"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ações para gostar de ler - Gabriel Chalita



Num conto denso, apesar de econômicas duas páginas, Clarice Lispector mostra a expectativa de uma menina que sonha com a leitura de Reinações de Narizinho, que uma colega prometeu emprestar e não emprestava nunca, de pura maldade. O conto se chama Felicidade Clandestina, e sintetiza a paixão pela leitura. A frase que comove pela expressividade é esta: "Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o."
Foi centrada sobre esta paixão que se desenvolve, a cada ano, em Passo Fundo, a chamada Capital Brasileira da Leitura, a Jornada Nacional de Literatura, que na semana de 27 a 31 de agosto cumpriu a sua 12ª edição. Concebida por Josué Guimarães, o escritor passo fundense autor de "Dona Anja" e de "Camilo Mortágua", a Jornada Nacional de Literatura é uma das mais louváveis iniciativas que o Brasil encontrou de divulgar este maravilhoso objeto de desejo que é o livro.
Sabemos que o Brasil lê pouco, e não é nossa intenção bater de novo nessa mesma tecla. É melhor saltar a etapa da constatação vazia e passar para soluções. Afora eventos como o de Passo Fundo, belíssimo no seu conceito e na sua forma, há muito mais que é possível fazer, no dia-a-dia, em casa mesmo, com nossos filhos ou com qualquer criança do nosso relacionamento, para desenvolver o hábito da leitura.
A primeira providência é dos pais, ao estabelecer o hábito de ler histórias para os filhos. Nietzsche relatou, em seus "Escritos autobiográficos", que sua mãe o ensinou a ler e escrever, antes mesmo que ele ingressasse na Escola Primária de Naumburg. E o ensinou tão cedo porque uma das recordações mais vivas de sua primeira infância foi a do escritório onde seu pai preparava suas pregações destinadas à pequena igreja luterana da cidade de Röcken. No escritório, estantes repletas de livros, muitos deles com numerosas ilustrações, as quais faziam daquele lugar o seu preferido na casa.
As escolas devem assumir estratégias de incentivo à leitura, também, como a leitura de contos em voz alta pelas crianças, para incentivar a expressividade e a oralidade. E dramatizações, a cargo de contadores de histórias.
Os professores, por sua vez, devem escolher livros que despertem a atenção das crianças, evitando livros que bloqueiem o desejo da leitura. Todos os autores são fascinantes, mas é necessário planejar o caminho da leitura.
A mídia pode participar ativamente, como fazem Gilberto Braga, Walcyr Carrasco e outros, divulgando em suas novelas autores nacionais e incentivando a leitura. Os programas jornalísticos também podem apoiar, divulgando, por exemplo, iniciativas populares de criação de bibliotecas nas comunidades.
E, ao final, o governo pode e deve executar ações como programas que estimulem a criança a levarem livros para a casa. Desta forma, poderemos ter mais crianças como a personagem de Clarice Lispector, que às vezes se sentava na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. "Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante." Este é o tamanho da paixão que a leitura desperta.

Um comentário:

marli lopes disse...

Definir Gabriel Chalita...Amor... em verso em prosa... se todos fossem igual a você....que falta você faz na secretaria da educação

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