mostraram manifestantes pró e contra o governo atirando objetos uns contra os outros. Alguns carregavam porretes. Já as imagens da rede americana CNN mostram partidários de Mubarak atacando os manifestantes com cassetetes e pedaços de pau, montados sobre dromedários e cavalos.
As agências de notícias citam dezenas de feridos sendo removidos do local, alguns com sangue escorrendo da cabeça. Mas não há nenhum saldo oficial de vítimas.

RESISTÊNCIA
Mais cedo, as agências já falavam que o Exército teve que intervir nos confrontos entre cerca de 20 apoiadores de Mubarak de mil manifestantes antigoverno em Tahrir.
Cerca de 1.500 manifestantes passaram a noite na praça Tahrir, no centro do Cairo, no nono dia consecutivo de protestos pela queda do ditador egípcio. A praça, cujo nome significa Libertação, foi o epicentro dos protestos que levaram Mubarak a mudar membros do seu gabinete e se comprometer a não concorrer mais à reeleição.
Os manifestantes exigem a renúncia de Mubarak, dizendo "Não sairemos, ele sairá". O grito ecoava na praça que se tornou epicentro dos protestos e que reuniu ao menos 200 mil nesta terça-feira pelo fim do regime ditatorial na nação árabe.
Muitos dos manifestantes desta quarta-feira estavam acampados em tendas ou abrigados embaixo de cobertores, determinados a só deixarem o local após a queda de Mubarak. Faixas de cerca de 20 metros de largura afirmam em vários cantos da praça "O povo exige a queda do regime", em inglês, ou "Vá embora", em árabe.
FORÇAS ARMADAS
Antes dos confrontos em Tahrir, as Forças Armadas do Egito reduziram nesta quarta-feira o toque de recolher em três horas e pediram para que os manifestantes encerrem os protestos.
As medidas, além da retomada da internet após cinco dias, parecem um esforço do governo para retomar aos poucos a normalidade no país, horas depois de um pouco convincente discurso de Mubarak na TV estatal prometendo não concorrer novamente.
O toque de recolher será imposto agora das 17h às 7h (13h às 3h em Brasília), em vez das 15h às 8h (11h às 4h).

Ele foi imposto na sexta-feira passada (28), dia de violentos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança em todo país, mas foi violado sistematicamente por centenas de manifestantes que dormem há dias na praça Tahrir, no centro de Cairo, epicentro da revolta popular.
Em comunicado lido na TV, o porta-voz das Forças Armadas pediu ainda nesta quarta-feira o fim dos protestos. "É possível que vivamos uma vida normal, é possível para os netos dos faraós e os construtores das pirâmides superar as dificuldades e conquistar segurança", disse.
"Sua mensagem chegou, suas demandas foram conhecidas, vocês são capazes de trazer a vida normal ao Egito", completou.
O Exército tem um papel crucial na crise política no Egito. Diferentemente da polícia e das forças antidistúrbios, os militares recebem confiança dos manifestantes --que veem neles uma força menos violenta e menos submissa a Mubarak.
Os egípcios dizem que os militares não atacariam com violência os manifestantes, já que muitos têm parentes e amigos entre os que protestam pelo fim do regime.
A Irmandade Muçulmana, mais organizado grupo de oposição, afirmou recentemente querer negociar com o Exército, 'o único no qual as pessoas confiam', para chegar a um acordo sobre a transferência de poder de forma pacífica.
Em outro gesto aparentemente conciliador do governo, a internet voltou a funcionar nesta quarta-feira no Egito. Essencial para articular os protestos, o serviço estava bloqueado desde a última sexta-feira (28), quando os manifestantes opositores ocuparam a praça Tahrir.


by Folhaonline



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Alckmin fará auditorias em contratos do governo Serra

 O governador Geraldo Alckmin auditará todos os contratos de terceirização de serviços herdados da gestão de José Serra (PSDB).
Os alckmistas dizem que não é revanche, mas a determinação de Alckmin repete pacote anunciado por Serra em 2007 que abriu crise entre "serristas" e "alckmistas".

Alckmin bloqueia R$ 1,5 bilhão do Orçamento paulista

Na primeira semana de governo, Serra apresentou medidas de austeridade fiscal, que incluíam desde a revisão de contratos até pente fino no funcionalismo. Alckmin havia deixado o governo em 2006 e se sentiu exposto.

Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

Governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), realizou ontem primeira reunião com os novos secretáriados do governo
Nessa gestão, o pente-fino nos contratos e repasses a entidades sociais será feito pelo secretário de Gestão Pública, Julio Semeghini (PSDB-SP).
Só os serviços terceirizados que serão auditados somam R$ 4,1 bilhões em gastos, sendo R$ 2,8 bilhões na administração direta e R$ 1,3 bilhões na indireta.
Todo o trabalho de Semeghini será orientado pelo consultor de gestão Vicente Falconi, do INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial). Falconi orientou o chamado "choque de gestão" feito pelo senador eleito Aécio Neves em Minas, quando governador do Estado.

AÉCIO

No governo Aécio, a ação tinha como foco a "melhoria da eficiência" com enxugamento de gastos e estruturas.
Na manhã de ontem, em entrevista coletiva após a primeira reunião oficial com o secretariado, Alckmin disse que se encontraria com Falconi na quarta-feira.
"Vamos ver onde se pode fazer um ajuste fino, para melhorar a aplicação dos recursos", disse ele.
Entre as tarefas de Falconi está o cruzamento de dados para chegar aos valores unitários de serviços prestados por cada pasta. Esse levantamento irá para a internet.

CORTES

Além da revisão de repasses e contratos, Alckmin determinou ontem na reunião com o secretariado que, em até 15 dias, um plano para corte de 10% nos gastos com custeio em todas as pastas seja apresentado.
Como exemplo de áreas que poderiam ser enxugadas, Alckmin listou contratos de locação de imóveis e automóveis, além de gastos com combustível. Só com aluguel de imóveis para estruturas o governo paulista gasta R$ 130 milhões por ano.

Após a reunião com os secretários, Alckmin concedeu entrevista coletiva.

O governador não detalhou nenhuma dessas ações de enxugamento de gastos. Anunciou, no entanto, o contingênciamento de R$ 1,5 bilhão no orçamento do Estado, que é de R$ 140 bilhões.

À imprensa, o tucano disse apenas que havia um "esforço" para identificar o que "poderia ser reduzido".

Questionado se o "esforço" poderia implicar em redução de cargos comissionados, disse que está "sempre procurando fazer mais e melhor com menos dinheiro".

Preconceito

O provincianismo é uma das anomalias das sociedades em estágio civilizatório atrasado. E a expressão mais eloqüente do provincianismo é a cultura da fofoca e da maledicência em relação à vida alheia, um costume patético de se fiscalizar assuntos privados do outro como se pertencessem ao domínio público.
Além do que, há a questão do machismo, da coisificação da mulher. Delas, dissecam-lhes o comportamento ao primeiro olhar, dando decretos sobre moral com base nas roupas que vestem, nos sorrisos que dão, na idade ou em qualquer particularidade daqueles – ou daquelas – com quem se relacionam sexual e afetivamente.
Vejam só o caso da esposa de Michel Temer. As insinuações da mídia sobre a diferença de idade e sobre a beleza da jovem Marcela em relação ao septuagenário jurista de São Paulo pertencem ao provincianismo mais babaca, ao machismo mais patético e, em certos casos, à inveja mais transbordante.

Por definição, nesta sociedade babaca em que vivemos, se um septuagenário se casa com uma jovem de vinte e tantos anos, ela, por certo, estará interessada em seu dinheiro ou em sua projeção social, mesmo que tenha dado à luz o filho de um homem que consigo se casou formalmente e com quem mantém uma relação estável.

Agora mesmo, há um bando de militantes de oposição que trata de espalhar maledicência sobre a relação de Temer com a sua esposa com base nessa crença idiota de que uma bela jovem não pode se apaixonar por um homem bem mais velho, pois, certamente, tratar-se-á de uma caça-dotes, de uma aproveitadora, mesmo que seja de família até mais rica do que o esposo.

Antes de tudo, há uma incompreensão da alma feminina. É estupidamente alta a parcela de mulheres que se sente atraída por homens mais velhos. Legitimamente. Ora, Temer é um cara boa-pinta, um “coroa conservado”, um jurista eminente. Nada a espantar, portanto, se Marcela dele se tiver enamorado.

Infelizmente, como se criou um estereótipo para as mulheres de que têm que ser jovens e esguias, o que exclui a grande maioria delas, são menos comuns os relacionamentos de mulheres maduras com homens jovens. Nesse caso, se um homem jovem está ao lado de uma mulher madura, aí acontece o mesmo que na proporção inversa de gêneros: o homem quer o dinheiro da mulher.
Sim, com homens e com mulheres maduros acontece de se relacionarem com oportunistas mais jovens. Mas não é porque acontece que se pode dar decretos sobre ser assim qualquer relacionamento entre homens e mulheres de faixas etárias distantes entre si.
Do contrário, qualquer homem ou qualquer mulher que se interessar por alguém bem mais jovem ou bem mais maduro sentir-se-á constrangido mesmo que ambos estejam perdidamente apaixonados.
Agora eu pergunto: é impossível que uma mulher bela e jovem se apaixone por um homem maduro, porém em forma física e no auge do desenvolvimento intelectual e do sucesso? Sim, porque, pelos maledicentes a serviço da oposição – mesmo que esta não os estimule, pois alguns tentam agradá-la fazendo o que acham que ela quer que façam –, seria impossível.

Essa polícia oficiosa dos costumes é uma praga de sociedades provincianas que um país em franco desenvolvimento econômico e social como o nosso precisa enterrar bem fundo, pois é vergonhosa e oriunda de gente que não resistiria às devassas que faz da vida alheia, mas se arvora em juiz e júri da intimidade do outro.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Jovens pregam assassinato de Dilma no Twitter

Escrevo com o coração partido. Avisado pela leitora Leila Farkas, fui a um blog chamado Curso Básico de Jornalismo Manipulativo e dei de cara com o inferno. Os autores do blog denunciam dezenas de jovens que no último sábado faziam incitação ao assassinato de Dilma Rousseff durante a posse.
A exemplo dos criminosos que pregaram assassinato de nordestinos sob a liderança da garota chamada Mayara Petruso, essas dezenas e dezenas de jovens não fazem a menor idéia do crime que cometeram.
Enquanto não colocarem um bom número desses degenerados na cadeia, continuaremos vendo acontecer casos como o dos filhinhos de papai que espancaram homossexuais na avenida paulista. Desta maneira, reproduzo os perfis dos criminosos na esperança de que alguma autoridade tome providência.
Horrorizem-se, abaixo, com essa geração degenerada, vítima de pais degenerados que estão povoando os estratos mais altos da pirâmide social com dementes capazes de qualquer coisa e, claro, com a obra de José Serra e de sua mídia, que instigaram ódio na sociedade.

A seguir alguns exemplos: Lamentável





by Eduardo Guimarães

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

É pra isso que serve a liberdade de imprensa???



Essa fala histriônica do jornalista Luiz Carlos Prates se presta a uma discussão rica: quais os limites da liberdade de expressão?
Ou não existe limite?

Prates está fazendo a apologia de uma ditadura.

Não vou discutir a embalagem estridente e manca. Em sua saudação ao general Figueiredo ele mistura tratamentos como alguém que não domina o idioma. Figueiredo é primeiro tu (que morreste pobre) e em seguida é você (que nos ensinou).

Fale com simplicidade, ou agredirá o português como Prates.

Mas a questão é a essência.

Tudo bem louvar ditadura?

A liberdade de expressão, em algumas partes do mundo, tem sido objeto de discussões interessantes. A permissiva Suécia, por exemplo, decidiu que não se pode mais veicular e distribuir conteúdo com imagens reais de crianças quando se trata de pedofilia. Filmes e fotos para pedófilos, para ser mais claro. Isso era permitido na Suécia até há pouco, em nome da liberdade de expressão. Os pedófilos agora têm que se contentar com animações.

No Reino Unido, exaltar o terror islâmico é o bastante para levar alguém para a cadeia. Você não precisa fazer nada de concreto além de elogiar o chamado martírio – a morte pela causa do Islã. Experimente, também nos Estados Unidos, publicar um blog que apóie Bin Laden. Tente depois se explicar com aquela citadíssima fala: defendo até a morte o direito de você dizer uma coisa da qual discordo.

A ausência de limites na Alemanha de Weimar permitiu a Hitler publicar Mein Keimpf, um livro em que ele prometia fazer o que mais tarde, no poder, efetivamente faria: exterminar fisicamente os judeus.

Louvar a ditadura, como faz Prates: pode?

Para lembrar. Uma ditadura não se instala sem a ruptura da legalidade e a morte e prisão de muitas pessoas. Foi o que aconteceu em 1964 no Brasil.

Essa fala histérica é imprestável sob todos os aspectos, exceto pela oportunidade de discutir a liberdade de expressão.

by Paulo Nogueira




















A "nata" da estupidez humana



O problema do Brasil não é a pobreza. São os pobres


É o que você aprende com a dupla Debi e Lóide. Debi, num programa de televisão, disse que os miseráveis são culpados pelas mortes nas estradas. Quer dizer, metade culpados. A outra metade da culpa é do governo espúrio que deu condições para os miseráveis comprarem um carro.

Carro é para nós, os ricos, para Debi.

Segundo Debi, o miserável motorizado vai para a estrada se distrair porque não suporta a mulher e nem ele a ela. E depois de bater é observado por desgraçados que gostam de ver cadáveres mesmo quando para isso têm que atravessar uma estrada congestionada.

Debi é comentarista da RBS em Santa Catarina.

Debi diz que o miserável compra o carro antes de ler um livro. Hmmm. Ainda bem para quem gosta de livro. Já pensou como ficariam as livrarias com pobres interessados em comprar livros?

Lóide gosta de voar. Mas os aeroportos hoje têm pobres demais, e ele não gosta disso, como escreveu num artigo na Folha de S. Paulo. Não conhecia Lóide. Vi um pouco dele no Google. Pobre Locke, pobre Hume, tão citados por ele para defender o indefensável – o nexo de seus textos.

Debi e Lóide simbolizam a direita brasileira destes dias, na qual têm a companhia de gente como Jabor, Merval Pereira, Reinaldo de Azevedo, Ali Kamel e William Waack.

Na campanha eleitoral, um artigo memorável de Merval culpava os pobres por não serem capazes de entender a gravidade das denúncias contra o governo. Não que as denúncias pudessem ser inconsistentes, não que as explicações pudessem ser incompreensíveis ou nada persuasivas. Não. Os pobres é que não conseguiram apreender o tamanho do drama.

A solução do Brasil não é acabar com a pobreza, para a nova direita da dupla Debi e Lóide e amigos de fé.

É simplesmente acabar com os pobres.



by Paulo Nogueira

sábado, 6 de novembro de 2010

Gabriel Chalita para Ministério da Educação

 Gabriel Chalita disputa Ministério da Educação com Gastão



Já é dado como certo em Brasília que o Ministério da Educação não deva mais ficar com PT. O atual ministro, Fernando Haddad, vai deixar o cargo em janeiro e, na disputa pela vaga, além de Gastão Vieira (PMDB) – como noticiado aqui quinta-feira (4) – está o educador Gabriel Chalita (PSB).


Gabriel Chalita é educador e escritor

Ex-secretário de Educação de São Paulo, Chalita é vereador, mas foi recém-eleito deputado federal pelo estado de São Paulo. Ele foi o campeão de votos do PSB em todo o país entres os deputados federais, com mais de 560 mil votos.



Depois da divulgação de que Gastão será o indicado da governadora Roseana Sarney (PMDB) para a pasta, fontes do blog entraram em contato para informar que, ainda ontem, em reunião da executiva nacional do PSB na capital federal, Chalita foi apontado dentro da legenda como possível nome para a Educação.



Começa a esquentar a briga.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DENUNCIE A XENOFOBIA

PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA

Clique no link abaixo e denuncie:

http://ccr2.pgr.mpf.gov.br/formulario/denuncia/index.htm

Vergonha nacional...

Xenofobia no Twitter contra nordestinos

A Lei nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989, em seu artigo 1º (com a redação determinada pela Lei nº 9.459, de 13 de março de 1997), diz que "Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". Portanto, claramente, os delitos tipificados por esta lei englobam a conduta de segregar estrangeiros, que vem a ser delito inafiançável e imprescritível (Constituição da República, artigo 5º, inciso XLII).




sábado, 23 de outubro de 2010

As religiões e as políticas

(Tempo e Presença – outubro de 2010)

Em períodos eleitorais, além dos programas dos diferentes candidatos apresentando suas idéias e futuras ações, nosso país se vê às voltas com a problemática das crenças religiosas misturadas às posturas éticas e políticas dos candidatos e dos eleitores. Poucas pessoas fazem uma análise na qual a atenção às propostas políticas dos candidatos seja submetida ao bem comum e às condições reais de possibilidade histórica de suas propostas. Igualmente, poucos conseguem distinguir aquilo que tem a ver com suas escolhas pessoais de vida e as grandes linhas políticas necessárias a um país e, por conseguinte a um Estado multicultural e multireligioso como o nosso. Misturam-se os diferentes planos e predomina uma Babel onde cada um grita mais alto e ninguém se entende.

Escrevo sobre religiões e políticas apoiada não apenas na leitura de algumas publicações de jornais que representam as classes ricas detentoras do capital e da escuta dos discursos de alguns candidatos, mas também a partir de conversas com moradores de alguns bairros populares, todos eleitores.

Sabemos que em geral, para os ricos, as escolhas políticas têm a ver com a manutenção de seus interesses individuais. Para os pobres têm a ver com os benefícios que as políticas atuais lhes proporcionaram. Mas, de ambos os lados, é preciso não esquecer da emoção ou da relação pessoal com o candidato ou com o amigo do candidato ou com o pastor ou o padre ou o patrão que parecem orientar muitas das escolhas. Nesse nível a visão política parece reduzir-se a uma dimensão muito pequena e, muitas vezes, é a partir dela que fazemos julgamentos, escolhemos e tomamos posições algumas vezes acertadas, mas também muitas vezes equivocadas.

Impressionou-me nas últimas eleições de outubro a atuação de alguns grupos religiosos que foram e estão sendo capazes de espalhar confusão, fanatismo e insegurança em muitos eleitores. Aparecendo ao público como conhecedores da vontade de Deus e seus defensores ferrenhos atrevem-se a manipular a razão e a emoção popular em favor de seus próprios candidatos a diferentes cargos políticos. Fazendo apelo à vontade de Deus ou à Bíblia ou aos princípios cristãos de respeito à vida criaram uma espécie de superestrutura acima das decisões que cabem unicamente a cada indivíduo. Reduzem “a vida” a um conceito limitado as suas próprias posições. É como se pretendessem conhecer à vontade de Deus, do mistério que envolve e atravessa nossas vidas e se tornassem os guias de uma multidão de cegos. Aliás, eles adoram que o povo continue cego e dependente para que seu poder continue imperando.

Infelizmente ainda vivemos em estruturas culturais hierárquicas e antidemocráticas que atribuem ao clero das mais diferentes procedências um saber e um poder acima do comum dos mortais. Crêem-se representantes e enviados de Deus para orientar e decidir no lugar do povo. E, às vezes, de forma escandalosa, usam desse poder para manipular as consciências e indiretamente espalhar mentiras e ódio entre as pessoas. É hora de acordarmos para nossa condição comum de mortais! É hora de não só falar em democracia para os outros, mas de vivê-la nas instituições da religião! É hora de sair do obscurantismo e ser capaz de pensar a vida de forma mais abrangente.

O que está em questão para muitos não é a moralidade política em sentido amplo ou a justiça nas instituições sociais e políticas, mas questões que têm a ver com o foro interno das pessoas. Argumentos como: “essa candidata é muito religiosa” ou “essa parece que não crê em Deus” ou essa “é a favor da dignidade da família” ou “essa é a favor das uniões homossexuais e do aborto” ou “esse é um fervoroso cristão” ou “esse é 100% Jesus” parecem ter determinado o comportamento eleitoral de um bom número de pessoas. Digo bem, comportamento eleitoral, visto que a maioria das pessoas de nosso país, e neles sublinho o voto das camadas mais abastadas, está longe de assumir um comportamento político. Comportamento político é aquele a partir do qual estamos sendo continuamente educados a discutir o bem da polis, o bem da cidade, o bem do país, o bem dos mais necessitados, muitas vezes, para além de nossos interesses individuais ou grupais. Há uma confusão bastante grande entre uma dimensão de ética individual e a ética da cidade no sentido amplo das instituições públicas. Por exemplo, posso pessoalmente não ser a favor do casamento homossexual, ou do aborto, ou da liberação das drogas ou de outras tantas coisas que discutimos no dia a dia de nossa vida. Minha postura pode até ser justificada por princípios religiosos, mas não posso legislar a cidade a partir de minhas crenças religiosas cristãs individuais, sobretudo num país multireligioso que se afirma leigo por Constituição.

A cidade ou o país são maiores do que minhas crenças e minhas decisões pessoais, muito embora eu não abra mão delas. Aliás, este é um direito que me assiste, mas esse direito deve ser o direito de todas as pessoas nas suas diferentes situações e pertenças. Posso, por exemplo, por minha crença religiosa achar necessário me privar de carne de porco, mas não posso estabelecer como regra geral que todas as pessoas devam fazer o mesmo. Posso não trabalhar no sábado ou no domingo por convicção religiosa, mas não posso obrigar todas as pessoas que o façam. As leis religiosas não são leis do Estado, mas as Leis do Estado são para todos, visto que tocam a convivência geral de todos os grupos do país.

A cidade ou o país são sempre maiores porque neles se incluem pessoas diversas, ideologias e crenças plurais, assim como instituições de diferentes correntes políticas ou religiosas. Por isso, não posso impor ao todo as referências de minhas crenças privadas por melhores que sejam para mim, para minha família ou para minha comunidade. Não posso usá-las para fazer pressão eleitoral e política. Da mesma forma, o todo não pode impor que eu faça aquilo que violenta minhas convicções. Por exemplo, posso por convicção não querer o casamento homossexual ou a descriminalização e legalização do aborto. Ninguém pode me obrigar a assumi-los como conduta pessoal. Mas igualmente, não posso fazer uma campanha em nome de minha fé para que se aprove uma legislação apenas concorde com minhas convicções religiosas. É fundamental acolher a existência de problemas sociais ou problemas de saúde pública que independem diretamente das crenças religiosas. E diante desses problemas cabe ao Estado legislar em vista do bem da população. As instituições religiosas não podem impedir que o Estado cumpra suas obrigações em relação às pessoas que têm problemas diferentes dos meus. Não podem usar as crenças religiosas como caminhos válidos para todos os cidadãos e cidadãs e manipular as pessoas usando o nome de Deus. Esse é o grande equivoco que se nota em muitos grupos religiosos e particularmente em seus representantes. Com má fé ou ingenuidade doentia confundem o pessoal com o coletivo, misturam o foro interno com a orientação ética coletiva, mesclam sua religião pessoal com os interesses dos cidadãos de todo o país. E mais, muitas vezes colocam as convicções religiosas como formas acríticas e ahistóricas de vida e até impossibilitam qualquer diálogo à luz de uma hermenêutica histórica que leve em conta a complexidade de cada contexto e situação. É como se essas convicções existissem num mundo para além do nosso e que fossem ditadas por seu Deus de forma completamente ahistórica para todos e para sempre.

Viver num país e num Estado democrático e plural significa ter políticas e leis que favoreçam ao conjunto das cidadãs e dos cidadãos. E dentre elas, leis que garantem a convivência do conjunto. Por isso, mais uma vez, posso não aderir a algumas leis por convicções pessoais, mas, não posso negar o direito e o dever do Estado de promulgá-las em vista do bem comum.

Sem dúvida, as distinções são mais fáceis no plano teórico do que na prática cotidiana. Mas, o fato é que não estamos sendo educados através das diferentes instituições que criamos e dos meios de comunicação social a distinguir os diferentes níveis de nossas vivências, de nossas crenças e de nossas ideologias políticas ou religiosas. Reduzimos o mundo à nossa maneira de ver como se fôssemos os donos de uma verdade que deveria ser a mesma para todos. Manipulamos informações, mentimos, excluímos pessoas, desrespeitamos as leis sempre a favor de interesses dos grupos dominantes ou de nosso grupo.

O tempo em que o Cristianismo, através de seu modelo hierárquico imperial se confundia com os impérios desse mundo já faz parte do passado, muito embora ainda muitos busquem a continuidade desse modelo. Cada vez mais as instituições da religião não podem impor-se à consciência dos indivíduos e nem forçar o Estado a legislar a partir de posturas anacrônicas para os dias de hoje. Esta postura não é negação das religiões, mas o reconhecimento de seu novo lugar social num mundo plural.

Nesse sentido é urgente que as diferentes religiões e particularmente igrejas cristãs assumam a responsabilidade social de nosso tempo, ou seja, a responsabilidade de não repetir modelos de ingerência religiosa no Estado ou na vida dos fiéis sob a alegação de que seus funcionários são munidos de um saber acima do comum dos fiéis. Da mesma forma como um Estado democrático não pode interferir nas crenças e nas práticas religiosas de nenhuma instituição enquanto estas não estiverem violando a vida de seus membros, da mesma forma as igrejas ou as instituições religiosas não podem reduzir o Estado à suas próprias convicções.

Nessa linha também os políticos, os candidatos e os chefes de Estado não devem ceder aos pretensos donos da religião motivados pelo medo de perder votos ou perder prestígio político. Devem sim discutir com veemência e reafirmar a divisão e autonomia de poderes presentes num Estado laico. Esta é a responsabilidade dos governantes e dos legisladores. Fugir dela é trair o pluralismo do tecido social e desrespeitar os limites que se impõe a uma convivência social sadia que leva em conta as diferenças e é afirmada por nossa Carta Magna.

Do ponto de vista da tradição cristã não podemos esquecer que Jesus já pressentia essa poderosa tentação clerical no meio de seus discípulos e por isso insistia para que fossem servidores uns dos outros e para que não reproduzissem os mesmos modelos de competição e disputa que se verificam entre os poderosos desse mundo. Não apenas isso, Jesus intuía a importância de deixar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Numa interpretação contemporânea dessa tradição poderíamos dizer que César é o Estado, são os governos que devem governar em vista do bem de todos os cidadãos e cidadãs, e independentemente de suas crenças religiosas. O que é de Deus é nossa intimidade, nossa consciência pessoal, nossas crenças, nossas formas de culto, nossa diversidade respeitada, nossa necessidade de consolo, o cultivo das práticas de amor e ajuda mútua...

Cada um de nós tem de certa forma sua própria divindade e pode se equivocar identificando-a verdade que se quer impor para toda a coletividade. Cada um pode pensar que seu jeito de viver deve ser o jeito de todos. Estamos sempre sujeitos à tentação de Narciso olhando-se nas águas claras e apaixonando-se pelo reflexo de sua beleza. Analogicamente algumas instituições da religião crêem ter o melhor saber sobre os valores humanos e acabam afogando os fiéis nos dogmatismos narcisistas excludentes e destruidores da comum dignidade humana.

Há que vigiar para não cair na tentação da prepotência ou dos que sempre estão prontos a atirar a primeira pedra naquelas e naqueles que vivem de forma diferente da sua.

Políticas e religiões são nossa criação em vista de nosso bem, do bem da coletividade humana e das diversas formas de vida que conosco partilham do mesmo sopro vital. Por isso não podem ser absolutos e nem podem escravizar-nos a elas. O vento da liberdade sopra onde quer e ninguém pode ser seu proprietário exclusivo.



Ivone Gebara

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O que a bolinha de papel revelou sobre o Serra…

Antes de qualquer questionamento: sou contra todas as formas de violência ou de agressão. Por isso mesmo, concordo com a deputada Manuela (PCdoB-RS) ao dizer que não é responsável o líder que diante de uma situação de conflito não busque acalmar os ânimos e, pelo contrário, opte por acirrá-los.


A bem da verdade, ao não ter o povo ao seu lado, Serra está construindo uma atmosfera de ódio. E isto não faz bem para a campanha. E isto não faz bem para o Brasil.


Certa vez li uma frase: quando um livro bate na cabeça de uma pessoa, nem sempre o som de oco vem do livro. No caso do Serra, a percepção que a gente tem, olhando a matéria do SBT, é que a encenação ridícula mostrou algumas verdades:


- Serra não é bom de cabeça!


- POr ter cabeça oca, a bolinha bateu e quico. Nem ela quis ficar perto dele!


- Serra tem reflexos retardados – demorou mais de 15 min para sentir!


- Observando as imagens, veremos que a bolinha atingiu a cabeça do Serra em um local e depois ele passa a mão em outro local.


Assim… imaginemos Serra sendo torturado. Ele contaria tudo. Entregaria tudo – como FHC está prometendo entregar.


Olhando as imagens do Serra, sou obrigado a concluir:


FHC tem razão ao dizer que Serra é desmiolado.


Cá entre nós: eu quero meu papel presidido por alguém que não tenha frescuras e nem chiliques. Eu quero na presidência alguém que tenha a dignidade de não se expor (e expor o país e nem os seus habitantes ao ridículo) atuando como um palhaço de quinta categoria.






Portanto, observem o circo: Serra e a bolinha de papel





Qual o limite do ridículo para Serra?


Antes de mais nada, convenhamos – não é tolerável que num clima de ânimos acirrados, os ‘nossos’ venham a cair na esparrela de aceitar a provocação de um bando de imbecis como os tucanos. Aceitar a provocação é se igualar a eles.

Sou totalmente contrário a atos de hostilidade física – o que não quer dizer que já não tenha dados os tapas e bofetões em adversários, como também não vou levar ter ficado com a orelha quente algumas vezes.

Há, no entanto, dois aspectos que merecem a minha atenção:

1 – Serra foi disseminando um rastro de ódio e preconceito – contra negros, contra nordestinos, contra as mulheres, contra os mineiros, contra os movimentos sociais, contra os movimentos culturais, etc – que fica difícil entender de onde ele buscaria ‘governabilidade cívica’. Isto é: poder ir às ruas. Não se defrontará com esta realidade porque não tem votos. Mas como eu não confio em urnas eletrônicas, vou continuar com as minhas barbas de molho.

2 – É preciso ter cuidado com tais atos porque a parcela majoritária da mídia comprometida até o talo com o Serra, esta tratará de mostrar o ato como uma demonstração de radicalização.

Palhaço ou político?

Diante de tantas evidências, de tantos desmascaramentos, de tantas mentiras deslavadas, eu me pergunto – entre triste e envergonhado: qual o limite do ridículo para Serra e os seus?

Este povo da direita está doente. Perdeu a noção do ridículo. Estão se portando feito palhaços – sem terem a dignidade da arte deles. Ontem aquela figura deplorável do Sérgio Guerra dizendo que o Vox Populi era um instituto de merda – pode ter usado outras palavras, mas foi isto que ele quis dizer – e hoje vem o Ibope, e não apenas confirma os números, como os sedimenta ainda mais.

Eu sempre disse e repito: voto na Dilma e meu único medo está nas urnas eletrônicas. Eu não confio nelas. Melhor: confio tanto nelas quanto confio na capacidade jurídica do Gilmar Mendes. Mesmo em vantagem nas pesquisas, o que conta é voto na urna. Ou seja: o Serra até pode ganhar, mesmo sem votos para tanto.

Mas mesmo eu votando na Dilma (e no Agnelo), creio ser muito ruim para a democracia e para a classe política iobservar o comportamento de figuras como Serra e sua trouppe de insanos, como um bando que vaga…

Deste modo, capto do Twitter algumas mensagens que considero lapidares, e que mostram como o povo reagiu à palhaçada da ‘agressão’ que o ainda candidato Serra recebeu e que para a OAB (outra instituição que já não tem mais sentido de existir, pois é apenas um cartório a defender o corporativismo dos advogados sem nenhum compromisso com o povo, com a sociedade) chega a se configurar num atentado à democracia.:
DrRosinha Goleiro chileno Roberto Rojas foi banido do futebol pela Fifa. Serra será banido da política pelos brasileiros #SerraRojas

tudoencima Falei que o Serra vendeu a alma pro diabo dividiu as igrejas infernizou os mata mosquitos e armou um bolinha de papel com a Globo e folha

psycoloko RT ai pra gente: Serra, de papel nao pode… e bolinha do nariz pode???? http://migre.me/1FzKI

rafaelpss Depois do que aconteceu com Serra, guerrinhas com bolinhas de papel na sala de aula serão considerados crime hediondo.

 

stadoanarquista Serra fez tomografia depois de ser atingido por bola de papel. Mas médicos declaram que não houve inserção de ideias, era papel higiênico…

passelivredf Ao levar uma bolinha de papel na cabeça, Serra tem o argumento básico para dizer que esqueceu todas as mentiras que já disse na campanha.

cury_roger Serra promete: Ministério da Seguraça servirá pra não deixar bolinhas de papel bolivianas chegarem ao Brasil. #serrarojas

gustavoschirmer Jogar bolinha de papel no candidato é molecagem, mas pretextar agressão por isso é coisa de canalha. #agressãonão

ProtogenesQ No SBT mostra a imagem de uma bolinha de papel. A dor que ele está sentindo é de consciência. Viva Dilma a nossa Presidente!!!

profbetobraga Era uma cabeça muito engraçada/não tinha cabelo não tinha nada…. depoimento da bolinha de papel.
AprendiNaGLOBO Jogar durex no Serra é crime contra a democracia. Descer o cacete em professor é lindo e super democrático. #agressãonão #serrahipócrita

sidnei Será que meu plano de saúde cobre violencia com bolinhas de papel? Se nao, vou cancelar.

HelenLima13 RT: #agrassaonao Nunca antes na história desse país uma bolinha de papel foi responsável por uma tomografia.

ladoerre Porra, Serra! Então quer dizer que era só uma bolinha de papel?! Tu é um almofadinha mermo, bixo!!!

Ro_anna Por favor absolvam a fita crepe, a bolinha de papel merece ser presa,Bierhals Se o Serra faz tomografia por uma bola de papel, que dirá levando pau da ditadura. Entregava até mãe.

lolaescreva #serrarojas Próx capa da Playboy: #bolinhadepapel deixa candidato tonto! Toda a sensualidade da bolinha em fotos de JRDuran.

Resolvi fazer um adendo com novas pérolas…
Alice_Alvarez boa noite a todos e a todas, e por favor guardem as bolinhas de papel! vamos jogar bexiguinha com agua benta!

josezunga Serra alvejado pel o IBOPE e leva 11 po ntos na cabea… http://twitpic.com/2zdes3
linealoka Como pode alguém achar mais “jornalístico” uma bolinha d papel do q milhões d telefonemas anônimos contra uma candidatura? #jn #agressaonao

CintiaBarenho RT : Dilma teve câncer, fez quimio e anda o Brasil td trabalhando. Serra leva 1 bola d papel n cabeça e dá chilique. #serrameerra

malupr O objeto não identificado que atingiu Serra, deve ter sido algum pedaço da nave-mãe querendo levar ele de volta pro planeta de origem…

midiacrucis típico efeito de um retardado RT : O Serra é tão retardado q só sentiu os “efeitos” da bolinha 20 min depois.

opetista BOLETIM MÉDICO URGENTE Após ser atingido por #bolinhadepapel, Moral de #serrarojas entra em coma.

Pe_Celso Jogar durex no Serra é crime contra a democracia. Descer o cacete em professor é lindo e super democrático. #agressãonão #serrameerra

felipe_liberal Um homem que diz ficar tonto e quase desmaia por causa de uma #bolinhadepapel está preparado pra governar o Brasil?










PENSAMENTOS