"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"A vida nos cobra tomar decisões constantemente.


"A vida nos cobra tomar decisões constantemente.

Cada escolha determina um fato novo no futuro.

Cada fato, uma vivência inadiável.

Cada experiência, uma mudança imposta.

Escolher é fácil quando nossos sentimentose ilusões ñ estão envolvidos.

Somos livres para escolher nossas ações, masprisioneiros de suas conseqüências.

Todo momento é decisivo.

Por isso é preciso descobrirse teremos a coragem de ficar do lado d nossa alma,ou se preferimos mentir para nos mesmos.

Mas, seja qual for a nossa escolha, lembremos que nada fica sem resposta.

A escolha é sua.Pondere bastante ao se decidir, pois é vc q vai carregar

- sozinho e sempre -

o peso das escolhas q fizer."

sábado, 13 de dezembro de 2008

SP tem 14 escolas top no ranking do Enem


Apenas 14 escolas da capital paulista de um total de 1.197 --entre particulares e públicas-- tiveram um desempenho considerado de bom a excelente, segundo levantamento inédito divulgado ontem com base nos resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2005.As escolas top do ranking tiveram médias acima de 70 pontos na redação e na prova objetiva.Critérios do Enem indicam que, com até 40 pontos de acerto, o desempenho é considerado de insuficiente a regular.

Acima de 40 e até 70, o resultado é de regular a bom. Acima de 70 pontos, o desempenho é de bom a excelente.Entre as 14 unidades de ensino médio de São Paulo com médias de bom a excelente, uma é federal (Centro Federal de Educação Tecnológica), uma é estadual (Escola Técnica Estadual de São Paulo), e 12 são particulares.A maior média de 2005 é do colégio Vértice, com 78,6 pontos obtidos na prova objetiva e na redação. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), só 62 estudantes do colégio fizeram o Enem 2005.

O colégio Bandeirantes, que fica em segundo lugar, com 76,17 pontos, teve 530 alunos inscritos no exame. O terceiro lugar ficou com o Móbile, com 75,34 pontos e 65 alunos. As três escolas com maiores médias são particulares.


Mensalidade


A melhor escola privada de São Paulo, Vértice, aposta no acompanhamento personalizado. A atenção --em período semi-integral ou integral-- tem custo alto: cerca de R$ 1.700/mês no ensino fundamental, incluído o material.O colégio no Campo Belo é um labirinto de casas térreas e sobrados.

São aproximadamente 700 alunos da educação infantil ao ensino fundamental. As classes, com cerca de 30 estudantes, são largas, com apenas três fileiras de profundidade --ou seja, não há lugar para a "turma do fundão".

"A gente se denomina um pequeno grande colégio", diz um dos diretores, Victor Koloszuk, ao citar o pacto para que a escola não cresça além disso. Para os abonados que estão do lado de fora do muro, lista de espera.

Neste ano, a Vértice completa 30 anos, com ensino médio desde 1988.Os números explicam a grandiosidade. No ano passado, 70% dos estudantes que prestaram vestibular para a USP passaram para a segunda fase, sem cursinho. Desses, 50% foram aprovados.

"Temos um resultado bem acima da média, sem que essa seja nossa finalidade", diz o professor.Segundo ele, o mais importante é "preparar para a vida".

Além de uma orientação educacional que acompanha as dificuldades e os interesses de cada um, os alunos participam de aulas optativas que oferecem de cursos de artes e filosofia a debates sobre a crise no Oriente Médio.Para o professor, o Vértice tem um lado mais humano e menos conteudista do que os tradicionais colégios paulistanos.FederaisAs escolas técnicas são as exceções no ranking das tops do Enem. Uma é federal (Centro Federal de Educação Tecnológica) e a outra, estadual (Escola Técnica Estadual de São Paulo).Para o diretor-geral do Cefet-SP, Garabed Kenchian, o bom desempenho dos alunos das escolas técnicas e tecnológicas ocorre porque esses estudantes aproveitam a estrutura montada para os cursos de nível superior (como sistemas de informação e eletrônica de sistemas digitais) oferecidos por esses centros.No Cefet-SP, por exemplo, 30% dos professores têm mestrado ou doutorado.

Esses docentes dão aulas tanto no ensino médio quanto nos cursos superiores. Além disso, os alunos podem utilizar os laboratórios montados para os outros níveis de ensino.Outro ponto que ajuda as escolas técnicas, segundo Kenchian, é que a procura pelas vagas é alta, o que gera a necessidade de fazer vestibulinhos.

Assim, os centros conseguem fazer uma seleção e pegar os melhores alunos.




Folha de S.Paulo

O suor e a lágrima

Carlos Heitor Cony

Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase 41.
No dia seguinte, os jornais diriam que fora o mais quente deste verão que inaugura o século e o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica, de coro de abadia pobre, que também pode parecer o trono de um rei desolado de um reino desolante. O engraxate era gordo e estava com calor - o que me pareceu óbvio.
Elogiou meus sapatos, cromo italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte para poupá-lo, em parte porque quando posso estou sempre de tênis.Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e começou seu ofício.
Meio careca, o suor encharcou-lhe a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor, que era abundante.Com o mesmo pano, executou com maestria aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira, mas a todo instante o usava para enxugar-se - caso contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.E foi assim que a testa e a calva do valente filho do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio. Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente suados.Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso.
Ele me olhou espantado, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima.

MOACYR SCLIAR- O futuro na geladeira


Um dia ela ainda ingressaria no curso de administração, um dia brindaria a seu futuro; era só questão de esperar

Amélia, 80, interrompe sonho de ter vaga na USP para comprar geladeira. Amélia Pires fará 80 anos em 6 de dezembro um pouco mais distante de seu sonho. Desde 2004, presta a Fuvest. Quer um diploma do curso de administração da USP. Neste ano, porém, não esteve entre os 138.242 aspirantes a vaga na universidade. A geladeira estava imprestável, e o dinheiro da inscrição -ajuda de um sobrinho- foi usado para pagar a prestação de uma nova. Cotidiano, 24 de novembro de 2008


NÃO FOI UMA decisão fácil, como se pode imaginar. Curso de administração ou geladeira? A favor de ambas as coisas, o curso e a geladeira, havia argumentos. O curso era algo com que sonhava havia muito tempo, desde jovem, para dizer a verdade. Primeiro, porque era uma fervorosa admiradora da atividade em si, da administração. Organizar as coisas, fazer com que funcionem, levar uma empresa ao sucesso, mesmo em épocas de crise, sobretudo em épocas de crise, parecia-lhe um objetivo verdadeiramente arrebatador. Com o curso, ela poderia tornar-se, mesmo com idade avançada, numa daquelas dinâmicas executivas cuja foto via em jornais e em revistas. Mas a geladeira... A verdade é que ela precisava de uma geladeira nova. A antiga estava estragada, e tão estragada que o homem do conserto aconselhara-a a esquecer "aquele traste" e partir para algo mais moderno. E isso precisava ser feito com urgência: todos os dias estava jogando fora comida que estragara por causa do inconfiável eletrodoméstico.

Era o curso ou a geladeira. Era apostar no futuro ou resolver os problemas do presente. Ou se inscrevia na universidade ou pagava a prestação na loja: tinha de escolher. Dilema penoso. Durante duas noites não dormiu, fazendo a si própria cálculos e ponderações. "Faça o curso", sussurava-lhe ao ouvido uma vozinha, "você será outra pessoa, uma pessoa com conhecimento, com dignidade, uma pessoa que todos respeitarão". E aí outra vozinha intervinha: "Deixe de bobagens, querida. Geladeira é comida, e comida é o que importa. Como é que você vai se alimentar, se a comida continuar estragando desse jeito? Seja prática". Duas vozinhas. Anjinho e diabinho? Nesse caso, qual era a voz do anjinho, qual a do diabinho? Mistério.

Na manhã do terceiro dia sentiu um mau cheiro insuportável, vindo da cozinha. Foi até lá, abriu a geladeira e, claro, era a carne que simplesmente tinha apodrecido. Foi a gota d'água. Vestiu-se, foi até a loja, e comprou a geladeira nova. Que lhe foi entregue naquele mesmo dia. Era uma bela geladeira, com muitos dispositivos que ela mal conhecia. "Vou ter de fazer um curso para aprender a operar essa coisa", disse ao homem da entrega. Ele concordou: "Sempre é bom fazer cursos". Instalada a geladeira, ela tratou de colocar ali os alimentos e as bebidas.

Foi então que encontrou a garrafa de champanhe. O champanhe que tinha comprado para celebrar com os vizinhos a sua entrada na universidade. Suspirou. O que fazer com aquilo, agora? Dar de presente para o sobrinho que a ajudara com o dinheiro da inscrição? Resolveu guardar a garrafa. Bem no fundo da geladeira. Um dia ela ainda ingressaria no curso de administração, um dia brindaria a seu futuro. Era só questão de esperar. Sem medo: uma boa geladeira conserva qualquer champanhe.

Fonte: Folha de São Paulo - 01/12/2008

Escritos do passado...Anísio Teixeira, 1957


Rio, maio 57

Meu caro Rubem Braga: a sua palavra é hoje tão lida, que fiquei com pena de ver, em meio à sua crônica tão humana sobre as Crianças, lançar você uma porção de dúvidas sobre duas idéias que me são caras para a feliz orientação do problema escolar brasileiro: a escola local, regional e não "consular", "metropolitana", em rigor "colonizadora" e a escola completa, rica, variada, com tempo suficiente para se constituir vida e formação da criança...Se lhe sobrasse tempo para ler coisas ainda mais fastidiosas do que "Educação não é privilégio", teria podido ver que essa escola de tempo integral não é a escola do campo mas a da cidade... e, sobretudo, a da cidade moderna, onde a criança já não poderá ter nenhuma experiência integrada e harmoniosa senão na escola, todos os seus outros espaços vitais - o do apartamento, o da rua, o do clube, o do cinema - sendo parciais, fragmentários e contraditórios... No campo, seria o contrário: a escola poderia ser de tempo parcial, como pensa você, pois a grande e boa educação da criança já se faz pela sua vida simples, mas, integrada, responsável, construtiva e, sobretudo, incrivelmente digna, pelo trabalho e pelas relações humanas diretas, sérias e completas... Ah! meu caro Rubem, se soubesse quanto penso como você em relação à nossa criança rural! Vou tão longe que as dúvidas que me assaltam são maiores que as suas. Duvido que lhes convenha a própria escola de letras. E não nos sendo possível dar-lhes a escola de trabalho e de enriquecimento de sua própria cultura, pois essa escola exigiria professores de grande preparo e muito dinheiro, chego a achar que melhor seria não lhes dar escola nenhuma. Como isto não é possível, defendo para o campo uma escola modesta, de quatro anos de estudo, e que, ainda assim, mais preparará os alunos para poderem deixar o campo do que para ficar...A escola que possuímos é uma escola para o tipo de civilização urbana, só aplicável ao campo na medida em que ele se urbaniza, reurbaniza, dizem hoje, os sociólogos. Como isto, de fato, acabará por se dar, em todo país, a escola deverá organizar-se tão bem quanto possível nas cidades e ir se estendendo pelo campo na sua missão de lhes transformar também gradualmente a vida...Já que a escola é, assim, um instrumento de transformação, ou, pelo menos, de consolidação da transformação da civilização rural em civilização urbana, afim de que sua influência não seja exageradamente alienadora , defendo a idéia de fazê-la local e regional. De modo que o meu localismo escolar vai ao encontro de sua dúvida sobre a escola conveniente ao próprio campo. Municipal e local ela se integrará melhor nos defeitos e qualidades do meio, moderando, desse modo, a sua ação naturalmente desenraizadora. A cultura escolar primeiro desenraíza para depois - hélas! só muito depois - plantar de novo e enraizar-nos na humanidade, dessa forma ampla, completa e universal, de que você é um alto e grande exemplo. Daí o nosso cuidado de educadores em acentuar os traços locais e regionais da escola, afim de lhe corrigir a tendência, por assim dizer, congênita de segregar, separar, alienar...Sabe você, meu caro Rubem, quanto é difícil pensar claro em nosso país. Como o nosso progresso se fez por acaso, julgamos poder continuar a progredir por acaso. A realidade, porém, não é que progredimos por acaso mas que progredimos, até ontem, lentamente e o progresso lento toma conta se si mesmo e acaba por se harmonizar. Mas, o progresso rápido de hoje não tem tempo para esse reajustamento. Todo progresso é um tumulto e uma deslocação e se se faz muito acelerado destrói mais do que constrói e daí ser necessário um reforço substancial na quantidade de educação do indivíduo par suportá-lo e corrigi-lo.A escola primária da Suíça - um modesto e grande exemplo de civilização estável em meio ao tumulto do mundo moderno - impõe à criança onze mil horas de atividades intencionalmente educativas, a americana, sete mil horas, a melhor escola primária brasileira, aos que a freqüentam integralmente, dá-lhes duas mil e quatrocentas horas!... Por mais gênios que sejamos nós brasileiros, por força que há de sobrar alguma diferença entre nós e os suíços. Grande parte dessa diferença será divertida senão boa mas o restante há que ajudar a mudar... Seu de sempre

Anísio


TEIXEIRA, Anísio. Carta a Rubem Braga, [Rio de Janeiro?], maio 57.Localização do documento: Fundação Getúlio Vargas/CPDOC - Arquivo Anísio Teixeira - ATc 57.05.00.

Carta dos Direitos Humanos chega aos 60 como marco



Apesar de revezes em sua aplicação, declaração da ONU é referência obrigatória


Documento inspira tratados globais e leis em mais de 90 países; alta comissária lamenta persistência de impunidade e autoritarismo



A Declaração Universal dos Direitos Humanos, talvez o documento internacional mais conhecido da história, completa hoje 60 anos de sua adoção como referência obrigatória no respeito às liberdades e direitos fundamentais do homem.Mesmo entre os ativistas que se dedicam a denunciar a limitada aplicação prática de seus 30 artigos, o texto é considerado a pedra fundamental do reconhecimento da igualdade e dignidade humanas, um marco que influenciou todos os tratados e iniciativas sobre o tema nas últimas seis décadas.

Inspirada na Declaração francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, e na Declaração de Independência dos EUA, de 1776, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada sob o efeito do trauma provocado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial e do genocídio nazista.

Seu primeiro artigo é certamente um dos mais repetidos em todos os tempos: "Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade". Os demais 29 defendem direitos básicos, como alimentação, segurança, trabalho e liberdade de expressão.

Artigos muitas vezes em falta no planeta, reconhece a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navanethem Pillay, para quem a declaração continua sendo uma "promessa não cumprida".

Mas ela lembra que o documento inspirou vários tratados internacionais e as leis de mais de 90 países.Além disso, diz Pillay, a declaração motivou a criação de mecanismos regionais e nacionais de monitoramento do respeito a seus princípios, incluindo o Alto Comissariado, que chefia desde setembro.Para ela, a obsessão por segurança em alguns países nos últimos anos criou um novo desafio à declaração. "É preciso reconhecer que a impunidade, os conflitos armados e os regimes autoritários não foram derrotados, e que, lamentavelmente, os direitos humanos são às vezes colocados de lado em nome da segurança", disse a sul-africana Pillay à Folha, por email.


"Incontornável"


Adotado em Paris no dia 10 de dezembro de 1948 pelos então 58 Estados-membros da ONU, entre eles o Brasil, o documento tornou-se a base de tudo o que foi pensado em direitos humanos desde então.

"A Declaração Universal é um texto incontornável, que inspirou sete tratados e a própria estrutura da Comissão de Direitos Humanos da ONU", disse à Folha, de Pequim, o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, um dos brasileiros mais respeitados na área.

Pinheiro, que foi relator da ONU em países onde o respeito aos princípios da declaração são pouco mais que uma utopia, como Mianmar, destaca a relevância histórica do texto.

"Ele lembra que o século 20 não foi só os horrores de genocídio e limpeza étnica, mas também o início da caminhada para combater essas e outras atrocidades", diz.

A embaixadora do Brasil para direitos humanos em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo, defende a declaração como instrumento de cooperação, não de pressão. "Direitos humanos devem servir como inspiração, não imposição.

"A aplicação do documento é tema de constantes debates. Os ativistas que acompanham o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, costumam deixar as sessões com uma sensação de impotência, pela falta de mecanismos de punição aos violadores.

"Ninguém nega a importância da declaração, nem os países que não a respeitam", diz Julie Rivero, da Human Rights Watch.

"O problema é que a politização dos debates leva os países a esquecerem que o mais importante é a defesa das vítimas, não de seus interesses."




MARCELO NINIO

O inacabado que há em mim- Pe. Fábio de Melo



Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina. Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros.

Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo,O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim?

Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos.

Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos. Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil. Melhor mesmo é continuar na esperança confluências futuras.

Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar.Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão.

Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só.

Eu sou assim. Sem culpas.

Uma Questão de Escolha- Pe. Fábio de Melo




O coração anda no compasso que pode. Amores não sabem esperar o dia amanhecer. O exemplo é simples.

O filho que chora tem a certeza de que a mãe velará seu sono.

A vida é pequena, mas tão grande nestes espaços que aos cuidados pertencem. Joelhos esfolados são representações das dores do mundo.

A mãe sabe disso.

O filho, não. Aprenderá mais tarde, quando pela força do tempo que nos leva, ele precisará cuidar dos joelhos dos seus pequenos.

O ciclo da história nos direciona para que não nos percamos das funções.

São as regras da vida. E o melhor é obedecê-las.Tenho pensado muito no valor dos pequenos gestos e suas repercussões.

Não há mágica que possa nos salvar do absurdo. O jeito é descobrir esta migalha de vida que sob as realidades insiste em permanecer. São exercícios simples...

Retire a poeira de um móvel e o mundo ficará mais limpo por causa de você.

É sensato pensar assim. Destrua o poder de uma calúnia, vedando a boca que tem ânsia de dizer o que a cabeça ainda não sabe, e alguém deixará de sofrer por causa de seu silêncio.

Nestas estradas de tantos rostos desconhecidos é sempre bom que deixemos um espaço reservado para a calma.

Preconceitos são filhos de nossos olhares apressados.

O melhor é ir devagar.Que cada um cuide do que vê.

Que cada um cuide do que diz. A razão é simples: o Reino de Deus pode começar ou terminar, na palavra que que escolhemos dizer.

É simples...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Vida


Pe. Fábio de Melo



Pelas ruas da cidade, pessoas andam no vai e vem

Não vêem o cair da tarde, dando os seus passos como um reféns

De uma vida sem saída, vida sem vida, mal ou bem

Pelos bancos desses parques, ninguém se toca sem perceber

Que onde o sol se esconde o horizonte tenta dizer

Que há sempre um novo dia, a cada dia em cada ser

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura,

Para encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno

E dar as mãos e dar de se além do próprio gesto

E descobrir feliz que o amor esconde outro universo

Pelos becos pelos bares pelos lugares que ninguém vê

Há sempre alguém querendo

Uma esperança sobreviver

Cada rosto é um espelho

De um desejo de ser de ter

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura,

Para encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno

E dar as mãos e dar de se além do próprio gesto

E descobrir feliz que o amor esconde outro universo

Cada rosto é um espelho

De um desejo de ser de ter

Talvez quem sabe por essa cidade passe um anjo

E por encanto abra suas asas sobre os homens

E ter vontade de se dar aos outros sem medida

A qualidade de poder viver vida,vida

Vida Vida

Intimidade - Pe. Fábio de Melo



Que seja assim! Tardes que caem para que nasçam as noites. Acordes que terminam para que a pausa prepare o som que virá. A vida e seu movimento tão cheio de sabedoria. Que seja assim! Que seja sempre assim! Esquinas que dobramos com o desejo de alcançar outras esquinas. Depois da chuva, o frescor. Tudo prepara uma forma de depois, como se o agora fosse uma passagem constante que nos conduz com seu cordão invisível. Eu vou. Vou sempre. Não sei não ir. Minha curiosidade me move para dentro de mim. Sou um desconhecido interessante. A cada dia uma nova notícia me entrego. Eu me dou em partes, como se devolvesse o que já sou, Àquele que me deu totalmente. Vivo pra desvendar. Esquinas; tardes caídas; manhãs que se levantam com o sol. Ando amando mais. Meus amigos são tantos; meus limites também. Cada vez mais padre, mais feliz. Eu sou sem medo de errar. Eu desejo a sacralidade de cada dia. Deitar no chão da existência é tão necessário. Eu me levanto mais devolvido, porque há muitas partes de mim esparramadas, caídas pelas esquinas da vida. Recolher-me é obra que faço por Deus. Estou em reformas. Deus o sabe. Ele é que tirou a primeira pedra. Tirou. Não atirou. Deus não sabe atirar. Prefere tirar. Eu deixo. Sou Dele. Quero ser sempre mais. Em partes, pra ser todo. Ele me devolve a cada dia. Eu também. Lição de casa que faço com gosto.Vez ou outra Ele me olha nos olhos e me dita poemas. Fico tão encantado que até esqueço as palavras. Ele manda eu prestar atenção. Digo que não sei. Ele ri de mim. "Poetas são todos iguais" - conclui enquanto mexe no meu cabelo. Eu o vejo de perto, bem de perto. Por vezes sinto o desejo de lhe pedir o impossível, mas aí me falta coragem. Aí peço que me dê só o necessário. Ele me surpreende com medidas que não mereço. Fico mudo, sem saber dizer. Ele me socorre com seu sorriso. E de súbito, as palavras voltam a fazer parte de mim.

O Movimento da Vida - Pe Fábio de Melo



Eu não sei se a vida é que vai rápida demais ou se sou eu que estou mais lento. O que sei é que ando me atropelando nos próprios passos.Eu resolvi desacelerar. Eu vou no rítmo que posso.Não é fácil. É sabedoria que requer aprendizado! Eu quero aprender.O descompasso é a causa de todo cansaço. O corpo é rápido, mas o coração não. O corpo anda no compasso da agenda. O coração anda é no compasso do amor miúdo. O corpo sobrevive de andares largos. O coração sobrevive de pequenos passos e de demoras. Eu já fui e voltei a inúmeros lugares e o coração nem saiu do lugar.O mistério é saber reconciliar as partes. Conciliar um ritmo que seja bom para os dois.Eu quero aprender. Não quero o martírio antes da hora. Quero é o direito de saborear o tempo como se fosse um menino que perdeu a pressa. O show? Ah, deixa pra depois. A voz não morrerá. Acendemos as luzes noutra hora. Deixe que o padre viva a penumbra de algumas poucas velas... Um padre combina mais com uma vela acesa que com um canhão de luz.Há momentos em que a luz miúda nos revela muito mais que mil holofotes.Chega de vida complicada. Eu preciso é de simplicidade!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A graça de ser só - Pe.Fábio de melo



Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar.Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do “pode ou não pode”.A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou ser padre, e quando escolhi o ser, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem eu sou e fazendo o que faço. Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia. Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em “propriedade privada”. Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo.Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre – É de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Como ter fé no sofrimento? Padre Fábio de Melo



O neurótico é aquele que perdeu a fé e tem medo de tudo e de todos. O neurótico é sempre limitado e deixa de fazer muitas coisas na vida porque o medo o paralisa. É um medo acentuado que virou doença. A fé não combina com medo!


Revista-se de uma couraça que o proteja. Acreditar em Deus não é acreditar em absurdos! A experiência de Deus é o cuidado com a experiência humana. Uma palavra bem dita tem o poder de expulsar as maldições!

O jeito mais bonito de transformar o mundo é quando Jesus ganha espaço em nossa consciência. A palavra que ordena o mundo é a Palavra de Deus, a qual funciona como uma matriz, com valores que vêm de Deus e nos propõe suportar os sofrimentos do mundo. As lutas são estabelecidas o tempo todo. A experiência do limite não pode ser tirada da realidade humana.


Não há como você ir ao combate se estiver despreparado.


Não conseguiremos sobreviver se não tivermos fé! Não seja vítima de sua vida. Esteja munido de forças humanas, psíquicas e espirituais. Fortalecei-nos no Senhor! Assim, no momento em que a vida parecer insuportável, você terá como resistir. Quais foram as grandes batalhas que você enfrentou? Você venceu ou perdeu?


Não é vergonha fracassar, pois somos humanos. Não é vergonha passar pelos seus limites, vergonha é não os ver. A maturidade nos ensina a não buscar culpados.


Uma palavra profética é uma ‘palavra amorosa’! As palavras amorosas não são de bajulação. Amor que é amor fere. Assim como na atividade física a musculatura precisa sofrer micro lesões para endurecer, e futuramente não doer.


Ninguém nos escondeu que seria necessário a disciplina. Que nascemos de um jeito e morremos de outro. Se não expuser seu corpo ao exercício necessário, você sofrerá. Mas falo do despreparo da alma. Como reagir diante de uma vida que não deu certo? Como dar testemunhos da fé se não teve sofrimento? Ou no momento em que tenho que conviver com os meus limites e aprimorar o meu ser?


Assim como a ostra: “Ostra feliz não faz pérolas”. Ostras são moluscos, animais sem esqueleto, macias, que representam as delícias da gastronomia que podem ser comidas cruas. Como não têm defesas, são animais mansos e seriam presas fáceis. Então, para que isso não acontecesse, a sua natureza as ensinou a produzir casas duras para as proteger.No fundo do mar, havia uma colônia de ostras felizes. Sabíamos que eram felizes porque dentro delas saía uma delicada melodia, uma música aquática, como se fosse um canto gregoriano. Todas cantando a mesma música, com a exceção de uma ostra solitária que fazia um solo solitário. As ostras felizes riam dela e diziam que ela não saía da depressão. Não era depressão. Havia entrado um grão de areia em sua carne que doía muito. Ela não conseguia se livrar deste grão de areia, mas conseguia se livrar da dor, em virtude de suas arestas e pontas que envolviam o grão com substâncias brilhantes. Enquanto tentava se livrar da dor, cantava seu canto triste. Um dia passou um pescador por ali e levou-as todas para sua casa e sua esposa fez uma sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, seu dente bateu em uma substância dura e brilhante: era uma pérola. Apenas a ostra sofredora faz pérolas.


Isso é verdade para as ostras e para os humanos. A resposta é que ela não se entregou porque foi capaz de transformar a tragédia em beleza. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta, mas não se cria.


Na dor e na dificuldade de sua vida, você precisa encontrar um jeito nobre e diferente de os sentir. Esse cristianismo que não há sofrimento, não é humano. O cristianismo começa no Calvário! O Natal que vamos celebrar é trágico, revestido de beleza, mas é trágico porque um menino que não tinha onde morar e ninguém para o receber, nasce em uma manjedoura. ‘Jesus veio na dor’. Deus entra no mundo pela força da dor. Jesus é o nosso Rei, mas nunca se esqueça que o seu Rei é ‘coroado de espinhos’. Só poderemos reconhecer a glória de Deus se revestirmos a alma que nos assemelha aos artistas, de revestir o cotidiano de uma beleza nobre. Nunca podemos descobrir a beleza do sofrer se não revestirmos o nosso cotidiano de uma beleza nobre.
Porque você acha que as multidões andavam atrás de Jesus? Porque Jesus era especialista em revestir a tragédia de beleza.


O pessimismo nos faz arriar. O pessimismo é a forma mais simplória de suportar a vida, pois não requer o aperfeiçoamento humano. O amor fere.


Porque você acredita em Deus? Não sabemos dizer, só sabemos que no momento que mais nos sentimos frágeis, cremos em Deus. Alguma coisa nos leva além de nós mesmos e não aceito a opinião pessimista. Revista-se da couraça da justiça, do poder do bom senso aprimorado. É dia de celebrar a vitória!


Revista-se dos poderes de Deus e permita que Ele faça a pérola em você, na sua dificuldade! É dia de celebrar a vitória!


As pessoas que fazem diferença na sociedade são aquelas que o autor conseguiu transcrever as dores do mundo em poema.


Sabe o que está faltando para a nossa vida? Recordar-nos de que somos capazes.


Chega de humanos que dizem: ‘Eu não dou conta’. Não temos o direito de dizer que não damos conta se não tentarmos. Neste Hosana Brasil 2008 temos que ter essa consciência de recordar o que Deus nos fez e o que somos, pois “Somos vencedores”.


Chega de lamentar-se, Deus tem projetos maravilhosos para você!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

'FALAR NÃO, NÃO É DEIXAR DE AMAR'

O que pode criar um monstro?
O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada?
Será que é índole?
Talvez, a mídia?
A influência da televisão?
A situação social da violência?
Traumas?
Raiva contida?
Deficiência social ou mental?
Permissividade da sociedade?
O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por ma is de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?
O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'.
A garota disse não, não quero mais falar com você.
E o> garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.
Seu desejo era mais importante.
Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados.
Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.
Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.
Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos
NÃO> podia namorar um rapaz de 19.
Faltou uma outra mãe dizer que
NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de> orelha.
Faltou outros pais dizerem que
NÃO iriam atender ao pedi do de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida.
Faltou a polícia dizer
NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá.
Faltou o governo dizer
NÃO ao sensacionalismo da imprensa> em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram.
Simples assim. NÃO.
Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi> punida com uma bala na cabeça.
O mundo está carente de> nãos.
Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ).
Pessoas têm medo de dizer não aos amigos.
Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos.
E assim são criados alguns monstros.
Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas.
Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco.
Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.
Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'.
E não é raro eu ver alguns tomando tapas de> bebês com 1 ou 2 anos.
Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e> festas de aniversário faraônicas para suas crias.
Sem> falar nos adolescentes.
Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho.
Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos.
Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a> lei.
Não, você não vai passar a madrugada na rua.
Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação.
Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não> fizer 18 anos.
Não, essas pessoas não são companhias pra você.
Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.
Não, aqui não é lugar para você ficar.
Não, você não vai faltar na escola sem estar doente.
Não, essa conversa não é pra você se meter.
Não, com isto você não vai brincar.
Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no> parque.
Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles.
E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam.
Usam drogas.
Compram armas.
Transam sem camisinha.
Batem em professores.
Furam o pneu do carro do chefe.
Chutam mendigos e prostitutas na rua.
E daí por diante.
Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem> diálogo, pelo contrário.
Acredito piamente que crianças e> adolescent es tratados com um amor real, sem culpa,tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não.
Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade.
E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é> preciso.
Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas> pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.
O não protege, ensina e prepara.
Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo.
Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a> verdadeira prova de amor.
E é também aí que está a> solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Se Voce Disser Que Sim

No dia em que eu vi você
Não podia imaginar
Que eu seria assim, e que você já estava em mim
Um novo encontro aconteceu
Foi mais forte do que eu
Um beijo aconteceu, e o nosso amor ali nasceu
Se você disser que simMinha vida te darei
E a solidão que há em mim
Com você esquecerei
Se você disser que sim
Minha vida te darei
E a solidão que há em mim
Com você esquecerei
Contigo sempre vou estar
Ao seu lado é meu lugar
E assim vou renascer igual ao sol no amanhecer
Ninguém te ama como eu
É tão grande como deus
Não dá pra separar
Nós somos como a areia e o mar
Se você disser que sim
Minha vida te darei
E a solidão que há em mim
Com você esquecerei
Se você disser que sim
Minha vida te darei
E a solidão que há em mim
Com você esquecerei
Se você disser que sim
Minha vida te darei
E a solidão que há em mim
Com você esquecerei
Se você disser que sim
Minha vida te darei
E a solidão que há em mim
Com você esquecerei
Não deu tempo de dizer não
Invadiu meu coração
Eu preciso de você
E do seu amor
Se você disser que sim
Minha vida te darei
E solidão que há em mim
Com você esquecerei
Se você disser que sim
Minha vida te darei
E solidão que há em mim
Com você esquecerei
Com você esquecerei

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Renda do negro é metade da do não-negro



Segundo pesquisa Seade/Dieese, negro tem rendimento médio de R$ 4,36 por hora em SP; não-negro recebe R$ 7,98


Causas da diferença são o menor acesso à educação e o preconceito, que impede o negro de subir na carreira, segundo os especialistas

O trabalhador negro (preto e pardo) ganha apenas cerca da metade do que o não-negro (branco e amarelo) recebe na Grande São Paulo. São R$ 4,36 por hora, em média, contra R$ 7,98, segundo pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese.Quanto maior o nível escolar, maiores as disparidades. O rendimento real do indivíduo negro que não concluiu o ensino fundamental é de R$ 3,44 por hora, e o do não-negro, R$ 4,10 -uma diferença de 19,2%.Já na comparação entre duas pessoas que terminaram a universidade o abismo atinge 40%: o negro recebe R$ 13,86 por hora e o não-negro, R$ 19,49.
O levantamento foi realizado em 2007, mas os valores tiveram correção monetária até julho."Considerando a média de R$ 4,36 por hora e o fato de que o negro escravo do Brasil Imperial contava com a renda indireta da comida e da moradia, pode-se falar que nada mudou", argumenta o presidente da ONG Afrobras e reitor da Unipalmares (Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares), José Vicente.No que diz respeito ao desemprego, a situação apresentou pequena melhora nos últimos dez anos. Em 1999, a porcentagem de negros desempregados era de 24,3% ante 16,8% dos não-negros.
No ano passado, as taxas estavam em 17,6% e 13,3%. O Dieese diz que a tendência é semelhante no resto do país, porém os números mudam segundo a composição étnica da população local."O crescimento da economia do país desde 2004 criou vagas para os negros.
Algumas diferenças, entretanto, não se desfazem ao longo do tempo", diz Patrícia Lino Costa, coordenadora da pesquisa.O indicador "mais preocupante", aponta, é o que mostra a distância entre os ganhos dos negros e dos não-negros que fizeram faculdade.
O restrito acesso à escola é uma das principais causas da desigualdade no mercado de trabalho, mas, para quem conseguiu superá-la, o preconceito acaba sendo o pior obstáculo, afirma.

Uma vez contratado por uma empresa, o trabalhador negro não consegue galgar posições e subir na carreira, daí a sua renda ser inferior à dos brancos que sobem na hierarquia, diz ela."Os negros não conseguem sequer entrar em um cargo mais elevado.

Entre um engenheiro negro e um branco, certamente prefere-se contratar o branco, achando que o negro não é capaz", afirma Vicente."Na minha opinião, trata-se da dificuldade em lidar com o diferente", resume Costa. "Existe um perfil de trabalhador que o mercado recebe melhor: homem branco, entre 25 e 39 anos.

Ou seja, negros são discriminados, mulheres, homens muito novos ou mais velhos."Por isso, de acordo com os especialistas, a redução das disparidades começa na educação fundamental, para que as crianças aprendam desde cedo a lidar com as diferenças.

Para Vicente, as cotas em escolas técnicas e nas universidades ajudam, porém deveriam ser uma "verdadeira política de Estado, e não fruto apenas da boa vontade de um grupo de reitores". As empresas, por sua vez, estão aumentando os seus programas de inclusão, diz Costa."O problema é a velocidade do avanço. No Brasil, que se orgulha da sua miscigenação, números como esses de renda e emprego são chocantes.
Os EUA, onde até 50 anos atrás um negro não podia beber água no mesmo bebedouro de um branco, acabaram de eleger um negro presidente. Falta seriedade ao nosso governo", diz Vicente.





Denyse Godoy Folha de S.Paulo

O cemitério da fama - GD


No projeto “Milfont”, jovens serão convidados a transformar cemitérios da zona sul da cidade em galerias a céu aberto.


Alberto Milfont Júnior quis ser várias coisas quando era criança e adolescente: jogador de futebol, cantor, violonista e até clown. Vivia repetindo: “Vou ser famoso”. Adulto, desistiu do projeto de celebridade. Não tinha carreira definida e, aos 23 anos, entregava pizza à noite para sobreviver. O assassinato que sofreu dentro das Casas Bahia, no dia 10 deste mês, lhe garantiria apenas uma fugaz publicidade -afinal, não é novidade em seu bairro a morte de jovens.
Mas, na semana passada, começou a ser desenhada uma experiência para oferecer a Alberto Milfont fama eterna. A experiência vai ocorrer justamente no cemitério em que ele está enterrado -dali, a idéia deve se espalhar.


Alberto morava na região do Capão Redondo, conhecida por ter o cemitério (São Luís) com mais jovens enterrados por metro quadrado. O bairro faz parte do chamado “triângulo da morte”. Daí o previsível esquecimento do episódio na loja. Seria mais um corpo a compartilhar aquela métrica fúnebre.A diferença é que ele atuava, nos finais de semana, como intermediador de conflitos entre crianças e adolescentes que freqüentavam um projeto educacional chamado Casa do Zezinho, na zona sul -a intermediação é uma habilidade desenvolvida em áreas de risco, transformada em currículo escolar em Bogotá, na Colômbia.

Seu trabalho era, portanto, evitar a violência, apartando brigas e promovendo o diálogo. Por isso, o assassinato gerou uma comoção no bairro. Uma comoção, porém, que todos sabiam ser passageira.

Na segunda-feira passada, Dagmar Garroux, criadora da Casa do Zezinho, onde Alberto estudou por muitos anos, conseguiu da prefeitura a autorização para que os muros do cemitério São Luís se transformassem numa galeria a céu aberto -seu projeto já vem há muitos anos ajudando a colorir espaços públicos na zona sul da capital paulista.

Ela obteve a permissão para intervir não apenas no São Luís, mas em todos os cemitérios da região. A idéia é criar um programa de arte, chamando adolescentes de vários bairros, para criar painéis com cores fortes, destacando-se das tonalidades cinzas da região.
A pintura será um pretexto para provocar debates sobre a violência na cidade e como reagir à barbárie no caso, as cores serão uma provocação para ensinar a intermediar conflitos. Pela extensão dos muros, é um projeto para muitos anos.


No mesmo dia em que se obteve a autorização para intervir nos cemitérios da zona sul, o projeto já tinha nome: “Milfont”.

Ainda ligado a temática de arte no cemitério, o internauta Luiz Guilherme Vieira mostra seu trabalho fotográfico, no qual retrata verdadeiras obras de arte instaladas dentro dos cemitérios da cidade de São Paulo.

Câmara aprova projeto de cotas para alunos de escolas públicas

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília


A Câmara aprovou nesta quinta-feira um projeto de lei que estabelece o sistema de cotas raciais e sociais nas universidades públicas federais e escolas técnicas de ensino médio. O projeto determina que 50% das vagas nessas instituições de ensino serão destinadas aos alunos que estudaram em escolas públicas no ensino médio.

Desse total, 25% das vagas devem seguir o sistema de cotas raciais, divididas proporcionalmente à quantidade de brancos, negros, pardos e índios estabelecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em cada Estado. Os demais 25% seguirão os mesmos critérios das cotas raciais, mas os alunos têm também que ser oriundos de famílias que recebem até 1,5 salário mínimo por integrante.

O texto segue para nova votação no Senado, uma vez que sofreu modificações na Câmara. Os deputados incluíram a questão da renda de 1,5 salário mínimo, o que modificou o texto dos senadores. Os parlamentares argumentam que, com o sistema paralelo de cotas sociais e raciais, o ingresso dos alunos nas instituições de ensino vai obedecer a critérios mais justos que apenas a divisão pela classe social ou cor da pele. "Dentro dos 50% dos alunos das escolas públicas, há o critério racial. Mas acrescentei no texto o critério da renda. A diferença de educação tem critérios mais sociais do que raciais, por isso a situação de renda da família também deve ser um determinante", disse o deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP), ex-ministro da Educação.

O deputado explicou que, como a divisão racial no texto leva em conta a divisão das etnias por Estado, onde houver maior número de negros, as vagas destinadas a essa parcela da população serão maiores. Nas unidades federativas onde houver predominância de brancos, eles também terão mais chances de ingressar em universidades públicas --desde que tenham estudado em escolas públicas.


Em acordo firmado entre a base aliada do governo e da oposição, os deputados aprovaram o projeto em votação simbólica (sem registro individual do voto de cada parlamentar).

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), comemorou o fato de o projeto ter sido aprovado no Dia Nacional da Consciência Negra. "Desde 1960 se comemora o Dia da Consciência Negra, o que contribuiu para colocar a matéria em votação no dia de hoje porque há nesse projeto todo o conteúdo de justiça social e etnias. Os que têm opiniões divergentes cederam, o que resultou em um grande avanço", disse Chinaglia.

Amar

Amar é um constante atoum doce e delirante fato de loucamente se entregar sem idéia do que vai ganhar
Amar é até então mergulhar de cabeça num infinito espírito que desperta o seu melhor
Expõe também o seu pior mas que no fim, amar é se jogar num imenso mar num mergulho profundo
Num entendimento do mundo grande e louco que vivemos mais que humano seremos pois amar é despertar a alma
Amar é mais do que se pode definir amar é apenas um ato louco de sentir o que outra pessoa também senteo que neste encontro também tende
Haver enfim união por cima de "sim" e "não"além de um talvez pois esta é a nossa vez
Amar, enfim é loucura um ato de beleza pura um enobrecimento da humanidadeum enaltecimento da nossa vontade
Amar é entregar a alma pois o corpo vem depois e todos vós que então sois capazes de aqui criticar
Atire em mim uma pedra pois amar também enlouquece lembra-me do que esquecer e faz o que em vida perece imortaliza a quem fez esta prece.

CONTRA-SENSO


Ó, meu amor, escuta, estou aqui.,
pois o teu coração bem me conhece;
eu sou aquela voz que,
em tanta prece endoideceu,
chorou, gemeu por ti! .
Sou eu, sou eu que ainda não morri.

Nem a morte me quer,
ao que parece, e vinha renovar,
se ainda pudesse,as horas dolorosas que vivi. .
Ó, que insensato e louco é quem se ilude!
Quis fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que teus olhos são capazes! .
Deitando a vista pelo mundo além,
desisto de encontrar na vida um bem que valha todo o mal que tu me fazes!.


Martha de Mesquita da Câmara

O tempo

O tempo é o melhor remédio o tempo é o melhor prédio já construído para cair nas ruínas da eternidade.
O tempo tem a sua vaidadete o seu lado exotéricoque perpassa a nossa cumplicidade e por fim para no necrotério.
O tempo toca a almaque cabe ali na palmada mão de quem cai em famade quem quer apenas uma cama.
O tempo persuade a você buscar lá no interior o melhor do seu ser extrai de ti o prior que parodeia com o complexo sentido inverso do nexo.
Louco instante de entrega louco momento de um pegaagarra, larga, pede e despede implora e ali então cede o coração
O tempo é tão louco quanto a quem escreveu estes versos tão louco a ponto de declamarem mil línguas o verbo amar
O tempo enfim é tão curto que sentir um amor puro é mais do que uma página nesta vida tão louca
O tempo e por si só é a foz de toda a razãoa correntezão de toda alusão e o mar de todo coração basta acreditar.
São meus os teus sonhos ..

A natureza

A natureza, tua morada, tua pele,não deixa que ferves, tua mão congele.
Oferece de toda cor muito matizes,e dá-te remanso, mesmo que não precises.
Não cobra pelo tempo, pelo ar ou pelo ventoque sossegam em teu corpo todo lamento.
A natureza, teu sustento generoso,faz teus ossos firmes, nariz curioso.
Descansa teus pensamentos, acuados,e de teus desesperos faz dias passados.
Sempre tem recantos para teus refúgios,e admite por muitos anos teus subterfúgios.
A natureza, que nada pede só concede,é tua matéria-prima, teu corpo, tua sede.
É matéria-mãe, tia, netos e sobrinhos,Refaz tudo novo quando nãoencontras os teus ninhos.
A natureza, alheia a teus maus-tratosaceita que digas que é dela os teus fatos,decora tua injustiça e tua indiferença.
A natureza, que pressente o que não sentes,deixa que te enganes, sabes que mentes,tolera tuas ordens, tuas conjecturas,deixa-te com tuas amarras pelas alturas,onde voas com tuas asas ela segura,quando vais ao chão e a insultas, ela atura.
A natureza, que sabe de teus segredos,está no sangue e no alcance dos teus dedos,controla os relógios, reúne as distâncias,espalhas as espécies e reparte as ignorâncias.
A natureza nunca deixa nada estrangeira!
A natureza, cenário de quase tudo,ao teu lado é sempre forma ou conteúdo,nunca abandona ou esquece qualquer pessoa,te acompanha quando te ocupas ou estás à toa.
A natureza, de que é feito todo cuidado,enche o planeta de vale, monte, prado;faz o vento pôr fogo para quenão te apegues ao teu mando.
A natureza que nunca te pede a passagemé também o caminho, o comboio e a viagem.
A natureza, que nunca te abandona,não te esqueces, é pastora, nunca é dona!




**Hilan Bensusan

Força e coragem

É preciso ter força para ser firme ,mas é preciso coragem para ser gentil .
É preciso ter força para se defender,mas é preciso coragem para baixar a guarda .
É preciso ter força para ganhar uma guerra ,mas é preciso coragem para se render .
É preciso ter força para estar certo ,mas é preciso coragem para ter dúvida .
É preciso ter força para manter-se em forma ,mas é preciso coragem para ficar de pé .
É preciso ter força para sentir a dor de um amigo ,mas é preciso coragem para sentir as próprias dores .
É preciso ter força para esconder os próprios males ,mas é preciso coragem para demonstrá-los . É preciso ter força para suportar o abuso ,mas é preciso coragem para fazê-lo parar.
É preciso ter força para ficar sozinho ,mas é preciso coragem para pedir apoio.
É preciso ter força para amar ,mas é preciso coragem para ser amado.
É preciso ter força para sobreviver ,mas é preciso coragem para viver

PENSAMENTOS