"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)

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quinta-feira, 12 de julho de 2007

DESEJO À VOCÊ


DESEJO À VOCÊ...


  Sorrisos


quando a tristeza invadir o seu coração.


  Arco-Íris


para você seguir as nuvens.


  Risos


que beijem os seus lábios.


  Abraços


Quando a alegria não estiver contigo.


  Amigos


Que iluminem o seu ser e o seu dia.


  Confiança


Quando a dúvida aparecer.  


Fé


Para que você acredite na sua força.


  Coragem


Para conhecer a você mesmo.


  Paciência


Para aceitar a realidade.


  Amor


Para você oferecer a todos em sua volta!

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DOIS E DOIS:QUATRO




Como dois e dois são quatro


sei que a vida vale a pena


embora o pão seja caro


e a liberdade pequena


Como teus olhos são clarose a tua pele,


morena como é azul o oceano e a lagoa,serena


Como um tempo de alegriapor trás do terror me acena


e a noite carrega o diano seu colo de açucena


— sei que dois e dois são quatro


sei que a vida vale a pena mesmo que o pão seja caro


e a liberdade, pequena.




(Ferreira Gullar)



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FIZERAM A GENTE ACREDITAR...


"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo


Amor pra valer só acontece uma vez


Não contaram que amor não é acionado


Nem chega com hora marcada


Fizeram a gente acreditar


Que cada um de nós é a metade de uma laranja


E que a vida só ganha sentido


Quando encontramos a outra metade


Não contaram que já nascemos inteiros


Ninguém na vida merece carregar nas costas


A responsabilidade de completar o que nos falta


A gente cresce através da gente mesmo


E se estivermos em boa companhia


É só mais agradável


Fizeram a gente acreditar


Que só há uma fórmula de ser feliz


A mesma para todosOs que escapam dela estão


Condenados à marginalidade


Não contaram que estas fórmulas dão errado


Frustram as pessoas são alienantes


E que podemos tentar outras alternativas


Cada um vai ter que descobrir sozinho


E quando você estiver


Muito apaixonado por você mesmo


Vai poder ser muito feliz


E se apaixonar por alguém."




(John Lennon)


,

terça-feira, 10 de julho de 2007

ESPORTE:EDUCAÇÃO PELA SUPERAÇÃO


"Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo./Rumo do céu?/Que importa a rota./Voa e canta enquanto resistirem as asas." (O vôo - Menotti Del Picchia)


Nossa existência é composta de obstáculos, desafios, grandes e pequenas modalidades de lutas que exigem empenho, dedicação, garra e perseverança de seus atletas. Seres humanos que estão em constantes campeonatos, em inúmeros certames, em incontáveis disputas e jogos cujos resultados são, comumente, o reflexo perfeito de nossos esforços.


A verdade é que, nos torneios que compõem nossa história, enfrentamos provas diversas vencidas apenas por aqueles que conseguem superar-se a cada fracasso, a cada derrota, a cada dificuldade experimentada. A vida é mesmo uma escola, uma olimpíada, uma possibilidade de aprender, de evoluir, de enfrentar medos, frustrações e limitações que nos impediriam de ir além se não os enfrentássemos.


Neste mundo cada vez mais competitivo em que vivemos, nesta era em que a conquista do conhecimento representa a medalha de ouro, cabe a nós, educadores, incentivarmos nossos aprendizes a dar o melhor de si. A jamais desistir dessa corrida rumo à descoberta. Rumo à compreensão de que o importante, sobretudo, não é a chegada, mas a beleza do caminho. Um caminho em que obtenham a percepção de que não há troféu, medalha, honra ou glória sem determinação extrema, sem sacrifícios ou lágrimas.



Nossa grande missão é fazer com que meninos e meninas, moças e rapazes que ainda estão no começo dessa fascinante olimpíada que é a vida recebam o estímulo, o apoio e os instrumentos para que suas trajetórias sejam bem-sucedidas. Precisamos atuar como guias, treinadores, mentores que os conduzam pelas veredas da arte, da técnica, da prática, da teoria. Líderes seguros, capazes de despertar nesses atletas iniciantes qualidades e virtudes, competências e habilidades, talentos e criatividade.



Que todos possamos exercer esse ofício com paixão e que sejamos capazes de apontar um norte, uma direção, uma estrada que ofereça aos aprendizes a possibilidade de um futuro digno, de um Brasil e de um mundo melhores. A todos vocês, educadores, mentores, orientadores das novas gerações, verdadeiros campeões da educação, o nosso muito obrigado e toda a nossa admiração e respeito.


GABRIEL CHALITA





Texto publicado na Revista Profissão Mestre, edição de maio de 2007

segunda-feira, 9 de julho de 2007

TE AMO















→ Te αmo αgorα




→ Te αmo depois




→ Te αmo quαndo ficαr




→ Te αmo quαndo for




→ Te αmo quαndo chover




→ Te αmo quαndo fizer sol




→ Te αmo αqui




→ Te αmo lα




→ Te αmo em todo lugαr




→ Te αmo quαndo vc estiver αo meu lαdo




→ Te αmo quαndo vc disser αdeus




→ Te αmo o dia todo




→ Te αmo todos os diαs




→ Te αmo nos meus sonhos




→ Te αmo nos momentos mαis felizes




→ Te αmo nos momentos mαis triste




→ Te αmo nos momentos mαis dificeis




→ Te αmo αo sorrir




→ Te αmo αo chorαr




→ Te αmo de segundα α segundα




→ Te αmo intensamente




→ Te αmo de um jeito simples




→ Te αmo de um jeito complicαdo




→ Te αmo de um jeito diferente




→ Te αmo nαs melhores e piores fαses




→ Te αmo quαndo estou com vc




→ Te αmo quαndo nαo estou com vc




→ Te αmo no verαo




→ Te αmo no inverno




→ Te αmo quαndo vc errαr




→ Te αmo quαndo vc chorαr




→ Simplismente Te αmo!










.......








domingo, 8 de julho de 2007

AVE,ROSAS E O SERTÃO NOSSO DE CADA DIA


O mês de julho foi testemunha do aniversário de 50 anos do lançamento de Grande Sertão: Veredas. Há 50 anos, portanto, temos a ventura de conviver com uma leitura que encerra um universo aberto, que abre um universo cerrado, numa ambigüidade do mestre que sempre ensina mas que, "de repente, aprende". Será possível medir o que significou para a literatura brasileira o advento desse alentado deleitado romance, ousado na linguagem, na temática, na abordagem e na construção?

Linha a linha, mestre Rosa constrói no diapasão da metalinguagem uma história de amor, recheada da sabedoria cabocla, com a fina observação do homem, do espaço e de como um vice-versamente interfere sobre o outro. Grande Sertão: Veredas é um inspirado questionamento do íntimo de cada pessoa humana que é toda pessoa humana. Pois se o sertão está dentro de cada um, e se o sertão é o mundo, então o mundo inteiro está dentro de cada pessoa. A universalização das individualidades ganha o seu complementar contrário na individualização dos universos. E aí está a riqueza de Rosa: o sertão é a cidade, a cidade é o sertão, ambos são o mundo, e o homem está em todo lugar. Dúvidas e certezas, conflitos e convergências, ficam mescladas na natureza de cada homem. A sabedoria só era cabocla por causa da intenção de registrar a poética do falar sertanejo, mas pode ser vista como a sabedoria de cada homem que é todo homem, e que cabe em qualquer lugar, não só em Minas Gerais.

Guimarães Rosa construía cada obra de dentro para fora. Era ele assimilando o mundo e devolvendo o que enxergou, sob a forma de narrativas trabalhadas.

Como bom narrador, Guimarães Rosa está, ele mesmo, dentro do romance. Observa, de dentro, no tremer da luta, as situações e as almas. Ele é, por exemplo, o interlocutor de Riobaldo, o misterioso ouvinte, que ouve o relato do guerreiro e a sua travessia pelo caráter do sertanejo.

Como bom narrador, Guimarães Rosa está dentro de outra história, como o menino piticego que ganha óculos e aí sim começa a enxergar o mundo, a vida. Nova travessia.

Como bom narrador, Guimarães Rosa está testemunhando tudo, postado na terceira margem do rio, vendo o viver e o esperar de pai, filho e espírito santo, na trilogia da religiosidade barroca. Travessia, outra vez.

São histórias outras e simultaneamente as mesmas, enredadas como corpos, nos bailes das Gerais. Todas as histórias, seja num livro ou em outros, são veredas que deságuam num mesmo rio grande, em viagem grandota como a de Mário de Andrade.

Conheci pessoas que conheceram o mestre Rosa, e que me falavam do jeito acanhado desse mineiro do burgo do coração. Contavam de como ele, muito míope, apertava bastante os olhos para ver melhor o interlocutor. Querendo ver, "eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente."

Matéria vertente é a matéria fundamental, a vida, a origem da vida, o bem e o mal, os contrastes do físico e do metafísico. É sobre isso que meditou o Joãozito. Para, depois, dividir conosco, seus leitores, o que resolveu contar. Não sem sofrer, porque a criação é trabalhosa. "Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas - de fazer balance, de se remexerem dos lugares."

As coisas mudam de lugar na memória da gente. Ganham uma certa névoa de esquecimento, que perturba a limpidez da lembrança. Mas, em nossa memória coletiva, João Guimarães Rosa tem lugar certo, cristalino e bom. Bem no pedestal, onde ficam os melhores.

DESAFIOS DA EDUCAÇÃO



É oportuno, neste momento de comemorações do Dia do Professor, compartilhar algumas reflexões sobre a educação.
Houve tempo em que estudar era ser posto à prova, era enfrentar vicissitudes para temperar o espírito, segundo os paradigmas da época. Tratava-se de um combate, que evitava o prazer e valorizava o sacrifício. Todos nos lembramos do relato de Raul Pompéia: "Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta." Também nos lembramos do chefe timbira, de Gonçalves Dias, que diz ao filho: "Coragem, meu filho, que a vida, é luta renhida, viver é lutar."
Provação. Era disto que se tratava a vida e a escola.
Mas a pedagogia avançou. Hoje sabemos que viver é enfrentar, mas não é amargurar; que estudar é buscar, superar, mas não é desesperar. O aprendizado deve ser prazeroso, e este pode ser o desafio mais importante do profissional de educação. Talvez tenha sido Cecília Meirelles quem fez a síntese mais poética do que seja ensinar. Para a doce poeta e educadora, ensinar é "acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica ou de salvação - mas por uma contemplação poética afetuosa e participante."
E aí está em que se baseia a educação: afeto e solidariedade. E compreensão. Até para o erro. Edgar Morin costuma dizer que todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. Para ele, "o maior erro seria subestimar o problema do erro; a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão."
Em meu livro Educação: a solução está no afeto, falo das três habilidades que acredito que precisam ser desenvolvidas no aprendiz: cognitiva, emocional e social. Quando um aluno erra, o professor preparado corrige, mas não censura, disciplina, mas não ridiculariza, repara, mas não condena. O educador não pode mais assumir o papel de detentor absoluto do conhecimento, embora deva se manter em contínua capacitação. Deve ser mais do que apenas o facilitador da busca do conhecimento pelo aprendiz. Deve ser um instigador. O professor que faz jus ao título de educador estimula a cooperação, porque a palavra que sintetiza o conceito da educação contemporânea é a reciprocidade. Estimula a vivência, a comparação, a análise crítica, o intercâmbio de idéias e de experiências. Tem ou desenvolve habilidade para fazer com que os talentos sejam exteriorizados. E desse modo descobre capacidades e orienta realizações.

Triste é o educa­dor que já não acredita mais na capacidade de aprendiza­do, que não se debruça para examinar melhor a peculiaridade de cada aprendiz. Este não ensina nem apren­de. Porque a educação não é pesar, é prazer.
Em resumo: trabalhar em equipe, resolver problemas, saber ensinar e aprender a ser solidário. Eis o que é ensinar! O mundo da competitividade é o mundo da heterogeneidade. Comparar pessoas diferentes - e não há pessoas iguais - é desestimular a criatividade e a autonomia.
"A melhor aprendizagem ocorre quando o aprendiz assume o comando de seu próprio desenvolvimento em atividades que sejam significativas e lhe despertem o prazer". A frase é do sul-africano Seymour Papert, matemático, professor do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e pai da Inteligência artificial, um dos maiores visionários do uso da tecnologia na educação. Em 1960 já dizia que toda criança deveria ter um computador em sala de aula. Mas a tecnologia sozinha não representa evolução na forma de educar. O computador é ferramenta, é apoio, é máquina, e máquina alguma substitui o professor - este sim, a alma da educação. O professor não pode ser como um disco de memória de computador, apenas um depósito de informação.
Há muitas formas de desenvolver conhecimento, mas o ato de educar só se dá com afeto, só se completa com amor. E a educação se realiza porque, junto com o amor, surge compromis­so, respeito, a necessidade de continuar a estudar sem­pre, de preparar aulas mais participativas.
A educação é, em todas as suas dimensões, um gran­de desafio. Um desafio que depende em sua maior parte do professor, a quem venho reverenciar nesta data comemorativa. É o professor que fará, com dignidade e respeito - que são, afinal, formas de amor - com que a educação se transforme em puro prazer de viver.

Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.



Amor é dado de graça,

é semeado no vento,na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionáriose a regulamentos vários.




Eu te amo porque não amobastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.




Amor é primo da morte,e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.



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CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

ENSINAMENTO

Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo.
Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
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ADÉLIA PRADO

UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO

I

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a)Que o esplendor da manhã não se abre com faca

b)0 modo como as violetas preparam o diapara morrer

c)Por que é que as borboletas de tarjasvermelhas têm devoção por túmulos

d)Se o homem que toca de tarde sua existêncianum fagote, tem salvação

e)Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos

f) Como pegar na voz de um peixe

g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.

Etc.

etc.

etc.

Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.


IV


No Tratado das Grandezas do Ínfimo estavaescrito:

Poesia é quando a tarde está competente paraDálias.

É quandoAo lado de um pardal o dia dorme antes.

Quando o homem faz sua primeira lagartixa

É quando um trevo assume a noite

E um sapo engole as auroras

IX


Para entrar em estado de árvore é precisopartir de um torpor animal de lagarto às3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescerem nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica atéo mato sair na voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores
.

IX


O rio que fazia uma volta atrás de nossa casaera a imagem de um vidro mole que fazia umavolta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse:
Essa voltaque o rio faz por trás de sua casa se chamaenseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidroque fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.


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Manoel de Barros

PROCURA DA POESIA



Não faças versos sobre acontecimentos.Não há criação nem morte perante a poesia.Diante dela, a vida é um sol estático,não aquece nem ilumina.As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.Não faças poesia com o corpo,esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escurosão indiferentes.Nem me reveles teus sentimentos,que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.O canto não é a naturezanem os homens em sociedade.Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.A poesia (não tires poesia das coisas)elide sujeito e objeto.Não dramatizes, não invoques,não indagues. Não percas tempo em mentir.Não te aborreças.Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de famíliadesaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.Não recomponhastua sepultada e merencória infância.Não osciles entre o espelho e amemória em dissipação.Que se dissipou, não era poesia.Que se partiu, cristal não era.Penetra surdamente no reino das palavras.Lá estão os poemas que esperam ser escritos.Estão paralisados, mas não há desespero,há calma e frescura na superfície intata.Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.Espera que cada um se realize e consumecom seu poder de palavrae seu poder de silêncio.Não forces o poema a desprender-se do limbo.Não colhas no chão o poema que se perdeu.Não adules o poema. Aceita-ocomo ele aceitará sua forma definitiva e concentradano espaço.Chega mais perto e contempla as palavras.Cada umatem mil faces secretas sob a face neutrae te pergunta, sem interesse pela resposta,pobre ou terrível, que lhe deres:Trouxeste a chave?Repara:ermas de melodia e conceitoelas se refugiaram na noite, as palavras.Ainda úmidas e impregnadas de sono,rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

HAVIA AMOR NO MEIO DO CAMINHO



Que o mestre Carlos Drummond de Andrade – estrela que nos ilumina – me permita esta licença poética: "Havia amor no meio do caminho".


É a única expressão que posso pensar em usar para responder indagações que tenho feito durante a minha vida inteira sobre o magistério.


Que missão é essa que espalha o conhecimento, propaga o saber e gera idéias? Que missão é essa cujo objetivo é formar pessoas e cultivar sentimentos, esperanças, sonhos, expectativas, desejos e quereres de todos os tamanhos, tipos e gêneros?


Que missão é essa de ser, ao mesmo tempo, cúmplice e referencial?


A resposta para essas questões pulsa com intensidade nos corações de milhares de professores de todo o mundo: missionários da educação, construtores de amanhãs, semeadores de um tempo melhor, mais belo, fraterno e igualitário.


Em síntese, a missão do amor.Tocar, envolver, mover enfim a alma planetária de crianças e jovens ávidos de um futuro ainda em gestação...


Nisso consiste o ofício gratificante de educar, de preparar as novas gerações, de guiá-las rumo a um novo tempo que transcenderá as ações, os projetos e as idéias desses aprendizes que estão, neste mesmo instante, recebendo os ensinamentos dos educadores do século XXI.


Mestres que conduzirão os alunos ao vôo infinito e instigante do aprendizado...


Educar é possibilitar ao outro as condições necessárias à transcendência, à superação de suas limitações, à concretização de seus ideais, à realização dos sonhos. Educar é criar, impulsionar e capacitar para a vida.


É conceder ao outro a aquisição de saberes essenciais a uma existência digna e promissora.


Das primitivas e milenares histórias de amor aos grandes sucessos tecnológicos do novo milênio, sempre há a figura do professor.


São fundamentais essas criaturas, e não importa se ganham a fama e o reconhecimento geral ou se permanecem no anonimato da vida nos rincões afastados, todos praticam a saudável premissa de acreditar na semeadura e na colheita.Todos tivemos professores.


De nossa relação com eles, levamos conosco, vida adiante, sentimos carregados de alguma negatividade.


Somos suscetíveis àquelas muito humanas antipatias, pequenos rancores e, por que não?, traumas.


Levamos, entretanto, em nossa alma construída a partir do encontro com essas pessoas um número expressivamente maior de lembranças positivas. Recordações de majestosos exemplos, instantâneos vívedos de amizade, flashes de um olhar. Sutilezas.


Tudo muito mágico.Se há no mundo alguns magoados que vivem de lamúrias, que reclamam a cada novo amanhecer porque nem têm olhos para contemplá-lo...


Se há no mundo alguns magoados que vivem de queixumes, clamando contra tudo e todos – há no mundo inquietos, pessoas que acreditam na própria luz e que iluminam.


Trabalham, rompem os obstáculos e se lançam ao horizonte que podem construir.É preciso homenagear o professor. É preciso fazê-lo todos os dias.


É a profissão, de todas, a mais nobre.


O professor alicerça alma, antecipa a plenitude, prepara para a vida e para os desafios.Que estas palavras, em sua totalidade, consigam fortalecer em todos os educadores – e apaixonados pela educação – a certeza de que sua missão como semeadores e multiplicadores de esperanças, sonhos e amanhãs é fundamental para que a humanidade prossiga sua aventura de forma mais confiante e corajosa.


Lembremos que todos os atros que pertencem à galáxia da humanidade precisam ou precisaram, em suas vidas, do apoio, do incentivo e do sorriso confiante de um professor...

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Gabriel Chalita
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Trecho do livro: "Histórias de professores que ninguém contou"




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SÁBIOS CONSELHOS DE D. BOSCO




Sábios Conselhos de D. Bosco

1. Valorize o seu filho. Quando respeitado e estimado, o jovem progride e amadurece.
2. Acredite no seu filho. Mesmo os jovens mais 'difíceis' trazem bondade e generosidade no coração.
3. Ame e respeite o seu filho. Mostre a ele, claramente, que você está ao seu lado, olhe nos olhos. Nós é que pertencemos a nossos filhos, não eles a nós.
4. Elogie seu filho sempre que puder. Seja sincero: quem de nós não gosta de um elogio?
5. Compreenda seu filho. O mundo hoje é complicado, rude e competitivo. Muda todo dia. Procure entender isto. Quem sabe ele está precisando de você, esperando apenas um toque seu.
6. Alegre-se com o seu filho. Tanto quanto nós, os jovens são atraídos por um sorriso; a alegria e o bom humor atraem os meninos como mel.
7. Aproxime-se de seu filho. Viva com o seu filho. Viva no meio dele. Conheça seus amigos. Procure saber onde ele vai, com quem está. Convide-o a trazer seus amigos para a sua casa. Participe amigavelmente de sua vida.
8. Seja coerente com o seu filho. Não temos o direito de exigir de nosso filho atitudes que não temos. Quem não é sério não pode exigir seriedade. Quem não respeita, não pode exigir respeito.O nosso filho vê tudo isso muito bem, talvez porque nos conheça mais do que nós a ele.
9. Prevenir é melhor do que castigar o seu filho. Quem é feliz não sente a necessidade de fazer o que não é direito. O castigo magoa, a dor e o rancor ficam e separam você do seu filho. Pense, duas, três, sete vezes, antes de castigar. Nunca com raiva. Nunca.
10. Reze com seu filho.
No princípio pode parecer 'estranho'. Mas a religião precisa ser alimentada. Quem ama e respeita a Deus vai amar e respeitar o seu próximo. 'Quando se trata de educação não se pode deixar de lado a religião'.

PROCUREM A MÃE




Os franceses têm uma frase muito conhecida: "Cherchez la femme!" Significa: "Procurem a mulher!" E a idéia aqui implícita é de que em qualquer situação sempre há uma mulher atuando, para o bem ou para o não bem.Eu vou adaptar essa frase e de um modo exclusivamente positivo. "Cherchez la mère!" Procurem a mãe!Por trás de todo grande homem, ou melhor, em sua frente, existe uma grande mãe.Todo homem que age com segurança, que sabe o que quer, que luta por seus princípios e que está sempre disposto a se entregar com generosidade para realizar grandes empreendimentos, teve em sua mãe esse modelo de generosidade, de força, de amor aos ideais.Todo homem que, depois, se torna pai e que procura educar seus filhos com braço firme, mas desenvolve a ternura, a compaixão, a delicadeza, é porque descobre também que sua mãe lhe deixou, no coração e na alma, uma boa dose de maternidade e de doçura.Todo homem que defende a vida, sobretudo nos momentos de crise, mas todos os dias, nos pequenos conflitos do cotidiano, que se preocupa com os direitos humanos de todos, que se desdobra para ser uma pessoa socialmente útil, é porque, em sua casa, recebeu inspiração decisiva na figura da mãe.Todo homem que veio ao mundo, diga ele Mãe, em português; ou Madre, em espanhol; ou Mother, em inglês; oi Mutter, em alemão; ou Math, em russo; ou Mama, em árabe; não importa a língua, ele sempre o dirá com carinho e, quando fizer seus agradecimentos, seja ao escrever um livro, seja ao receber um Prêmio Nobel, dirá, emocionado, que sua mãe foi uma grande mestra e sua grande amiga, a pessoa que, naquele momento, merecia estar presente para receber todos os aplausos.Procurem a mãe!




Trecho do livro: Carta aberta para minha mãe-Gabriel Chalita


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O PODER DAS NOSSAS PALAVRAS








Um dos mais excelentes dons que Deus nos deu foi a palavra. Alguém já disse que elas são mais poderosas que os canhões. De fato, um canhão pode ser aprisionado, mas aprisionar a palavra não será possível. Como tudo o que Deus fez, também a palavra é bela, construtora do bem e da paz; encanta os corações e as mentes; contudo, mal empregada pode ser muito destruidora. Através dela geramos grandes amizades, elevamos o ânimo abatido do irmão que sofre, despertamos forças adormecidas; mas também, podemos destruir a honra e a imagem do outro, sufocá´lo até a asfixia de suas forças e podemos gerar a guerra. É incrível o poder da palavra! Ela leva consigo o próprio espírito e poder da pessoa que a comunica. Jesus disse que: ´A boca fala daquilo que está cheio o coração´ (Lc 6,45). Se você só pensa em política, você fala de política. Se você só pensa em dinheiro e em negócios, você também só fala de dinheiro e de negócios. Se você pensa em Deus, gosta de falar de Deus... e assim por diante. Se o seu coração estiver em paz; vivendo na mansidão, na humildade, cheio de misericórdia, também as suas palavras transmitirão essas virtudes. Mas se o seu coração for exaltado, rebelde, violento, cheio de ódio... cuidado com as suas palavras, elas transmitirão o seu espírito. As palavras ´mostram´ o coração. Pela palavra, Jesus curou cegos e leprosos, expulsou demônios, multiplicou pães, acalmou os ventos e o mar... ressuscitou mortos, amaldiçoou a figueira estéril (Mc 11,14). Também nossas palavras poderão fazer milagres de alegria ou de dor, conforme esteja o nosso coração. Mais uma vez, portanto, é preciso insistir na mudança do coração e na sua conversão segundo a lei de Deus, porque: ´É do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraude, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e loucura´ (Mc 7, 21). Sem um coração puro, uma consciência bem formada e um espírito vigilante, nossas palavras poderão ser mais destruidoras do que edificadoras. Não é à toa que São Paulo nos exorta: ´Nenhuma palavra má saia de vossas bocas, mas só boas palavras que sirvam para edificação e que sejam benfazejas aos que a ouvem´ (Ef. 4,29). Sem dúvida, a palavra má é destruidora. Destrói o irmão, machuca o seu ser, fere a sua sensibilidade, julga, condena e difama sem piedade, inescrupulosamente. Por isso Jesus nos proibiu terminantemente de julgar alguém. ´Não julgueis para que não sejais julgados, pois com a mesma medida com que medirdes sereis medidos´ (Mt 7,1´2). Está claro, quem quiser acolher a misericórdia de Deus e não ser julgado por Ele, terá que não julgar o outro. Quem julga o outro aborrece a Deus, porque, julgando´ o, e condenando´o, no fundo acha´se melhor que ele. É um ato de orgulho e de soberba que ofende a Deus, Pai de todos. É conhecida a estória daquela mulher que foi se confessar e disse ao padre que tinha difamado uma amiga, falando mal dela às outras. Após o perdão, o sacerdote deu´lhe como reparação dos pecados soltar do alto da torre da igreja um saco cheio de penas. Após cumprir a penitência, a mulher foi comunicar ao sacerdote, que lhe disse: ´agora a senhora vai juntar todas as penas que o vento levou´. Assim como é impossível juntar todas essas penas, é quase impossível restaurar os efeitos destruidores da calúnia, da fofoca e dos julgamentos indevidos. Vale a pena meditar a séria exortação de São Tiago: ´Se alguém não cair por palavras, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo. Quando pomos o freio na boca do cavalo, para que nos obedeça, governamos também todo o seu corpo. Vede também os navios, por grandes que sejam e embora agitados por ventos impetuosos, são governados por um pequeno leme à vontade do piloto. Assim também a língua é um pequeno membro, mas pode gloriar´se de grandes coisas. Uma pequena chama pode incendiar uma floresta. Com a língua bendizemos o Senhor nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens feitos à semelhança de Deus´ (Tg 3,1´12). Seremos também julgados por nossas palavras. Por tudo de bom que construirmos com ela seremos premiados . E tudo o que tivermos destruído com elas, teremos que reconstruir, ainda que seja no Purgatório, se Deus nos permitir. É preciso tomar consciência do poder que possuem as palavras, para com elas fazermos apenas o bem. Jesus disse: ´Eu vos digo, no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado´(Mt 12,36). Ao explicar esse versículo, a Bíblia de Jerusalém diz que ´não se trata simplesmente de palavras ´ociosas´, mas de palavras ´perversas´; em suma, calúnia´. Portanto, teremos de prestar contas ao Senhor de toda calúnia proferida contra o irmão. A razão disto é que a calúnia fere profundamente a pessoa ofendida; é um pecado contra a caridade; e Deus, que é Amor, não suporta o pecado contra o amor. Um dos mandamentos é: ´Não levantar falso testemunho´. Há um lógica profunda quando o Senhor diz que seremos julgados por nossas palavras; pois elas expressam o conteúdo que vai no nosso coração. Jesus, tomou o cuidado de dizer que: ´A boca fala daquilo que está cheiro o coração´ (Mt 12,34). Assim como um mau hálito pode significar, muitas vezes, que algo não vai bem no estômago, da mesma forma as más palavras indicam que algo não está bem no coração. ´A chicotada faz um ferimento, porém uma língua má quebra os ossos´ ( Eclo 28,21 ). ´Feliz o homem que não pecou por palavras´ (Eclo14,1). ´Muitos homens morreram pela espada, mas não tanto quanto morreram pela lingua´( Eclo 28,22). O provérbio popular diz que ´o peixe morre pela boca´; muitos homens morrem por suas palavras. Quem fala o que não deve, acaba escutando o que não quer. Sejamos prudentes no falar, dispostos a muito ouvir e cautelosos no falar.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

AUTOPISCOGRAFIA


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda Gira,

a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

PELA RUA JÁ SERENA


Pela rua já serena

Vai a noite

Não sei de que tenho pena,

Nem se é pena isto que tenho...

Pobres dos que vão sentindo Sem saber do coração!

Ao longe, cantando e rindo,

Um grupo vai sem razão...

E a noite e aquela alegria

E o que medito a sonhar

Formam uma alma vazia

Que paira na orla do ar...



Fernando Pessoa

DORMIR ENQUANTO OS VENTOS SOPRAM




Alguns anos atrás, um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do atlântico.
Ele constantemente anunciava que estava precisando de empregados.
A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar em fazendas ao longo do atlântico.
Temiam as horrorosas tempestades que variam aquela região, fazendo estragos nas construções e nas plantações.Procurando por novos empregados, ele recebeu muitas recusas.
Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se aproximou do fazendeiro.- Você é um bom lavrador?
Perguntou o fazendeiro.
- Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.
Respondeu o pequeno homem.
Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou. O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer até o anoitecer e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem. Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente.
O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados.
Sacudiu o pequeno homem e gritou,
- Levanta! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejam arrastadas!
O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente,
- Não senhor. Eu lhe falei, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.
Enfurecido pela resposta, o fazendeiro estava tentado a despedi-lo imediatamente. Em vez disso, ele se apressou a sair e preparar o terreno para a tempestade.
Do empregado, trataria depois. Mas, para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo.
As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas.
As janelas bem fechadas e seguras.
Tudo foi amarrado.
Nada poderia ser arrastado.
O fazendeiro então entendeu o que seu empregado quis dizer, então retornou para sua cama para também dormir enquanto o vento soprava.
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A LIÇÃO DA BORBOLETA

Um homem, certo dia, viu surgir uma pequena abertura num casulo.
Sentou-se perto do local onde o casulo se apoiava e ficou a observar o que iria acontecer, como é que a lagarta conseguiria sair por um orifício tão miúdo.

Mas logo lhe pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso, como se estivesse feito todo o esforço possível e agora não conseguisse mais prosseguir. Ele resolveu então ajudá-la: pegou uma tesoura e rompeu o restante do casulo. A borboleta pode sair com toda a facilidade...

Mas seu corpo estava murcho; além disso, era pequena e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observá-la porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se estendessem para serem capazes de suportar o corpo que iria se firmar a tempo. Nada aconteceu!

Na verdade a borboleta passou o restante de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas.

Nunca foi capaz de voar.O que o homem em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura, era o modo pelo qual deus fazia com que o fluido do corpo daquele pequenino inseto circulasse até suas asas para que ela ficasse pronta para voar assim que se livrasse daquele invólucro.

Algumas vezes o esforço é justamente aquilo de que precisamos em nossa vida.

Se deus nos permitisse passar através da existência sem quaisquer obstáculos, ele nos condenaria a uma vida atrofiada.

Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido.

Nunca poderíamos alçar vôo.



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O AVÔ E OS LOBOS

Um velho avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça:"Deixe-me contar-lhe uma historia.
Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que 'aprontaram' tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram.

Todavia, o ódio corrói você, mas não fere seu inimigo.

É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos".E ele continuou:"É como se existissem dois lobos dentro de mim.

Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta”.

"Mas, o outro lobo, ah! este é cheio de raiva.

Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira!

Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo.

Ele não pode pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes.

É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma!

"Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:

"E qual deles vence, vovô?"

O avô sorriu e respondeu baixinho:

"Aquele que eu alimento mais frequentemente".



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O VINHO





Na Itália, numa aldeia das montanhas, os camponeses durante a Idade Média, tinham o hábito de anualmente fazer da colheita uma festa.
Esta festa era esperada com muita ansiedade por todos, comemorada com tudo o que tinham direito na época e comentada ao longo do ano.
Para essa festa, todo morador da aldeia contribuía com uma garrafa do melhor vinho de sua fabricação onde cada um despejava num grande barril na praça central da aldeia.
O ponto alto da comemoração era a abertura do barril, solenidade que atraía gente de todos os lugares que vinham degustar o famoso vinho, resultado da somatória de muitas garrafas de vinho selecionado.
Certa vez, um dos moradores que há muitos anos participava da festa pensou:
- “Por que vou levar uma garrafa do meu melhor vinho?
Vou levar uma garrafa de água, já que no meio de tanto vinho o meu não fará falta...”
Quando chegou a sua vez de despejar o seu “vinho”, fez de forma disfarçada para que os outros não percebessem.
No momento culminante da festa, a abertura do barril, todos estavaM lá com suas canecas prontos para saborear o famoso vinho.
Qual não foi a surpresa, na abertura da grande torneira, dela só saia água...
Eram litros e litros de pura água...
Todos os moradores tinham pensado a mesma coisa:
“Por que vou levar uma garrafa do meu melhor vinho, se no meio de tanto não fará falta?”.
Muitas vezes somos tentados a pensar dessa forma.
É preciso fazermos a nossa parte, isto não tem importância e talvez nem seja notado, pois há tantas outras pessoas ao nosso redor.
O que aconteceria se no mundo todos pensassem que sua parte não fará falta?
Por isso por menor que seja a nossa atitude ela é essencial quando nos colocamos a disposição para ajudar alguém.
Muitas vezes depende apenas de um gesto muito simples: um olhar, um sorriso ou uma mão estendida.
Não vamos esconder o “nosso melhor vinho”, e sim dar o que temos de mais precioso para edificação do irmão.
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A PESCARIA MAIS IMPORTANTE DA MINHA VIDA


Ele tinha onze anos e, a cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais junto ao chalé da família, numa ilha no meio de um lago de New Hampshire.

A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas ele e o pai saíram no fim da tarde para pegar peixes-lua e percas, cuja pesca era liberada.

O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo as ondulações se tornaram prateadas por causa do efeito da Lua nascendo sobre o lago.Quando o caniço vergou, soube que havia algo enorme do outro lado da linha.

O pai olhava com admiração enquanto o garoto habilmente arrastava o peixe ao longo do cais.Finalmente, com muito cuidado, ele levantou o peixe exausto da água. Era o maior que já tinha visto, mas era um dos peixes cuja pesca não era permitida.O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para trás e para a frente sob a luz da lua.

O pai olhou para o peixe, depois para o menino.

- Você tem de devolvê-lo, filho

– ele disse.- Mas, papai!

– reclamou o menino.

- Vai aparecer outro peixe

– disse o pai.- Não tão grande como este

– choramingou o filho.

O menino olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou barcos visíveis ao luar. Olhou novamente para o pai.Mesmo sem ninguém por perto, o garoto sabia, pela clareza da voz do pai, que a decisão não era negociável. Devagar tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura.A criatura movimentou rapidamente seu corpo poderoso e desapareceu.

O menino desconfiou que jamais veria um peixe tão grande como aquele.Isso aconteceu há trinta e quatro anos.

Hoje, aquele garoto é um arquiteto de sucesso em Nova York.

O chalé de seu pai ainda está lá, na ilha do meio do lago, e ele leva seus filhos e filhas para pescar no mesmo cais.

E ele estava certo.

Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite.

Mas ele sempre vê o mesmo peixe

– repetidamente

– todas as vezes que se depara com uma questão de ética.Porque, como seu pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo e errado.

Agimos corretamente quando alguém está olhando?

Faríamos isso se nos tivessem ensinado a devolver o peixe para a água quando éramos jovens.

Porque teríamos aprendido a verdade.

PENSAMENTOS