"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)

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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Novos canais virtuais


A partir de agora, os internautas poderão participar ainda mais ativamente do mandato do vereador Gabriel Chalita, opinar e contribuir com sugestões no Blog do Chalita, no endereço http://bloggabrielchalita.blogspot.com
Ao completar 100 dias de mandato na Câmara Municipal de São Paulo, Gabriel Chalita retribui a confiança dos 102.048 eleitores e divulga as principais atividades realizadas por meio do Blog e do informativo digital, lançado hoje.
Entre os projetos apresentados por Chalita, destacam-se o PL 069/2009 que trata do combate ao Bullying nas escolas públicas e o PL 00164/2009 que regulamenta convênio com instituições públicas e privadas de ensino superior para aumento da oferta de creches.
Como presidente da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, Cidadania, Segurança Pública e Relações Internacionais, Gabriel Chalita conheceu de perto a situação dos moradores de rua, durante caminhada realizada no Centro de São Paulo, além de promover debates com a sociedade sobre temas importantes como a abertura dos arquivos da ditadura militar.
Na comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa, uma das mais importantes da Câmara Municipal, Gabriel Chalita participou das discussões sobre o Novo Plano Diretor da cidade e foi o responsável pelo parecer que determinou a legalidade do projeto de concessão urbanística do município, bem como a conseqüente autorização para o Executivo aplicá-la nas áreas do Projeto Nova Luz, revitalizando mais uma área importante da cidade.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Psicopedagogos nas Escolas

Gabriel Chalita indicou, por meio da Câmara Municipal, ao prefeito Gilberto Kassab a criação do cargo de psicopedagogos nas escolas da rede pública para prestar assistência aos casos de bullying.

A indicação, na forma regimental, prevê a criação do cargo de psicopedagogos dentro do quadro de servidores da educação, visando assistência psicopedagógica aos alunos, professores e funcionários, principalmente quando envolvidos em situações de bullying escolar.

Aumento de vagas nas creches


O vereador Gabriel Chalita apresentou o Projeto de Lei 00164/2009 que autoriza o Poder Executivo, por intermédio da Secretaria Municipal de Educação, a celebrar convênio com as instituições públicas e privadas de ensino superior que ofereçam curso de graduação em Pedagogia, autorizados e reconhecidos pelo MEC, com a finalidade de ampliar o atendimento em creches.O projeto está na pauta de votação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara Municipal de São Paulo.

O Projeto visa aumentar a oferta de creches no município de São Paulo para atender, prioritariamente, crianças de zero a três anos que residam nas áreas de alta vulnerabilidade social.

O parto


Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade.
Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê.
Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço único.
Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento.
Invadi a sala de parto com a câmera ao ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme.
Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram os meus orgulhos. Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro.
Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato.

O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho.

Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu urologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e minha mulher gritando: Ah! Doutor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!
Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema: Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora...

Alcancei um sapato no chão e joguei na maldita.

Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma
cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.

Luiz Fernando Veríssimo

domingo, 10 de maio de 2009

Pêra, Uva, Maçã ou Salada Mista?


Não sei se tem acontecido em outras capitais brasileiras, mas um fenômeno que se tornou comum no Rio de Janeiro, sobretudo no último ano, vem chamando a atenção de muita gente, positiva e negativamente.
A proliferação de mulheres frutas, legumes e afins tomou tamanha proporção que não poderíamos deixar passar em branco. Afinal, tais mulheres chamam a atenção muito mais por seus atributos físicos do que por seu ‘intelecto marcante’. E, cá entre nós, muitas dessas moças possuem formas tão exuberantes que seria impossível não notá-las.
Melancia, Melão, Moranguinho, Maçã, Samambaia, e a mais nova sensação do momento, a Mulher Caviar. Me pego pensando na criatividade dos ‘agentes’ para batizar as beldades, principalmente no caso desta última. Por que caviar? De duas uma: ou é amargo e difícil de engolir, ou então só rico pode comer (eu apostaria todos os meus 25 centavos disponíveis no momento nesta segunda opção).
O que me deixa pasmo é que essas meninas, sem nenhum atributo especial além da beleza física, são elevadas à categoria de celebridades, sendo convidadas para programas de televisão, perseguidas por fotógrafos, integrando pauta de programas de fofocas. Mais ainda, os jornais mais populares da Cidade Maravilhosa mantêm colunas especiais só para falar dessas personagens.
Mais triste ainda é o fato dessas moças estarem diretamente ligadas ao cenário musical carioca. Muitas delas começam como dançarinas, e sem nenhum talento vocal especial são ‘pinçadas’ pela indústria fonográfica, dado à atenção que chamam, principalmente do público masculino.
Tudo bem que, na maioria das vezes elas estão ligadas somente ao funk e que, na opinião deste que lhes escreve, não deveria sequer ser considerado música, mas o espaço que tem sido dado a elas é, no mínimo, exagerado.
É de se indignar que o cenário artístico-cultural que produziu Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Cartola, Noel Rosa e tantos outros esteja hoje refém de um traseiro ambulante que remexe na “Velocidade Seis”.
É claro que essa exploração das formas físicas femininas não é novidade, e nem é exclusividade carioca. Dançarinas de Axé na Bahia, de Forró no Ceará, de Frevo no Recife, de Calipso no Pará e em tantas outras partes do país mostram seus corpos seminus há muitos anos, com o claro intuito de atrair público para bandas de talento musical às vezes duvidoso. Ao menos, estas ainda não se meteram a cantar.
Por sorte, parece que a Região Sul ainda não foi afetada por esse strip-tease gratuito. Talvez devamos isso à condição climática desta região, o que torna mais difícil tais aparições públicas em trajes sumários.
Não há dúvidas de que tais fenômenos só persistem porque ainda existe quem os compra. Isso é triste, já que mostra a qualidade cultura da maioria do nosso povo. E é essa a imagem do nosso país que ainda é vendida no exterior. Não por acaso, ainda somos o principal destino dos interessados em turismo sexual ao redor do mundo.
E antes que alguém teça algum comentário mais áspero, faça o seguinte teste: entre em uma comunidade carente do Rio de Janeiro (ou de qualquer outra capital brasileira) e ofereça a um indivíduo a opção de escolher entre assistir a uma peça teatral baseada na obra de Sheakspeare ou a um show da Gaiola das Poposudas. Garanto que nove entre dez pessoas escolherão a segunda opção.
Infelizmente, essa é uma realidade que está longe de mudar. E enquanto a mídia der espaço para a apelação sexual dessa maneira, continuaremos distantes de um fim diferente.
Nas palavras de Roger, do Ultraje a Rigor, “esse nosso lance anda complicado, é baixaria, dor de corno e bunda pra todo lado...”.


Fraternais Abraços.


Porthus.

sábado, 9 de maio de 2009

Novo livro de Gabriel Chalita & Pe.Fabio de Melo


O professor Gabriel Chalita e o padre Fábio de Melo lançam o livro "Cartas entre amigos - sobre medos contemporâneos", em Curitiba, no Paraná, no dia 12 de maio. A sessão de autógrafos será realizada na Livraria Curitiba Shopping Estação, a partir das 19 horas. No dia 13/05, o lançamento será realizado em São Paulo, com palestra e noite de autógrafos na Livraria Cultura. No dia seguinte, 14/05, os autores realizam palestra de lançamento no Rio de Janeiro, na Academia Brasileira de Letras. O livro, editado pela Ediouro em formato de cartas, aborda a diversidade e complexidade das relações humanas e busca na filosofia o princípio da resposta para as angústias atuais, através de uma profunda reflexão sobre o homem contemporâneo e seus medos - da morte, da solidão, do fracasso, da inveja, do envelhecimento, das paixões, da falta de sentido da vida. Chalita e Fábio de Melo resgatam valores do humanismo e ao mesmo tempo celebram sua amizade. Como apregoava Aristóteles, "a amizade verdadeira é a excelência moral perfeita". O filósofo grego creditava à amizade as razões para entender que ninguém é feliz sozinho. Agenda de Lançamentos: Dia 12/05 às 19h Livraria Curitiba Shopping Estação Av. Sete de Setembro, 2.775 Centro - Curitiba Dia 13/05 das 19h às 21h30 Livraria Cultura Av. Paulista, 2.073 Conjunto Nacional - São Paulo Dia 14/05 às 17h30min Academia Brasileira de Letras Av. Presidente Wilson, 208 Castelo - Rio de Janeiro

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Professor terá de fazer curso e 2 provas para ser contratado em SP

FÁBIO TAKAHASHI

O governo de São Paulo anunciou que os candidatos a professor efetivo na rede estadual terão que passar por duas provas, ambas eliminatórias, e um curso de qualificação de quatro meses. Hoje, a seleção de efetivos é feita apenas em uma prova, o concurso público.

A nova regra deverá ser aplicada na seleção de setembro para o preenchimento de 10 mil vagas. O novo formato precisa ser aprovado pela Assembleia, onde o governo tem maioria.

O governador José Serra (PSDB) afirma que, com o curso, pretende melhorar a qualidade dos professores que entram na rede. "É um reforço para o corpo docente. Traslada do futuro para o presente os cursos de aperfeiçoamento."

A proposta é fazer uma seleção inicial no concurso público e encaminhar os aprovados para o curso de qualificação. Ao final dos quatro meses, os candidatos passarão por novo exame, também eliminatório.

A educação é uma das áreas mais criticadas da gestão tucana. Segundo a própria avaliação estadual, mais de 80% dos alunos da oitava série não têm o conhecimento esperado para seu estágio. Serra, cotado para ser candidato na eleição presidencial em 2010, já mudou duas vezes o titular da área.

O Estado pretende abrir concursos para diminuir o número de professores temporários (80 mil), que representam 40% da rede. Os temporários não passaram por seleção e são apontados como uma das causas da má qualidade de ensino.

Em setembro serão preenchidos 10 mil cargos. Outras 50 mil vagas deverão ser criadas e preenchidas posteriormente.
Base
O curso proposto pelo governo usará as ferramentas já existentes de cursos de aperfeiçoamento do Estado. Parte da carga (360 horas) será à distância.

"Os cursos de pedagogia são muito teóricos. Na Escola de Formação [nome do programa], vamos focar mais a prática dentro da sala de aula", disse o secretário Paulo Renato Souza.
"É uma medida estranha. Se já faz o concurso, para que outra prova? Não se confia no concurso?", questiona o coordenador da pós-graduação em educação da USP, Romualdo Portela. "Mas é razoável que haja um treinamento."

Para o vice-presidente do Conselho Estadual de Educação, João Cardoso Palma Filho, a medida é positiva. "O concurso cobra muita teoria. O curso pode oferecer a parte prática."
"O problema é como dar treinamento a milhares de professores ao mesmo tempo. Iniciativa semelhante já existe, por exemplo, na Escola da Magistratura [do Tribunal de Justiça], mas com poucos candidatos", disse Palma Filho. "O curso de professores não deverá trazer impacto grande na qualidade, mas é um começo."

Os professores que participarem do programa ganharão uma bolsa de 75% do salário inicial do docente (que varia de acordo com a jornada).
Prova de temporários

O governo anunciou também que repetirá a prova para seleção de temporários. Para este ano, a pasta tentou fazer o exame, mas foi barrada pela Justiça, que entendeu que os temporários já faziam parte da rede e não podiam ser excluídos.
Agora, o governo decidiu que os temporários que ficarem abaixo da nota mínima não poderão dar aulas, mas ficarão em atividades auxiliares. Eles terão a jornada mínima da rede (12 horas semanais). A medida vale para o ano que vem. O exame terá de ser anual.

Serra vai criar escola de formação de professores em São Paulo

GILBERTO DIMENSTEIN


Diante das seguidas más notícias sobre qualidade de ensino, o governo José Serra vai anunciar nesta terça-feira a criação de uma escola de formação de professores, obrigatória para os novos professores da rede pública. Serão 360 horas de formação durante quatro meses com atividades em classe e práticas escolares.
Um projeto de lei enviado à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) vai estabelecer que o ingresso de professores, diretores e supervisores na rede pública estadual vai exigir, além do concurso público, a aprovação no curso de formação. Durante o curso, os candidatos a professor receberão 70% do salário inicial da categoria.
A Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo ocupará o Edifício André Franco Montoro, na rua João Ramalho, região de Perdizes (zona oeste de São Paulo), e vai utilizar também a estrutura da Rede do Saber de ensino a distância, combinada com atividades presenciais e práticas de sala de aula. Serão feitas parcerias com universidades públicas e aproveitadas as experiências de várias ONGs que atuam no apoio à educação pública.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A pior notícia de Serra - GD

O aumento da criminalidade em São Paulo --e, especialmente o recorde do número de roubos e maior incidência de latrocínios-- é a pior notícia de toda a gestão do governo Serra.
A notícia é muito pior do que os indigentes indicadores revelados, há duas semanas, das escolas estaduais, que não demonstraram evolução, mas também não pioraram.
Não só parou de cair, mas como subiu a taxa de homicídios, depois de uma queda desde 1999.
O governo explica que uma das razões pode ser a crise econômica, que aumentou o desemprego. Até agora, porém, a explicação oficial para a redução da violência era a eficiência policial --o que eu sempre questionei, por ver que existiam também ações comunidade, influências demográficas e ampliação da escolaridade.
Nesse momento em que a curva muda, o problema, na visão do governo estadual, é mais externo do que interno. Pode, em parte, ser verdade. Mas não cola.
Se não mudar rapidamente esses números, Serra deixará o governo, arranhando uma das maiores conquistas sociais não só de São Paulo, mas também do Brasil --a redução da violência. E será não por uma questão econômica, mas de gestão.

O estupro e a excomunhão - GD


Não sou religioso --e, ainda por cima, sou judeu. Talvez não seja o indivíduo mais recomendado para comentar a decisão da Igreja Católica de excomungar a mãe da menina de nove anos em Pernambuco e os médicos que fizeram o aborto --a menina, de 9 anos, estava grávida do padrasto. A excomunhão me parece um segundo estupro.
Apesar de discordar, posso entender que a Igreja condene o aborto. Até, fazendo força, entendo que condenem um padre, parlamentar do PT, que defendeu o uso da camisinha. São posições arcaicas e, na minha visão, prejudiciais à saúde pública, mas se inserem em princípios.
O que não consigo entender é por que estão humilhando e fazendo sofrer ainda mais a mãe da menina grávida, já condenada a um drama familiar --um sofrimento que se estende para a garota, que fica como filha de uma excomungada. Quem conhece a religiosidade do interior do Nordeste sabe o peso disso.
Faltou aí não só bom senso, mas humanidade. Duvido que essa seja a opinião da maioria dos católicos.

Ronaldo e o rapper ex-assaltante - GD


O jogador Ronaldo e o rapper Afro-X têm idades semelhantes, são negros, pobres, viveram em locais infestados pelo crime e cometeram muitos erros por não saber lidar com o sucesso.
O jogador ficou milionário. O cantor ganhou muito dinheiro e perdeu tudo, além de ter passado sete anos na cadeia e mais sete em liberdade condicional. A diferença é que, nesta semana, um deles dá um péssimo exemplo educacional --e o outro um ótimo exemplo.
Afro-X está lançando um livro em que conta suas agruras para tentar mostrar aos jovens o que acontece com quem entra no caminho do crime (trechos do livro estão no
www.catracalivre.com.br). Ele viu como se costuma respeitar a delinquência entre crianças e jovens mais pobres. Não vai ganhar quase nada com esse trabalho. "Quero ser um educador", propõe.
Ronaldo, que não precisa de dinheiro, e sabe (ou deveria saber) o que significa o perigo do álcool, especialmente nas comunidades pobres, está usando sua imagem de "guerreiro" e ídolo para convencer as pessoas a beber mais. Justo agora que ele aparece como alguém que sabe dar a volta por cima --a mensagem por trás disso é que os guerreiros, os fortes, podem e devem beber. É, portanto, um deseducador.
Não vi nenhuma gravidade nas trapalhadas sexuais de Ronaldo --afinal, ele faz o que quiser com sua vida e ninguém tem nada com isso. Grave mesmo é ele usar seu prestígio entre as crianças e jovens para estimular o consumo do álcool.
Seria bom que ele aprendesse alguma coisa com os exemplos de Afro-X.

Kassab, o inferninho e a música clássica


Um incêndio destruiu uma das cenas que mais me intrigavam na cidade de São Paulo. Distintos senhores e senhoras, vestidos com requinte e sobriedade, saindo de concertos de música erudita, se misturavam na rua com a exuberância colorida dos vestidos, justíssimos e escassos, de mulheres de programas. A sala de concertos do Cultura Artística, dizimada pelas chamas, era separada apenas por uma parede do Quilt, um dos mais famosos inferninhos da cidade, movido ao " bate-estaca" da música eletrônica --no final de semana passada, um grupo de 60 fotógrafos fez um ensaio sobre a praça Roosevelt, no qual aparecem
as imagens do inferninho.
Ali vai se desenhar um embate capaz de medir até onde uma cidade consegue se revitalizar, usando a cultura como alavanca. Está ganhando corpo um movimento, apoiado pelo prefeito Gilberto Kassab, para fazer dali o espaço de entrada para a Cultura Artística, que ficaria em frente a uma nova praça Roosevelt, uma área revitalizada pelos teatros. A ideia é que a praça seja uma extensão de todos os teatros.
Nenhum lugar é, hoje, tão efervescente na cidade de São Paulo do que o chamado Baixo Augusta, do qual a praça Roosevelt faz parte. É um lugar que mostra como a população muda o significado de uma cidade, dando vida ao que parecia irremediavelmente morto. O que está aqui é muito mais do que uma questão provinciana --mas o símbolo da capacidade de fazer com que a educação e cultura moldem uma comunidade.
Por enquanto, porém, está tudo no papel. Inclusive a tão esperada reforma da praça. O inferninho está onde sempre esteve, vai muito bem, obrigado, com seus fiéis clientes --e o quem ardeu nas chamas foi o requinte da música erudita.

Governo vai criar um vale-desperdício? - Gilberto Dimenstein


Leio na
coluna da Mônica Bergamo que deve chegar a R$ 800 milhões o tamanho da renúncia fiscal do vale-cultura --é o modelo do ticket refeição, fornecido pelas empresas, mas agora usado para que os empregados tenham mais acesso a cinema, teatro, shows, exposições, concertos. Quem pode, afinal, ser contra essa ideia tão simpática e civilizada?
Venho participando de uma experiência que me faz suspeitar que esse vale-cultura pode ser mais um daqueles desperdícios brasileiros, movidos à boa intenção.
Um grupo de jornalistas recém-formados, outros ainda na faculdade, decidiu montar um guia cultural e educativo (
www.catracalivre.com.br) com as atividades gratuitas ou a preços populares da cidade de São Paulo. Eles passam o dia garimpando essas atividades não só nas áreas centrais, mas nas periferias --ou até lugares não convencionais como um bar que promove sarau ou um cinema numa laje ou num beco. São tantas as opções que, muitas dias, é como se a cidade tivesse uma espécie de Virada Cultural.
Por causa disso, comecei a prestar a atenção ao fato de que eventos de ótima qualidade em museus, teatros, salas de concertos, não atraem muita gente --e muitas vezes apenas pela falta de informação. Escolas e faculdades ao lado de museus ou centros culturais, por falta de informação, não estimulam seus alunos a ir aos eventos, apesar de gratuitos.
Meu receio, portanto, é que, com esses R$ 800 milhões se estimule, com dinheiro público, acesso à cultura exclusivamente comercial.
Se é para gastar esse dinheiro, seria melhor usado se facilitasse o transporte e monitoria para as pessoas visitarem o que já existe e é pouco usado. Sei de muitos professores frustrados porque não têm como levar seus alunos a uma exposição.

Mistério no campus da USP - Gilberto Dimenstein

Há um mistério no campus da USP --e, por esse mistério, se vê como é difícil melhorar a educação pública, mesmo nas situações mais favoráveis.
Seria óbvio que a Escola de Aplicação da Faculdade de Educação, encravada no campus, cercada de tantos e tão magníficos recursos, tivesse um desempenho brilhante se comparada aos demais colégios da rede estadual. Ainda mais porque boa parte dos alunos daquela escola são filhos de funcionários e de professores.
Pinçando os números dos IDESP, notei que eles estão, no ensino médio, em 10º lugar numa lista apenas da cidade de São Paulo --volto a repetir, apenas da cidade.
O mistério se agrava porque não é um problema novo. Já escrevi sobre o péssimo exemplo que era uma faculdade de educação da mais renomada universidade do país gerenciar uma escola pública que não fosse uma das melhores do Brasil, mesmo comparadas com as privadas. Mesmo entre as públicas, não é a melhor nem no Estado nem na cidade --e nem na sua região dentro da cidade, onde é superada por colégios que não têm a chance de escolher seus alunos.
Por que, diante da repercussão das notícias em anos anteriores, não conseguiram fazer um esforço concentrado? Por que não envolveram outras faculdades dos campus? Por que não encontraram meios de transformar os laboratórios da USP em extensão de suas salas? Por que não envolveram voluntários entre os universitários?
Se na USP, que é USP, é assim, imaginem como estão as faculdades de educação no Brasil --e como o caminho para um bom ensino público é mais árduo do que se imagina.
Curioso é que acadêmicos daquela faculdade são chamados, pela mídia, para fazer críticas sobre a educação. Por que não começam a mudar a escola que gerenciam e que deveria servir de um laboratório para o resto do país? Ou, no mínimo, para seu bairro.
Como se vê no IDESP, lugares com muito menos recursos foram muito mais longe.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Abertura de arquivos da ditadura


Gabriel Chalita, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, presidiu sessão solene na Câmara dos Vereadores para instalação da subcomissão de Direitos Humanos para Abertura dos Arquivos da Ditadura.
O objetivo da instalação da subcomissão que será presidida pelo vereador Ítalo Cardoso (PT) é acompanhar e exigir a abertura dos arquivos da ditadura para esclarecer os crimes escondidos nos cemitérios municipais de São Paulo. "Os jovens precisam conhecer a história recente do País. Não queremos nos vingar, mas é preciso dar publicidade aos fatos para que isso nunca mais aconteça", destacou Chalita.
A ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), presente à solenidade realizada na noite de segunda-feira, 27 de abril, se comprometeu a entregar à subcomissão de Direitos Humanos arquivos e gravações relativas à CPI da Vala de Perus, realizada pela Câmara Municipal de São Paulo, em 1990. Na ocasião, 1.049 corpos foram descobertos no cemitério municipal de Perus a partir de reportagem do jornalista Caco Barcelos.
Estiveram presentes à solenidade familiares dos desaparecidos políticos e representantes de entidades de defesa dos direitos humanos, entre os quais Criméia Alice Schmidt de Almeida, da Comissão de Familiares de Presos Políticos, Maria Amélia Teles e Suzana Lisboa. Participaram também os vereadores Gabriel Chalita (PSDB), Jamil Murad (PCdoB)e João Antônio (PT); ex-vereadora Tereza Lajolo, deputado estadual Rui Falcão (PT); o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, José Renato Nalini; Claudio de Lima, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo; e Eugênia Augusta Fávero, procuradora do Ministério Público Federal.

Homenagem aos Educadores


"O conceito de respeito, de democracia, tudo vem da Educação", destacou o vereador Gabriel Chalita em discurso no Plenário da Câmara Municipal de São Paulo, na terça-feira, dia 28 de abril, dia da Educação.

O professor Chalita homenageou o ex-secretário e educador Paulo Freire ao ler o poema a Escola, de autoria de Freire:

A Escola é...
O lugar onde se faz amigos
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos
Escola é, sobretudo, gente,
Gente que trabalha, que estuda,
Que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente, o professor é gente
O aluno é gente,
Cada funcionário é gente
E a escola será cada vez melhor
Na medida em que cada um
Se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gene por todos os lados".
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Que não tem amizade a ninguém
Nada de ser como o tijolo que forma a parede,
Indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
É também criar laços de a amizade,
É criar ambiente de camaradagem,
É conviver, é se "amarrar nela"!
Ora, é lógico...
Numa escola assim vai ser fácil
Estudar, trabalhar, crescer,
Fazer amigos, educar-se,
Ser feliz.

domingo, 26 de abril de 2009

Curso de oratória


Gabriel Chalita realizou neste sábado, dia 25 de abril, curso de oratória para estudantes e professores da Universidade UNINOVE - Unidade Vila Maria.


O professor destacou a importância da apresentação pessoal e da expressividade para conquistar e manter o interesse do interlocutor.Durante o curso, Chalita deu lições de empatia e bom humor, demonstrando, na prática, o poder de uma boa oratória.


Chalita discorreu sobre a filosofia da linguagem e processo de comunicação humana; comentou acerca da origem da oratória, na Grécia; ensinou técnicas de apresentação em público; além de ressaltar a importância das linguagens verbal e não verbal.


Poesia e música foram utilizados como instrumentos de comunicação e, ao final, os professores participaram de dinâmicas, nas quais puseram em prática o aprendizado adquirido durante o curso, que teve duração de um dia.


"O ser humano é curioso por natureza. A boa oratória é a que consegue usar essa curiosidade inata para prender a atenção da platéia", conclui Chalita.

O declínio da TV Cultura no governo Serra





Lendas urbanas – ou nem tanto – atribuem a José Serra um comportamento pouco ortodoxo em relação à imprensa. De concreto, sabe-se que ele simplesmente não suporta perguntas difíceis. Quando esbarra em uma, olha nos olhos do perguntador, faz cara de paisagem e vira o rosto. É a senha para que algum segurança se apresente para afastar o incômodo. Entre os assessores o clima é de permanente mistério e as atividades do governador são comunicadas em cima da hora. Serra não fala em off, em on e não permite que existam interlocutores confiáveis. Em suma, faz de tudo para não ser contrariado.



Por Pedro Venceslau, na revista Fórum



Desde que foi eleito governador, esse modus operandi parece ter contaminado a TV Cultura. Inviolável reduto tucano há 14 anos, desde a eleição de Mário Covas, a emissora está sentindo na pele o estilo Serra. A inesperada dispensa de Luis Nassif, a saída de Lillian Witte Fibe do Roda Viva, a demissão em massa no jornalismo e o fim de vários programas analíticos compõem um retrato em alta definição da atual fase do canal.



Vinte dias antes de ser informado sobre a não-renovação de seu contrato, Luis Nassif, entusiasmado, acertava os detalhes finais de seu novo programa. Mas nesse ínterim resolveu criticar a Sabesp e, de quebra, a controversa escolha da bancada que sabatinou Gilmar Mendes no Roda Viva. Um post em seu blogue foi a gota d’água. “Não existe governança na TV Cultura hoje”, desabafa. Prestes a estrear na TV Brasil, ele revela que a mão forte do governador nunca pesou tanto na rotina da emissora. “Isso sem falar na encheção de saco quando não cobríamos algum evento do governo”, conta.



Nos corredores e na coxia dos estúdios, comenta-se que a língua solta e ferina de Heródoto Barbeiro também incomoda – e muito – o governador. “Serra acha o Heródoto petista. Então pressionou tanto que tiraram ele do ar e depois devolveram como mero locutor”, diz um ex-jornalista influente da casa. Mas um sinal inequívoco do aparelhamento tucano da Cultura é o seu carro-chefe, o programa de entrevistas Roda Viva. Fórum pediu à assessoria da emissora uma entrevista com Paulo Markun, mas o pedido foi negado pelo jornalista.



“Valdemar Setzer (professor titular da USP) tomou 1h30 do telespectador para dizer que é contra computador para criança. Em ano de eleição (2008) não fizemos uma entrevista política!”, disparou Liliam Witte Fibe ao Estadão logo depois de anunciar que estava deixando o programa. “No Roda Viva, muitas vezes diziam que o convite para alguém sentar na bancada era por pressão do Serra”, acusa Luis Nassif.



Roda Viva à parte, algumas passagens da história recente da Cultura são emblemáticas. Em 2006, o então presidente da emissora, Marcos Mendonça, chegou a convidar Gabriel Chalita, hoje vereador tucano, na época secretário de Estado, para apresentar um talk show. “Me parecia um bom nome para apresentar o programa (Arena de Ideias). Chalita é um comunicador e apresentava os requisitos para o cargo”, disse a este repórter, na época. Felizmente, recuou a tempo.



Markun mãos de tesoura



Quando os funcionários da Cultura souberam que Paulo Markun seria empossado presidente, em meados de 2007, organizaram uma recepção de boas-vindas ao novo chefe. Jornalista de raiz e oriundo do chão de fábrica, ele representava para muitos uma nova era; o fortalecimento do jornalismo, a isenção e o fim da obsessão de colocar a Cultura na rota das TVs comerciais, marca de Marcos Mendonça. Ele iniciou sua carreira ali como repórter de TV em 3 de setembro de 1975, levado por Vladimir Herzog, o Vlado. Assumiu prometendo mudar a forma de relacionamento da emissora com o governo e os espectadores. “Teve gente que chorou”, conta uma funcionária da casa.



A lua-de-mel durou pouco. “Hoje o clima é de decepção total. Ele está acabando com o jornalismo da Cultura. Tirou do ar o Opinião Nacional, o Jornal do Meio-Dia, e ainda acabou com vários programas da área de sustentabilidade”, diz a jornalista Márcia Dutra. Experiente repórter e âncora de TV, ela era uma das principais apresentadoras da casa – esteve à frente do Jornal da Cultura com Heródoto Barbeiro e Celso Zucatelli. Em fevereiro foi surpreendida quando voltou de férias e soube que seu contrato não seria renovado.



“Foi uma traição. No final de novembro, procurei o Pola Galé (diretor de jornalismo) e ele me disse: ‘Pode ficar tranquila, a casa está satisfeita com você’. Então saí de férias e, quando voltei, fiquei sabendo da minha demissão. Na semana anterior a minha, foram 31 dispensas. No total, foram cerca de 60 em 20 dias. E não tem essa de crise. Isso é desculpa para boi dormir”, desabafa. “A engrenagem emperrou”, resume Nassif.



Ponto de vista



É curioso reparar no tratamento que as duas principais emissoras públicas de TV do país, a TV Brasil e a TV Cultura, recebem da chamada grande imprensa. Não é difícil, basta pesquisar na internet. Enquanto a primeira é tratada como um elefante branco do lulo-petismo, ralo de dinheiro público, aparelho de propaganda estatal e chamada de “TV do Lula”, a segunda é vista como uma ilha de excelência, exemplo de gestão em TV pública, oásis de independência. O caso do ex-editorchefe do telejornal Repórter Brasil, Luiz Lobo, que denunciou “censura” do governo Lula no conteúdo é exemplar. Foi direto para o alto de página da política, um escândalo, diferentemente do que ocorre com a emissora paulista.



A atual crise da Cultura é, para muitos, o efeito colateral da gestão Marcos Mendonça. Tucano de alta plumagem, ele assumiu o canal em 2005, por pressão do então governador Geraldo Alckmin. Este, diferentemente de Serra, não monitorava a programação com lupa, mas exigia audiência. E foi imbuído desse espírito que Mendonça abriu a emissora para os comerciais das Casas Bahia e contratou estrelas caras como Silvia Poppovic e Sabrina Parlatore e, em contrapartida, acabou com a orquestra da TV, a Sinfonia Cultura.



José Serra, por sua vez, não via com bons olhos a gestão de Mendonça. O motivo é simples: Mendonça era homem de confiança de Geraldo Alckmin, adversário interno do governador até recentemente, quando aceitou o convite para integrar o secretariado estadual. Em 2005, Alckmin se movimentou intensamente para derrubar Jorge da Cunha da Lima e colocar Mendonça em seu lugar.



Data dessa época o período de crise mais aguda da emissora, era das goteiras e das fitas reutilizadas. Quando, enfim, Mendonça tomou posse, o dinheiro voltou a entrar. De cara, o governador Alckmin liberou R$ 4 milhões que estavam congelados e ajudou a pagar despesas trabalhistas. Uma vez no governo, Serra tratou de limpar terreno. E ainda reclamam da TV Brasil...



Em nome da filha?



O último imbróglio envolvendo a TV Cultura nasceu, quem diria, dentro do ninho tucano. O presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, que também é conselheiro da TV Cultura, enviou, em março, uma irada carta aos seus 46 colegas da Fundação Padre Anchieta desancando a gestão de Paulo Markun. Entre outros torpedos, se disse preocupado com a audiência da emissora, que é “próxima a zero”: “Não há nada de maior nonsense do que falar para auditório vazio ou editar um jornal para um público que não existe”.



Para o tucano, ninguém assiste à Cultura. Logo, não se justifica que a emissora consuma anualmente R$ 200 milhões dos cofres públicos. Para finalizar, Lobo fez ainda um apelo para a profissionalização da emissora. O que pouca gente sabe, porém, é que a publicitária Tatiana Lobo, filha do “alckmista” Lobo, foi demitida por Markun do cargo de diretora de marcas da emissora. Há quem diga que foi retaliação.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Novo livro de Gabriel Chalita & Pe.Fabio de Melo


Um dos livros mais aguardados do ano, traz reflexões sobre temas contemporâneos de grande interesse. O medo da morte, da solidão, do fracasso, da inveja, do envelhecimento, das paixões, da falta de sentido da vida. No formato de cartas entre dois grandes amigos, tais temas são tratados com sensibilidade pelos jovens autores mais celebrados do momento, duas lideranças incontestáveis das novas gerações: Gabriel Chalita e Padre Fábio de Melo. O livro resgata os valores do humanismo ao mesmo tempo que celebra a amizade de duas personalidades apaixonadas por filosofia, literatura e poesia.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Chalita participa de seminário sobre Educação


Gabriel Chalita defendeu o envolvimento do professor nas decisões relativas ao sistema educacional, no Seminário Liderando Mudanças Transformadoras na Educação, realizado em São Paulo. Durante o evento, que contou com a participação de Prefeitos e secretários de municipais de Educação, Chalita observou que a valorização do professor é um instrumento fundamental para a qualidade do ensino.

"O professor deve ser valorizado em três lugares: na cabeça, no bolso e no coração", destacou Chalita, referindo-se à formação continuada do professor e a benefícios que vão além do solário, como a bolsa-mestrado. Chalita lembrou que, durante sua gestão à frente da secretaria de Educação do Estado de São Paulo, os professores participaram da revisão curricular.

A valorização do professor foi apontada também pelos demais especialistas presentes ao evento como o principal catalisador de transformações na Educação. Estudo recente realizado pela consultoria norte-americana McKinsey sobre os 20 melhores sistemas educacionais do mundo chegou a conclusão de que a qualidade dos professores é a alavanca mais importante para melhorar os resultados dos alunos.
Marcos Crus¸ da Mckinsey, destacou que os dez países que melhor se posicionaram no PISA - Programa internacional de conhecimentos e competências de estudantes na faixa de 15 anos de idade - têm "total obsessão em garantir a qualidade da educação". O consultor enfatizou que "a qualidade de um sistema educacional não consegue ser maior que a qualidade dos seus professores". O consultor mostrou dados que revelam que alunos que tiveram no início do processo educacional professores com alta competência se posicionaram entre os 10% de estudantes com melhor desempenho, ao passo que alunos de professores menos competentes terminam entre os 10% de pior desempenho.
Cruz citou o exemplo de Boston nos Estados Unidos que obteve uma melhoria significativa no processo educacional baseado na máxima: se não foi aprendido, não importa se foi ensinado. Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, também defendeu que o aluno tem de ser o centro do sistema educacional.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O CARRINHO - RUBEN ALVES

Ganhei um carrinho de presente. Coloquei-o sobre minha mesa de trabalho. Olho para ele quando escrevo. Ele me faz pensar. Não são todos os objectos que têm esse poder de fazer pensar. A caneta, o agrafador, a lâmpada, a cadeira, objectos à minha volta: eu os uso automaticamente; eles não me fazem pensar.Mas o carrinho é diferente. Bastou que eu o visse a primeira vez para ficar emocionado. Eu o reconheci como morador do mundo das minhas memórias. Ele me fez lembrar e sonhar. Meu pensamento começou a voar. O que eu vejo nele não é nada comparado àquilo que ele me faz imaginar.Sonho. Os teólogos medievais diziam que o sacramento é um sinal visível de uma graça invisível. O carrinho é um sacramento: sinal visível de uma felicidade adormecida, esquecida. Volto ao mundo da minha infância.Uma lata de sardinha.A tampa foi dobrada inteligentemente, e assim se produziu a capota. As rodas foram feitas de uma sandália havaiana que não se prestava mais a ser usada. Os eixos, dois galhinhos de arbusto. E ei-lo pronto! Um carrinho, construído com imaginação e objectos imprestáveis. Fosse um carrinho comprado em loja, e eu nada pensaria.Seria como o meu lápis, o meu grampeador, a minha lâmpada, a minha cadeira. Mas basta olhar para o carrinho para eu ver o menino que o fez, menino que nunca vi, menino que sempre morou em mim. Fico até poeta: faço um hai-kai:uma lata vazia de sardinha,uma sandália havaiana abandonada:um menino guia seu automóvel...Sei que o menino é pobre. Se fosse rico teria pedido ao pai, que lhe teria comprado um brinquedo importado. Dinheiro é um objecto que só dá pensamentos de comprar. A riqueza, com frequência, não faz bem ao pensamento. Mas a pobreza faz sonhar e inventar. Carrinho de pobre tem de ser parido.A professora deve ter notado que ele estava distraído, ausente, olhando o vazio fora da janela. Falou alto para chamar sua atenção. Inutilmente. Ela não percebeu que distracção é atracção por um outro mundo. Se os professores entrassem nos mundos que existem na distracção dos seus alunos eles ensinariam melhor. Tornar-se-iam companheiros de sonho e invenção.Penso que o menino devia andar lá pela favela, olhos atentos, procurando algo, sem saber direito o quê. Até que deram com a lata de sardinha jogada no lixo. Foi um momento de iluminação. A lata de sardinha virou uma outra coisa.O menino virou poeta, entrou no mundo das metáforas: isto é aquilo. Ele disse: «Esta lata de sardinha é o meu carro...» Fez aquilo que um fundador de religiões fez, ao tomar o pão e dizer que o pão era seu corpo. E a lata de sardinha ganhou um outro nome, virou outra coisa. O menino, sem saber, executou uma transformação mágica. Todo ato de criação é magia. O menino dobrou a tampa e se sentou ao volante.Faltavam as rodas. Pensei que muitas vezes me defrontei com problema semelhante, quando menino. Mas na minha infância a solução já estava dada. O leite vinha em garrafas bojudas de boca larga, que eram fechadas com tampas metálicas semelhantes às tampinhas de cervejas, só que muito maiores. Era só pegar as tampas, e o problema estava resolvido.
Mas os tempos são outros. O menino teria de fazer suas rodas, se quisesse andar de automóvel. Se tivesse uma serra tico-tico poderia fazer rodinhas de um pedaço de compensado abandonado. Mas é certo que tal ferramenta ele não tinha.Pois se tivesse, teria feito. Suas ferramentas: uma faca, subtraída da cozinha, um prego para fazer os buracos, e uma pedra, à guisa de martelo. O material deveria ser dócil às ferramentas que possuía. Seria fácil fazer rodas de papelão. Mas as rodas se desfariam, depois de passar pela primeira poça de água. Seus olhos e pensamento procuram. E aquilo que calçara pés se transformou em calçado de automóvel.Quatro buracos na lata de sardinha, dois galhinhos de árvores e ei-lo pronto: o carrinho!
O menino sabia pensar. Pensava bem, concentrado. É sempre assim. Quando o sonho é forte, o pensamento vem. O amor é o pai da inteligência. Mas sem amor todo o conhecimento permanece adormecido, inerte, impotente. O menino e o seu carrinho resumem tudo o que penso sobre a educação.As escolas: imensas oficinas, ferramentas de todos os tipos, capazes dos maiores milagres. Mas de nada valem para aqueles que não sabem sonhar. Os profissionais da educação pensam que o problema da educação se resolverá com a melhoria das oficinas: mais verbas, mais artefatos técnicos, mais computadores (ah! o fascínio dos computadores!).Não percebem que não é aí que o pensamento nasce. O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um acto de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre vazio. E a semente do pensamento é o sonho. Por isso os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos.O menininho sonhava. Como Deus, que do nada criou tudo, ele tomou o nada em suas mãos, e com ele fez o seu carrinho. Imagino que, também como Deus, ele deve ter sorrido de felicidade ao contemplar a obra de suas mãos...

Texto: Rubem Alves, in Pais & Filhos

O Projeto de Lei 069/2009 de autoria do Vereador Gabriel Chalita

O Projeto de Lei 069/2009 de autoria do Vereador Gabriel Chalita (PSDB) que trata do combate ao bullying nas escolas públicas foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo, no dia 8 de abril. O projeto seguirá para as Comissões de Administração Pública, Educação e Finanças, antes de passar para as votações no Plenário. O projeto visa à conscientização e ao combate das práticas que, não raro, culminam na morte de crianças. O bullying, apesar de ser um termo ainda pouco conhecido para muitos, é uma realidade para crianças e adolescentes submetidas a preconceito e agressões no ambiente escolar, influenciando o desenvolvimento cognitivo dos alunos e resultando em traumas e complexos que podem acompanhá-lo também na vida adulta.Com a disseminação do uso da tecnologia, o cyberbullying também está ganhando proporções cada vez mais assustadoras."Precisamos oferecer proteção a essas crianças e adolescentes que sofrem em silêncio humilhações impensáveis em um ambiente escolar", destaca o Gabriel Chalita, autor do livro Pedagogia da Amizade, que trata de formas de ação e prevenção contra o bullying.

Os valores da educação árabe- Gabriel Chalita

Os dias contemporâneos assistem a um fascinante diálogo universal. Rompemos as barreiras da distância e do tempo com a tecnologia que disponibiliza a informação e atiça a curiosidade.

Em um passado não muito distante, as notícias vinham a navio, os mitos dificultavam o contato com culturas diferentes. Estávamos em ilhas continentais vencidas por braços imigrantes. Os árabes, quando chegaram por aqui, vieram como tantos outros em busca da terra da esperança. Não conheciam o idioma, a cultura. Não tinham ideia do clima, dos desafios que estavam por vir. Partiam do Porto de Beirute, deixando para trás as raízes e trazendo na bagagem a herança de um povo acostumado a acolher.

As famílias árabes são reconhecidas pela generosidade em alimentar sem economias os
amigos, os conhecidos. A música, a dança, o sorriso, a deliciosa comida fazem com que o sabor da convivência acalante a boa prosa. Os árabes são excelentes contadores de história. Sherazade e suas mil e uma noites atestam o valor da contação para que a inteligência vença a prepotência, e o amor vença o ódio.

Os árabes têm muitos provérbios. Comungam de valores corretos sob a luz de uma cultura
milenar. Aprenderam a conviver com a guerra, a dor, o sofrimento. "Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem." (G.K.Gibran).

São vencedores porque não temem o desafio da reconstrução, das paredes destruídas pelo outro nem a provocação da alma alquebrada pela dor.

A educação árabe traz como paradigma o amor à família. Choram juntos e riem juntos. Respeitam os velhos, ciosos da abnegação de retribuir ao amor partilhado e cientes de que a sabedoria da vida tem tanto ou mais importância que a dos livros. Em geral, trazem a religião como valor inegociável. Evidentemente, há os fundamentalistas extremos, mas são exceção. A regra está na cordialidade de pais que professam a fé e o amor, desfraldando as sombras do medo para o voo necessário da geração que está florindo.

Ontem, a ousadia dos desbravadores; hoje, a paciência dos reconstrutores; amanhã,
a bênção dos iluminadores. É de luz que precisa a educação. Luz que ilumina e aquece
como um bom abraço árabe.

Educação em Linha - REVISTA ELETRÔNICA ANO III, N.º 7

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Educação nas telas

No Rio de Janeiro, uma professora de escola pública protege um aluno perseguido ao mesmo tempo por uma quadrilha de traficantes de drogas e por policiais corruptos. Também no Rio, um projeto de ensino de música transforma a vida de jovens de comunidades carentes. Em Paris, um professor de língua francesa em uma escola da periferia, freqüentada por muitos filhos de imigrantes, se esforça para dar conta do programa e convencer os alunos da importância de se dedicar aos estudos. E, em Nova York, a diretora de uma escola católica suspeita que o padre da paróquia, também professor, cometeu assédio contra um aluno.

Essas quatro histórias trazem de volta aos cinemas o olhar sobre a educação, tanto no ensino formal quanto no informal, bem como sobre os educadores e seu papel na sociedade contemporânea. Os brasileiros Verônica, de Maurício Farias, e Contratempo, de Malu Mader e Mini Kerti, se juntam ao francês Entre os muros da escola, de Laurent Cantet, e ao norte-americano Dúvida, de John Patrick Shanley, nessa leva recente de filmes - alguns baseados em fatos verídicos, outros apenas inspirados neles - que contribuem para ampliar o debate social sobre temas educacionais, alcançando um público mais amplo do que o de profissionais da área.


Em Verônica, o filho de um contador que trabalha para o tráfico (Matheus de Sá) sobrevive ao massacre da família porque estava na escola. Como os pais não aparecem para buscá-lo, sua professora (Andréa Beltrão) se oferece para levá-lo até sua casa, em uma favela. Ao descobrir que os pais foram mortos e os traficantes procuram o menino, decide protegê-lo e se recusa também a entregá-lo às autoridades porque o pen drive que o pai confiou ao filho traz um vídeo com imagens que incriminam policiais ligados ao tráfico. Verônica não confia nem mesmo no ex-marido (Marco Ricca), policial que talvez mantenha relações com colegas corruptos.


Farias diz que participou de duas sessões promovidas exclusivamente para profissionais da educação - uma em São Paulo (que também reuniu alunos), realizada pelo Sistema Anglo de Ensino, um dos patrocinadores do filme, e outra no Rio de Janeiro, no Clube do Professor do Unibanco Arteplex. "Foi maravilhoso, espetacular", lembra o cineasta, que dirigiu também O coronel e o lobisomem (2005) e A grande família - O filme (2007). "Vi cenas incríveis, professoras chorando. A identificação foi muito forte e o filme as tocou bastante. Não tínhamos a preo­cupação de abordar isso (as condições de trabalho do professor) em primeiro plano, mas a realidade é muito forte."


A detalhada caracterização da personagem e a interpretação de Andréa Beltrão ajudam, de fato, a provocar identificação imediata com todo espectador que conheça, ainda que superficialmente, o cotidiano de milhares de professoras da Educação Básica na rede pública do país. Verônica trabalha muito, em condições às vezes impróprias, e se esvai física e mentalmente por causa disso; leva tarefas para casa, o que aumenta o desgaste e contribui para que negligencie a vida pessoal; o salário permite que sobreviva dignamente, mas não muito mais do que isso - a personagem mora em uma quitinete, em bairro popular do Rio, e não tem acesso a canais de TV paga, o que deixa o filho do contador estupefato, pois ele mora na favela e tem ("TV a gato", como bem observa Verônica).


O cenário social de Verônica é muito semelhante ao do documentário Contratempo, que acompanha a rotina de jovens que participavam, em 2006, do projeto Villa-Lobinhos. Recrutados em favelas do Rio de Janeiro, eles freqüentavam aulas de música e faziam apresentações, promovidas também no âmbito de outros grupos dos quais participavam. Alguns deles, por exemplo, vão tocar em um concerto beneficente em Nova York. Com isso, ganham perspectiva de futuro que, sem a dedicação à música, dificilmente teriam. Há, no entanto, quem fique pelo caminho, e ao menos uma das histórias - a do rapaz que abre o filme, cujo desfecho é revelado apenas no final - é especialmente dramática ao ilustrar o que a sociedade brasileira reserva a milhares de jovens.


Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado e candidato ao Oscar-2009 de melhor filme estrangeiro, Entre os muros da escola se inspira na "tragicomédia ordinária de um professor de francês", o romance Entre les murs, com lançamento no Brasil previsto para março, simultaneamente à chegada do filme ao país. O autor, François Bégaudeau, se baseou em suas próprias experiências em uma escola na periferia de Paris para "divisar o discurso por meio dos fatos, as idéias pelos gestos" - e, assim, "apenas documentar o trabalho cotidiano" de um educador hoje na França.

Diretor de A agenda (2001), que também lança um olhar semidocumental sobre o mundo do trabalho (e a perda de identidade representada pelo desemprego), Cantet recrutou o próprio Bégaudeau para interpretar o papel do professor e adotou o princípio de observar a escola como uma espécie de câmera de eco da sociedade - tudo o que ocorre ali, entre muros, é apenas reverberação do que acontece no entorno. O extraordinário trabalho com os adolescentes que interpretam os alunos, todos usando seus nomes verdadeiros, faz o espectador acreditar que havia câmeras ocultas dentro da sala de aula e em outros ambientes da escola.


Entre os muros da escola já se configura, tanto pelos métodos de realização quanto pelo diagnóstico da escola como instituição em crise profunda, como um dos grandes filmes em torno da relação ensino-aprendizagem e da responsabilidade social que se atribui ao trabalho dos educadores. Esses temas aparecem também em Dúvida, baseado em peça do próprio Shanley ambientada em 1964. Para educadores, o interesse se concentra na descrição da gestão autoritária de uma escola religiosa por uma freira (Meryl Streep) que procura controlar tudo à sua volta e nos dilemas de uma jovem professora (Amy Adams) pressionada a denunciar um padre (Philip Seymour Hoffman).



Sérgio Rizzo


PENSAMENTOS