Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você amaeste cara?Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor
"Os Educadores-sonhadores jamais desistem de suas sementes,mesmo que não germinem no tempo certo...Mesmo que pareçam frágeisl frente às intempéries...Mesmo que não sejam viçosas e que não exalem o perfume que se espera delas.O espírito de um meste nunca se deixa abater pelas dificuldades. Ao contrário, esses educadores entendem experiências difíceis com desafios a serem vencidos. Aos velhos e jovens professores,aos mestres de todos os tempos que foram agraciados pelos céus por essa missão tão digna e feliz.Ser professor é um privilégio. Ser professor é semear em terreno sempre fértil e se encantar com acolheita. Ser professor é ser condutor de almas e de sonhos, é lapidar diamantes"(Gabriel Chalita)
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quarta-feira, 30 de julho de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Alckmin atrai vereadores do PSDB e mina apoio a Kassab
Dos 11 tucanos fechados com a candidatura do prefeito, agora só restam 4
Por Carlos Marchi - Estadão
Discretamente, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) está atraindo os vereadores tucanos para apoiar sua candidatura. Cinco já gravaram mensagens para o programa de Alckmin e tiraram fotografias com ele para cartazes da campanha. Quando Alckmin se lançou candidato, 11 dos 12 vereadores tucanos se negaram a apoiá-lo e ficaram ao lado do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Hoje o núcleo de resistência a Alckmin se resume a quatro vereadores.Alckmin começou a cativar os vereadores tucanos ao pregar que fará intensa propaganda, em seu espaço de televisão e rádio, para pedir o voto de legenda no PSDB. Essa estratégia é vital para a manutenção da bancada tucana, que pulou de 7 para 13 vereadores na eleição de 2004 graças à votação do hoje deputado José Aníbal, que teve 165 mil votos, e ao voto na legenda, que em 2004 somou metade do total obtido nominalmente pelos candidatos tucanos.?PUXADORES?O PSDB vive um drama: dos seus seis primeiros colocados em 2004, cinco não concorrerão este ano. Aníbal e William Woo se elegeram deputados em 2006; Ricardo Montoro e Marcos Zerbini conquistaram vaga na Assembléia e Roberto Tripoli deixou o partido para se filiar ao PV. Para reforçar sua posição agora, os tucanos lançaram Gabriel Chalita, o ex-secretário de Educação de Alckmin, para "puxar legenda", como se diz no jargão político. Mas ele não tem o mesma densidade eleitoral de Aníbal.São Paulo costuma dar ao PSDB a maior quantidade de votos de legenda, primazia que no resto do País fica com o PT. Consciente disso, Alckmin tem acenado para os vereadores com seu decidido engajamento na pregação do voto de legenda no PSDB, o que certamente ajudará na tentativa de manter a grande bancada que os tucanos fizeram em 2004.Cinco vereadores já gravaram para o programa de Alckmin e tiraram fotografias ao lado dele: Gilson Barreto, Mara Gabrilli, Juscelino Gadelha, José Rolim e Tião Farias (o único que apoiava Alckmin desde o começo da disputa). Carlos Alberto Bezerra e Dalton Silvano não gravaram, mas foram à inauguração do comitê de Alckmin.Sem pressionar ninguém, Alckmin tem cortejado os vereadores tucanos. No dia do aniversário de Adolfo Quintas - que apóia Kassab - Alckmin ficou por 1h20 na enorme festa para 1.500 pessoas, mais tempo do que Kassab. Num terreiro que teoricamente lhe era hostil, percorreu as mesas e cumprimentou centenas de pessoas.Hoje, resistem ao assédio do ex-governador apenas quatro nomes - Gilberto Natalini, José Police Neto (Netinho), Ricardo Teixeira e Claudinho.
Por Carlos Marchi - Estadão
Discretamente, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) está atraindo os vereadores tucanos para apoiar sua candidatura. Cinco já gravaram mensagens para o programa de Alckmin e tiraram fotografias com ele para cartazes da campanha. Quando Alckmin se lançou candidato, 11 dos 12 vereadores tucanos se negaram a apoiá-lo e ficaram ao lado do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Hoje o núcleo de resistência a Alckmin se resume a quatro vereadores.Alckmin começou a cativar os vereadores tucanos ao pregar que fará intensa propaganda, em seu espaço de televisão e rádio, para pedir o voto de legenda no PSDB. Essa estratégia é vital para a manutenção da bancada tucana, que pulou de 7 para 13 vereadores na eleição de 2004 graças à votação do hoje deputado José Aníbal, que teve 165 mil votos, e ao voto na legenda, que em 2004 somou metade do total obtido nominalmente pelos candidatos tucanos.?PUXADORES?O PSDB vive um drama: dos seus seis primeiros colocados em 2004, cinco não concorrerão este ano. Aníbal e William Woo se elegeram deputados em 2006; Ricardo Montoro e Marcos Zerbini conquistaram vaga na Assembléia e Roberto Tripoli deixou o partido para se filiar ao PV. Para reforçar sua posição agora, os tucanos lançaram Gabriel Chalita, o ex-secretário de Educação de Alckmin, para "puxar legenda", como se diz no jargão político. Mas ele não tem o mesma densidade eleitoral de Aníbal.São Paulo costuma dar ao PSDB a maior quantidade de votos de legenda, primazia que no resto do País fica com o PT. Consciente disso, Alckmin tem acenado para os vereadores com seu decidido engajamento na pregação do voto de legenda no PSDB, o que certamente ajudará na tentativa de manter a grande bancada que os tucanos fizeram em 2004.Cinco vereadores já gravaram para o programa de Alckmin e tiraram fotografias ao lado dele: Gilson Barreto, Mara Gabrilli, Juscelino Gadelha, José Rolim e Tião Farias (o único que apoiava Alckmin desde o começo da disputa). Carlos Alberto Bezerra e Dalton Silvano não gravaram, mas foram à inauguração do comitê de Alckmin.Sem pressionar ninguém, Alckmin tem cortejado os vereadores tucanos. No dia do aniversário de Adolfo Quintas - que apóia Kassab - Alckmin ficou por 1h20 na enorme festa para 1.500 pessoas, mais tempo do que Kassab. Num terreiro que teoricamente lhe era hostil, percorreu as mesas e cumprimentou centenas de pessoas.Hoje, resistem ao assédio do ex-governador apenas quatro nomes - Gilberto Natalini, José Police Neto (Netinho), Ricardo Teixeira e Claudinho.
domingo, 20 de julho de 2008
Merecido apoio aos professores
VOLTO AO ASSUNTO da educação.
Chamaram-me a atenção os dados publicados pela Folha no dia 9 de junho, segundo os quais o corpo docente brasileiro está atraindo jovens de baixa qualificação: os bons alunos do ensino médio fogem do magistério, que, infelizmente, tornou-se uma profissão desprestigiada. Bem diferente foi o quadro da minha juventude, no qual a professora e o gerente do Banco do Brasil gozavam do mais alto prestígio nas comunidades em que atuavam. Eram carreiras disputadas, até para casamento...
Por curiosidade, busquei os detalhes das pesquisas citadas pela Folha, em especial a que analisa as medidas que vêm sendo tomadas pelos países que têm sucesso na educação. Neles encontrei surpresas e obviedades.No campo das surpresas, verifiquei que, mesmo nas nações ricas, os adicionais de investimento em educação não produzem necessariamente bons resultados na aprendizagem. Isso é intrigante e, ao mesmo tempo, instrutivo.
Só dinheiro não resolve o problema. Outra surpresa é que a redução do tamanho das classes tem um efeito desprezível sobre a melhoria do desempenho dos alunos.No campo das obviedades, está a importância crucial da competência e da dedicação dos professores. Há ali uma frase impactante: "A qualidade da educação não pode ser melhor do que a qualidade dos professores" (Estudo da McKinsey, apresentado pela Fundação Lemann).
Aqui está a solução do quebra-cabeça da educação. Podem-se aumentar os recursos e diminuir as classes, mas nada vai acontecer de bom se o professor não for bem preparado, comprometido e estimulado. Daí a importância de revalorizarmos a carreira de professor.Na Coréia do Sul, na Finlândia, em Cingapura e em Hong Kong -onde os alunos obtêm as melhores classificações nos testes aplicados-, os docentes vêm do topo da pirâmide em termos de preparação. Não é para menos.Voltando às surpresas, a referida pesquisa mostrou que os países que se destacam em matéria de educação pagam bons salários aos professores -sem serem espetaculares.
Isso significa que, além de uma remuneração condigna, o que atrai professores de qualidade é um bom ambiente de trabalho, a atualização contínua, o trabalho com diretores líderes e, sobretudo, o respeito à sua profissão.Ou seja, o diagnóstico está feito. Precisamos da terapia. Os planos do MEC são meritórios. Oxalá eles se transformem em realidade para formar um clima de entusiasmar jovens bem formados a entrar no magistério.
antonio.ermirio@antonioermirio.com.br
Chamaram-me a atenção os dados publicados pela Folha no dia 9 de junho, segundo os quais o corpo docente brasileiro está atraindo jovens de baixa qualificação: os bons alunos do ensino médio fogem do magistério, que, infelizmente, tornou-se uma profissão desprestigiada. Bem diferente foi o quadro da minha juventude, no qual a professora e o gerente do Banco do Brasil gozavam do mais alto prestígio nas comunidades em que atuavam. Eram carreiras disputadas, até para casamento...
Por curiosidade, busquei os detalhes das pesquisas citadas pela Folha, em especial a que analisa as medidas que vêm sendo tomadas pelos países que têm sucesso na educação. Neles encontrei surpresas e obviedades.No campo das surpresas, verifiquei que, mesmo nas nações ricas, os adicionais de investimento em educação não produzem necessariamente bons resultados na aprendizagem. Isso é intrigante e, ao mesmo tempo, instrutivo.
Só dinheiro não resolve o problema. Outra surpresa é que a redução do tamanho das classes tem um efeito desprezível sobre a melhoria do desempenho dos alunos.No campo das obviedades, está a importância crucial da competência e da dedicação dos professores. Há ali uma frase impactante: "A qualidade da educação não pode ser melhor do que a qualidade dos professores" (Estudo da McKinsey, apresentado pela Fundação Lemann).
Aqui está a solução do quebra-cabeça da educação. Podem-se aumentar os recursos e diminuir as classes, mas nada vai acontecer de bom se o professor não for bem preparado, comprometido e estimulado. Daí a importância de revalorizarmos a carreira de professor.Na Coréia do Sul, na Finlândia, em Cingapura e em Hong Kong -onde os alunos obtêm as melhores classificações nos testes aplicados-, os docentes vêm do topo da pirâmide em termos de preparação. Não é para menos.Voltando às surpresas, a referida pesquisa mostrou que os países que se destacam em matéria de educação pagam bons salários aos professores -sem serem espetaculares.
Isso significa que, além de uma remuneração condigna, o que atrai professores de qualidade é um bom ambiente de trabalho, a atualização contínua, o trabalho com diretores líderes e, sobretudo, o respeito à sua profissão.Ou seja, o diagnóstico está feito. Precisamos da terapia. Os planos do MEC são meritórios. Oxalá eles se transformem em realidade para formar um clima de entusiasmar jovens bem formados a entrar no magistério.
antonio.ermirio@antonioermirio.com.br
sábado, 19 de julho de 2008
Relacionamentos
Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
'Ah,terminei o namoro...'
'Nossa,quanto tempo?'
'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'
'É não deu...'
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo, nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama!
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez,dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós.
Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói!
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta.
É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?
Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
'Ah,terminei o namoro...'
'Nossa,quanto tempo?'
'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'
'É não deu...'
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo, nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama!
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez,dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós.
Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói!
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta.
É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Sobre simplicidade e sabedoria - Ruben Alves
Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho.Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.
No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.
Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.
Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, "as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar." O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: "Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: 'Tudo isso te darei se prostrado me adorares.'" Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o "muitos" é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: "De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?" (Mateus 16.26).
O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: "Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne" (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: "Cheguei, finalmente, ao lar". Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.
Diz o Tao-Te-Ching: "Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa."Diz T. S. Eliot: "Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?"Diz Manoel de Barros: "Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha."
Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: "A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. "A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, "precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço." Mas o sábio está à procura das "coisas dignas de serem conhecidas". Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: "De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?" E assim, depois de meditar, escolhe um...
A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.
O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de "Resta..." Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. "Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas..." "Resta essa capacidade de ternura..." "Resta esse antigo respeito pela noite..." "Resta essa vontade de chorar diante da beleza...". Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.
As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: "Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás..." Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.
Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.
Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: "Papai, eu gosto muito de você!"; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: "Veja como estão agradecidas!" Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.
Diz Guimarães Rosa que "felicidade só em raros momentos de distração..." Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: "É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai..." Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Concerto para corpo e alma, pg. 09.)
No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.
Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.
Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, "as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar." O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: "Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: 'Tudo isso te darei se prostrado me adorares.'" Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o "muitos" é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: "De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?" (Mateus 16.26).
O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: "Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne" (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: "Cheguei, finalmente, ao lar". Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.
Diz o Tao-Te-Ching: "Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa."Diz T. S. Eliot: "Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?"Diz Manoel de Barros: "Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha."
Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: "A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. "A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, "precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço." Mas o sábio está à procura das "coisas dignas de serem conhecidas". Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: "De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?" E assim, depois de meditar, escolhe um...
A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.
O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de "Resta..." Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. "Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas..." "Resta essa capacidade de ternura..." "Resta esse antigo respeito pela noite..." "Resta essa vontade de chorar diante da beleza...". Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.
As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: "Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás..." Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.
Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.
Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: "Papai, eu gosto muito de você!"; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: "Veja como estão agradecidas!" Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.
Diz Guimarães Rosa que "felicidade só em raros momentos de distração..." Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: "É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai..." Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Concerto para corpo e alma, pg. 09.)
A lei não é seca - Gilberto Dimenstein
Crescem ataques contra a lei que inibe o motorista de beber e dirigir --alguns deles, com razão. Pessoalmente, temo que o excesso de rigor inviabilize sua aplicação. Também tenho dúvidas sobre a legalidade de exigir que alguém se submeta ao bafômetro. Em essência, porém, sou dos que apóiam a dureza contra os irresponsáveis do trânsito. Por isso, fico muito incomodado com o apelido "lei seca" --é um apelido tendencioso, abençoado por nós, jornalistas.
Fico incomodado por dois motivos:
1) Não existe nenhuma proibição à bebida. Mas apenas a se dirigir depois de bebida. É muitíssimo diferente da vivida pelos Estados Unidos. Erro, portanto, conceitual. Não tem nada a ver com aquela maluquice dos americanos.
2) Como aquela lei era, nos EUA, uma maluquice, o apelido lei seca estimula as ações e a desobediência.
Não sou moralista. Gosto de beber e, reconheço, aprecio aquela sensação de leveza que provoca uma dose a mais. Mas não apoiar essa lei é uma irresponsabilidade. Há tempos precisávamos de algo mais duro contra a matança no trânsito --e os comunicadores fazem um julgamento quando sustentam o apelido de lei seca.
Pode parecer um detalhe, mas não é.
Fico incomodado por dois motivos:
1) Não existe nenhuma proibição à bebida. Mas apenas a se dirigir depois de bebida. É muitíssimo diferente da vivida pelos Estados Unidos. Erro, portanto, conceitual. Não tem nada a ver com aquela maluquice dos americanos.
2) Como aquela lei era, nos EUA, uma maluquice, o apelido lei seca estimula as ações e a desobediência.
Não sou moralista. Gosto de beber e, reconheço, aprecio aquela sensação de leveza que provoca uma dose a mais. Mas não apoiar essa lei é uma irresponsabilidade. Há tempos precisávamos de algo mais duro contra a matança no trânsito --e os comunicadores fazem um julgamento quando sustentam o apelido de lei seca.
Pode parecer um detalhe, mas não é.
Proponho um brinde à lei seca - Gilberto Dimenstein
Merece um brinde --aliás, vários brindes. Desde que evidentemente não se volte dirigindo para casa.
Dados colhidos por Mônica Bergamo, da Folha, a partir de relatórios oficiais, mostram que, desde a implantação da lei que inibe o motorista de dirigir alcoolizado, a queda no número de atendimentos nos hospitais especializados em trauma, na cidade de São Paulo, foi de 55%.
Isso em apenas três semanas. O efeito, de fato, não é da nova lei --já havia uma legislação que obviamente proibia a combinação de bebida com direção. Pesaram aqui a educação e, em especial, a punição.
O fato é que, neste momento, mexer abruptamente na lei pode significar a tradução de que "liberou geral" e implicar imediatamente mortes.
É hora, agora, de avançar ainda num esforço de também impedir a glamourização da bebida feita pela publicidade.
Dados colhidos por Mônica Bergamo, da Folha, a partir de relatórios oficiais, mostram que, desde a implantação da lei que inibe o motorista de dirigir alcoolizado, a queda no número de atendimentos nos hospitais especializados em trauma, na cidade de São Paulo, foi de 55%.
Isso em apenas três semanas. O efeito, de fato, não é da nova lei --já havia uma legislação que obviamente proibia a combinação de bebida com direção. Pesaram aqui a educação e, em especial, a punição.
O fato é que, neste momento, mexer abruptamente na lei pode significar a tradução de que "liberou geral" e implicar imediatamente mortes.
É hora, agora, de avançar ainda num esforço de também impedir a glamourização da bebida feita pela publicidade.
Vitórias contra a barbárie
O país acompanha atentamente a redução de mortes no trânsito, depois do endurecimento da fiscalização contra os motoristas que bebem --esse é mais um detalhe de um movimento, espalhado por todo país, acima dos partidos, contra as mortes estúpidas. São vitórias contra a barbárie de toda uma geração de pessoas que apostaram na educação para a cidadania.
Nada mais estúpidas do que as mortes, quase todas facilmente evitáveis, de crianças. Poucas notícias são socialmente tão interessantes quanto a queda de 44% da mortalidade infantil nos últimos dez anos. Nesse período, a desnutrição infantil caiu, no Nordeste, 70%.
Aos poucos, a democracia vai ensinando o país a enfrentar a violência --lembre-se de toda a campanha contra o porte de armas-- e a miséria, com programas mais focados nos mais pobres. Já temos também metas educacionais de longo prazo. Cada vez mais, imagina-se a escola como um grande centro de articulação de políticas públicas.
As vitórias, medidas em números, contra a barbárie é um dos fatos novos no país, no qual vamos gerando modelos contra a barbárie. É ainda pouco, mas já podemos, aqui e ali, comemorar.
Nada mais estúpidas do que as mortes, quase todas facilmente evitáveis, de crianças. Poucas notícias são socialmente tão interessantes quanto a queda de 44% da mortalidade infantil nos últimos dez anos. Nesse período, a desnutrição infantil caiu, no Nordeste, 70%.
Aos poucos, a democracia vai ensinando o país a enfrentar a violência --lembre-se de toda a campanha contra o porte de armas-- e a miséria, com programas mais focados nos mais pobres. Já temos também metas educacionais de longo prazo. Cada vez mais, imagina-se a escola como um grande centro de articulação de políticas públicas.
As vitórias, medidas em números, contra a barbárie é um dos fatos novos no país, no qual vamos gerando modelos contra a barbárie. É ainda pouco, mas já podemos, aqui e ali, comemorar.
Sindicato dos professores ameaça denunciar secretaria ao TRT
Folha Online
A Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual de ensino) ameaça denunciar a Secretaria Estadual da Educação ao TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo) por descumprimento de acordo.
Na terça-feira (8), os professores receberam da secretaria um plano de pagamento dos dias parados e de reposição de aulas que não lhes agradou. Pelo plano, os dias sem aula serão descontados dos salários e pagos só após as reposições.
Para o sindicato, o governo, com este plano, quebrou a promessa de pagar os dias parados. "Se tiver o desconto, o professor vai passar dificuldades. A intenção é punir o professor [por causa da greve]. Eles [o governo] têm um gosto muito grande pela punição", disse à Folha a presidente do sindicato, Maria Izabel Noronha.
O sindicato informou que a greve, suspensa na última sexta-feira (4), poderá ser retomada após as férias escolares caso a secretaria não abra um canal de negociação.
Entre as principais reivindicações da categoria está a revogação de um decreto governamental que trata do sistema de contratação e substituição de professores. A secretaria, porém, afirmou, por meio de sua assessoria, que não haverá mudanças no decreto.
Outro lado
A Secretaria da Educação informou, por meio de sua assessoria, que cumpriu o que havia sido acordado em reunião na semana passada. Sobre a reposição, a secretaria sustenta que em nenhum momento foi abordada a maneira como ela seria paga.
A assessoria da secretaria afirma, ainda, que irá abonar as faltas dos professores assim que eles repuserem as aulas.
A Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual de ensino) ameaça denunciar a Secretaria Estadual da Educação ao TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo) por descumprimento de acordo.
Na terça-feira (8), os professores receberam da secretaria um plano de pagamento dos dias parados e de reposição de aulas que não lhes agradou. Pelo plano, os dias sem aula serão descontados dos salários e pagos só após as reposições.
Para o sindicato, o governo, com este plano, quebrou a promessa de pagar os dias parados. "Se tiver o desconto, o professor vai passar dificuldades. A intenção é punir o professor [por causa da greve]. Eles [o governo] têm um gosto muito grande pela punição", disse à Folha a presidente do sindicato, Maria Izabel Noronha.
O sindicato informou que a greve, suspensa na última sexta-feira (4), poderá ser retomada após as férias escolares caso a secretaria não abra um canal de negociação.
Entre as principais reivindicações da categoria está a revogação de um decreto governamental que trata do sistema de contratação e substituição de professores. A secretaria, porém, afirmou, por meio de sua assessoria, que não haverá mudanças no decreto.
Outro lado
A Secretaria da Educação informou, por meio de sua assessoria, que cumpriu o que havia sido acordado em reunião na semana passada. Sobre a reposição, a secretaria sustenta que em nenhum momento foi abordada a maneira como ela seria paga.
A assessoria da secretaria afirma, ainda, que irá abonar as faltas dos professores assim que eles repuserem as aulas.
sábado, 12 de julho de 2008
Proteger é diferente de esconder - Walcyr carrasco
Semanas atrás, fui jantar com alguns colegas de classe do colegial. Estudamos juntos há cerca de quarenta anos. Ainda nos vemos, acompanhamos a trajetória de vida de cada um e torcemos nas situações difíceis. Cursei um colégio público, experimental, de ótima reputação na época. Uma das teses dos educadores era mesclar as diversas classes sociais. Devido à fama, a escola atraía até milionários. Eu, um garoto pobre, convivi com colegas de status social maior e até menor que o meu. Foi enriquecedor. Sem falsa modéstia, acredito que para os outros também.
Para meu espanto, as famílias atuais buscam exatamente o oposto. Particularmente, acho os condomínios maravilhosos. Quando eu era criança, entrar em piscina era privilégio raro! Hoje, crianças de classe média nadam a metros de onde vivem. Discordo, sim, da visão de boa parte dos pais.
– Meus filhos nem vão precisar sair. A escola é ao lado, o shopping é próximo. Segurança total – contou-me um amigo ao mudar de endereço.
Fiquei de queixo caído com sua ingenuidade. Está certo, a violência anda cada vez maior. Qualquer pai ou mãe fica apavorado quando o filho se atrasa. Isolar ajuda, de fato? "Proteger é diferente de esconder", diz o escritor Gabriel Chalita em seu recém-lançado Pedagogia da Amizade. "Não se esconde o filho do mundo nem o mundo do filho." Eu soube de colégios ricos onde os alunos disputam quem tem o relógio mais caro ou o último lançamento eletrônico, por exemplo. Esses garotos não seriam pessoas melhores se pudessem conviver com outros, em situações diferentes, para entender que o planeta não gira em função das grifes?
Essas famílias só visitam famílias parecidas, que fazem compras nos mesmos shoppings, comem em restaurantes idênticos, usam roupas de grifes iguais e fazem os filhos viver vidas inventadas em série. É como reunir todas as aves num só galinheiro. Basta a chegada de uma única raposa para fazer a festa. Quando escrevi um livro para adolescentes sobre drogas, investiguei a fundo como ocorre o primeiro contato. Em geral é por meio de um conhecido acima de qualquer suspeita: vizinho, namorado, parente próximo. Em uma palestra recebi o depoimento emocionado de um pai cujo próprio irmão introduzira seu filho no consumo pesado.
– Eu nunca suspeitei de meu irmão! – ele disse chorando.
– E agora perdi meu filho!
É óbvio. Imagine um bando de garotos de boa situação financeira que pouco conhecem da vida. Fechados em seu mundinho. Chega um com a novidade. Cresce a curiosidade. E de um em um todos querem experimentar. Se fossem mais escolados seriam alvos tão fáceis?
Triste é saber também que, se alguma família perde dinheiro, passa a ser malvista. É comum surgir um comentário depreciativo porque alguém atrasou o condomínio, como se uma crise financeira fosse um problema moral. Ou seja, os valores começam a ficar distorcidos, por serem somente materiais. Não é à toa que se ouve falar, com freqüência, em jovens de classe média que partem para o crime.
Educar um filho hoje em dia é difícil, pois são inúmeras as armadilhas. Passei por riscos e estou aqui, inteiro. Alguns amigos superprotegidos, ao contrário, não deram em nada. Ainda, já depois dos 50 anos, não querem saber do batente. Educar a criança em um mundo que não existe pode dar uma sensação de segurança. Mais tarde, ela não estará pronta para enfrentar a realidade, certamente muito mais árdua.
Para meu espanto, as famílias atuais buscam exatamente o oposto. Particularmente, acho os condomínios maravilhosos. Quando eu era criança, entrar em piscina era privilégio raro! Hoje, crianças de classe média nadam a metros de onde vivem. Discordo, sim, da visão de boa parte dos pais.
– Meus filhos nem vão precisar sair. A escola é ao lado, o shopping é próximo. Segurança total – contou-me um amigo ao mudar de endereço.
Fiquei de queixo caído com sua ingenuidade. Está certo, a violência anda cada vez maior. Qualquer pai ou mãe fica apavorado quando o filho se atrasa. Isolar ajuda, de fato? "Proteger é diferente de esconder", diz o escritor Gabriel Chalita em seu recém-lançado Pedagogia da Amizade. "Não se esconde o filho do mundo nem o mundo do filho." Eu soube de colégios ricos onde os alunos disputam quem tem o relógio mais caro ou o último lançamento eletrônico, por exemplo. Esses garotos não seriam pessoas melhores se pudessem conviver com outros, em situações diferentes, para entender que o planeta não gira em função das grifes?
Essas famílias só visitam famílias parecidas, que fazem compras nos mesmos shoppings, comem em restaurantes idênticos, usam roupas de grifes iguais e fazem os filhos viver vidas inventadas em série. É como reunir todas as aves num só galinheiro. Basta a chegada de uma única raposa para fazer a festa. Quando escrevi um livro para adolescentes sobre drogas, investiguei a fundo como ocorre o primeiro contato. Em geral é por meio de um conhecido acima de qualquer suspeita: vizinho, namorado, parente próximo. Em uma palestra recebi o depoimento emocionado de um pai cujo próprio irmão introduzira seu filho no consumo pesado.
– Eu nunca suspeitei de meu irmão! – ele disse chorando.
– E agora perdi meu filho!
É óbvio. Imagine um bando de garotos de boa situação financeira que pouco conhecem da vida. Fechados em seu mundinho. Chega um com a novidade. Cresce a curiosidade. E de um em um todos querem experimentar. Se fossem mais escolados seriam alvos tão fáceis?
Triste é saber também que, se alguma família perde dinheiro, passa a ser malvista. É comum surgir um comentário depreciativo porque alguém atrasou o condomínio, como se uma crise financeira fosse um problema moral. Ou seja, os valores começam a ficar distorcidos, por serem somente materiais. Não é à toa que se ouve falar, com freqüência, em jovens de classe média que partem para o crime.
Educar um filho hoje em dia é difícil, pois são inúmeras as armadilhas. Passei por riscos e estou aqui, inteiro. Alguns amigos superprotegidos, ao contrário, não deram em nada. Ainda, já depois dos 50 anos, não querem saber do batente. Educar a criança em um mundo que não existe pode dar uma sensação de segurança. Mais tarde, ela não estará pronta para enfrentar a realidade, certamente muito mais árdua.
domingo, 6 de julho de 2008
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes.
Eu não.
A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.
Adélia Prado
Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes.
Eu não.
A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.
Adélia Prado
sábado, 5 de julho de 2008
Bullying: Repressão entre alunos
Apesar de não haver uma palavra na língua portuguesa que expresse o significado do termo ‘bullying’, algumas palavras servem para defini-la: agredir, amedrontar, assediar, discriminar, divulgar apelidos depreciativos, dominar, excluir de um grupo, humilhar, ignorar, isolar, perseguir, zoar, entre outros. Transfira agora isso tudo para o ambiente escolar. O bulliyng é a prática discriminatória que ocorre entre grupos de alunos, sempre escolhendo um deles como “a bola da vez”, a “ovelha negra” da turma.O bullying preocupa pais, professores e pedagogos, e pode causar traumas definitivos na personalidade de suas vítimas — e até em seus praticantes ativos. Segundo a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Criança e ao Adolescente (Abrapia), a prática não está restrita ao tipo de instituição: pública ou privada, da área rural ou urbana, primária ou secundária. Profissionais da área de educação e pedagogia classificam o bullying como todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que acontecem sem motivação aparente, adotadas por um ou mais estudantes com outro, ou outros, causando dor e angústia, sendo praticada numa relação de desigual poder. Suas principais características são atos repetidos entre membros de um mesmo grupo — no caso, estudantes — com desequilíbrio de poder e intimidação das vítimas. O bullying, porém, é mais comum entre meninos. Entre as meninas, fica mais na exclusão e na difamação. Para Laurence Bittencourt, professor de Psicologia da Educação da Universidade Potiguar (UnP), há também, nesse ponto, a questão cultural e até biológica, hormonal, dos garotos. “Não que a gente não observe esse tipo de violência entre as meninas, mas por nossa própria cultura pensamos na mulher sempre mais tolhida e o homem sempre mais disposto a colocar as coisas para fora, extravasar”, comenta ele, classificando a prática do bullying como uma “possibilidade de mostrar uma identidade masculina” ou como “uma forma de pré-requisito para a masculinidade.” Entretanto, o professor afirma rejeitar o caráter nocivo dessa prática, principalmente no âmbito escolar.Os autores do bullying são identificados como indivíduos com pouca empatia, geralmente vindos de famílias desestruturadas, sem pouco relacionamento afetivo entre seus membros que, por sua vez, usam da pressão como forma de intimidação doméstica e difundem o comportamento agressivo como solução de problemas.Os alvos são tidos como jovens altamente inseguros, de auto-estima baixa, passivos, quietos, de poucos amigos. Sem forças para reagir aos assédios e sem esperança de se adequarem ao grupo, freqüentemente trocam de colégio ou até mesmo abandonam os estudos. Os traumas possíveis dependem de que forma o bullying atinge cada um. “Seqüelas podem acontecer ou não; vai depender muito de quem está recebendo isso. Agora, do ponto de vista pedagógico, moral e emocional, principalmente, é realmente uma prática nociva. Não tem como pensar diferente.” Segundo Laurence Bittencourt, a prática do bullying nas escolas atrapalha o rendimento de muitos alunos. Mas mesmo assim, em seu entendimento de pedagogo, ainda depende da forma que cada um reage às pressões.“Tem umas pessoas que absorvem, outras que não. Para as que têm dificuldade de aceitar isso ou ver de outra forma, certamente afeta. É sempre uma invasão, um momento agressivo em relação à pessoa”, diz ele. Para Laurence, essa prática de criar bodes expiatórios, de sentir prazer no sadismo, também tem que ser pensada em seu viés psicológico. Para combater o bullying o professor considera ser necessária uma verdadeira força-tarefa envolvendo a instituição pedagógica, a família, agentes e alvos, e a direção da escola.A psicóloga Jemima Morais Veras, que estuda o comportamento dos jovens, alerta que é preciso prestar muita atenção nos sinais dados pelos filhos, como preocupação, insônia, falta de apetite e de concentração, crises alérgicas, irritação, apatia, entre outros. “É preciso estabelecer com os filhos, desde cedo, uma relação de confiança para que assim eles consigam contar o que está acontecendo. Mostrar que estão sempre disponíveis, valorizar os sentimentos, pois o bullying não é só uma briguinha passageira de colegas.”Amizade é a soluçãoNo livro “Pedagogia da Amizade – Bullying: o sofrimento das vítimas e dos agressores”, o professor paulista Gabriel Chalita propõe o fim das cenas de desrespeito e humilhações no ambiente escolar. Para tanto, ele defende a valorização do sentimento de amizade entre os alunos e chama a atenção dos pais, professores e educadores para as conseqüências do bullying — considerado um problema crescente hoje no mundo. A falta de amizade em crianças na fase escolar é considerada a maior causadora do problema.Segundo Chalita, há dois caminhos a serem seguidos quando o assunto é combate ao bullying. O primeiro passa pela família; o outro, pela escola. Ele avalia que, quando é uma família que preza pelo diálogo e que percebe as mudanças comportamentais dos filhos, dando liberdade para que eles relatem os problemas que estão sofrendo, é mais fácil combater e prevenir o bullying. “Mas se é uma família sem diálogo, não vai nem perceber uma agressão que o filho esteja sofrendo. Ele volta da escola e diz que não quer mais estudar. Por que será? Se a família tiver realmente aberta e atenta, vai logo perceber”, diz o professor de Direito e de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo.O professor paulista também defende que a escola precisa difundir técnicas de prevenção ao bullying, trabalhando os valores da ética entre alunos e professores, promovendo a conscientização sobre esse problema que pode provocar sérias seqüelas nos alunos.Chalita avalia que a pior coisa que pode acontecer como resultado do bullying é o suicídio das vítimas dessa prática opressora. Ele cita também os casos de tragédias ocorridas em colégios e universidades dos Estados Unidos — como em Columbine, onde um aluno sai matando os colegas e depois se mata. “Alguns não conseguem ter uma relação profissional no futuro ou passa a ter medo das pessoas. O bullying deixa a pessoa marcada pelo resto da vida. E o grande caminho é a prevenção”, afirma. Em tempos de internetSegundo Gabriel Chalita a entrada da internet no âmbito escolar criou uma nova modalidade do problema: o cyber bullying. Agora, segundo sua análise, crianças e adolescentes batem em seus amigos, gravam as imagens no celular e colocam em sites como o YouTube, para que todos vejam. Ele conta casos em que meninos fazem montagens das amigas do colégio como que estivessem praticando sexo oral em outros colegas e espalham na rede. “No Sul, uma menina se suicidou com medo da reação dos pais, depois que fizeram isso com ela.”Ele acredita que, por ter mais poder de divulgação, a internet está agravando a prática do bullying. Há até casos de jogos eletrônicos. “A Justiça do Rio Grande do Sul proibiu um jogo de bullying, que ganhava mais pontos aqueles que xingassem ou agredissem mais os colegas.” Gabriel Chalita conta que os primeiros estudos sobre bullying foram realizados na Noruega, nos anos 70, motivados pelos altos índices de suicídios entre estudantes. Hoje a Espanha, modelo de educação no mundo, registra 40% de alunos que dizem sofrer as conseqüências dos abusos. Na Inglaterra, são 45%; em Portugal, 42%. Segundo o professor, mesmo sem ter um levantamento completo, unificado, o Brasil está dentro dessa média mundial. Estamos na faixa dos 45%. Se você imaginar que representa praticamente a metade da população escolar, vemos como o caso é preocupante.”O problema nas escolas de natalQuando o bullying ultrapassa os limites da aceitação entre os próprios alunos, as denúncias de perseguição e maus tratos geralmente chegam à diretoria das escolas. Mas isso é coisa do passado, segundo Henrique Marinho, presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Natal. Ele considera os alunos da era da informatização mais espertos, diferentes do seu tempo de colégio.“Quando eu estudava, tinha umas brincadeiras pesadas sim... Na minha época, a gente pegava no pé mesmo. Mas hoje não tenho percebido mais isso. Quando acontece, não é com tanta gravidade”, avalia Henrique, que também exerce a função de diretor-adjunto em uma escola tradicional de Natal. Ele diz não recordar-se de nenhum caso recente de atritos entre alunos — motivado por bullying — que tenha sido necessário ser resolvido na diretoria. “Se houvesse algum problema mais sério, a direção interferiria, com certeza.” Henrique identifica os alunos mais contidos e estudiosos como principais alvos desse tipo de assédio. “Mas tem muitos que gostam das brincadeiras, pois é uma forma dele aparecer.”Em outro grande colégio da cidade, a auxiliar de coordenação pedagógica, Alba Lílian Vicente de Albuquerque, diz já ter observado a prática do bullying entre os alunos, mas não de forma freqüente. Segundo ela, é raro ser preciso acionar a direção da escola para tomar atitudes mais drásticas. Alba afirma também que os casos de bullying são mais comuns entre os meninos. “O mais freqüente são os apelidos que ficam de um ano para o outro. Mas quando tem confusão por causa disso, levamos os alunos para a coordenação e fazemos com que um peça desculpa ao outro. Mas já teve um caso em que foi preciso chamar os pais para resolverem”, conta ela.A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Criança e ao Adolescente (Abrapia) realizou, em 2002, um levantamento envolvendo 5.875 alunos da 5ª à 8ª séries de onze escolas do Rio de Janeiro. Foi detectado que, naquele ano, 40,5% dos estudantes admitiram ter estado envolvidos em atos de bullying — sendo que 16,9% eram alvos, 10,9% alvo e autor ao mesmo tempo e 12,7% era autores.
terça-feira, 1 de julho de 2008
RUI BARBOSA E SUA BOLA DE CRISTAL!!!
Não há, no universo, duas coisas iguais. Muitas se parecem umas às outras. Mas todas entre si diversificam. Os ramos de uma só árvore, as folhas da mesma planta, os traços da polpa de um dedo humano, as gotas do mesmo fluido, os argueiros do mesmo pó, as raias do espectro de um só raio solar ou estelar.
A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo não dar a cada um na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalessem.
Esta blasfêmia contra a razão e a fé, contra a civilização e a humanidade, é a filosofia da miséria, proclamada em nome dos direitos do trabalho; e, executada, não faria senão inaugurar, em vez da supremacia do trabalho, a organização da miséria.
Mas, se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança. Tal a missão do trabalho.
Rui Barbosa. Oração aos moços. (fragmentos)
A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo não dar a cada um na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalessem.
Esta blasfêmia contra a razão e a fé, contra a civilização e a humanidade, é a filosofia da miséria, proclamada em nome dos direitos do trabalho; e, executada, não faria senão inaugurar, em vez da supremacia do trabalho, a organização da miséria.
Mas, se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança. Tal a missão do trabalho.
Rui Barbosa. Oração aos moços. (fragmentos)
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Professores de SP decidem manter greve por mais uma semana
Os professores da rede estadual de São Paulo decidiram, em assembléia realizada na tarde desta sexta-feira (20), manter a greve por mais uma semana. Na próxima sexta-feira (27), a categoria se reúne novamente no Masp (Museu de Arte de São Paulo), região central da capital, para discutir os rumos da paralisação.
A decisão pela greve veio mesmo depois de a Secretaria da Educação ter anunciado reajuste salarial de 12,2% para a categoria. "O reajuste, sem dúvida, foi resultado da greve", afirmou Carlos Ramiro, presidente do Apeoesp, sindicato dos docentes do Estado. "Mas a proposta não contempla nossa reivindicação, nem acalma os ânimos dos manifestantes."Segundo a Secretaria da Educação do Estado, o reajuste salarial tinha sido decidido em março e o foi uma coincidência o anúncio ter sido feito um dia antes da assembléia dos professores.Os professores protestam contra um decreto, do governador José Serra (PSDB), que impõe limites às transferências dos educadores efetivos e determina que os temporários se submetam a provas para determinar quem terá preferência para assumir turmas no início do ano."Nós queremos um concurso público classificatório, e não eliminatório, para todos os professores de todas as disciplinas. Assim efetiva o docente na escola e não falta professor para certas matérias", disse a Apeoesp.A Secretaria disse que mantém a posição de que o decreto é irrevogável, porque "a intenção é beneficiar o aluno, já que quando o professor muda de escola, todo o projeto pedagógico também é modificado, prejudicando o estudante". Segundo o sindicato, cerca de 60 mil pessoas participaram da manifestação. O Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) estima em 5 mil manifestantes. Logo após a assembléia, os professores fizeram uma passeata em direção à Praça da República, passando pela rua da Consolação, rua Xavier de Toledo, Teatro Municipal e por um trecho da avenida São João.Na Praça da República, eles se juntaram a um ato público unificado de outras entidades da educação, como funcionários, diretores e supervisores de ensino. A reunião era para denunciar questões da educação, desde falta bibliotecas e laboratório nas escolas até salários.
A decisão pela greve veio mesmo depois de a Secretaria da Educação ter anunciado reajuste salarial de 12,2% para a categoria. "O reajuste, sem dúvida, foi resultado da greve", afirmou Carlos Ramiro, presidente do Apeoesp, sindicato dos docentes do Estado. "Mas a proposta não contempla nossa reivindicação, nem acalma os ânimos dos manifestantes."Segundo a Secretaria da Educação do Estado, o reajuste salarial tinha sido decidido em março e o foi uma coincidência o anúncio ter sido feito um dia antes da assembléia dos professores.Os professores protestam contra um decreto, do governador José Serra (PSDB), que impõe limites às transferências dos educadores efetivos e determina que os temporários se submetam a provas para determinar quem terá preferência para assumir turmas no início do ano."Nós queremos um concurso público classificatório, e não eliminatório, para todos os professores de todas as disciplinas. Assim efetiva o docente na escola e não falta professor para certas matérias", disse a Apeoesp.A Secretaria disse que mantém a posição de que o decreto é irrevogável, porque "a intenção é beneficiar o aluno, já que quando o professor muda de escola, todo o projeto pedagógico também é modificado, prejudicando o estudante". Segundo o sindicato, cerca de 60 mil pessoas participaram da manifestação. O Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) estima em 5 mil manifestantes. Logo após a assembléia, os professores fizeram uma passeata em direção à Praça da República, passando pela rua da Consolação, rua Xavier de Toledo, Teatro Municipal e por um trecho da avenida São João.Na Praça da República, eles se juntaram a um ato público unificado de outras entidades da educação, como funcionários, diretores e supervisores de ensino. A reunião era para denunciar questões da educação, desde falta bibliotecas e laboratório nas escolas até salários.
Chalita nega valor gasto com formação de docente
Ex-secretário de Educação de SP diz que programa não teve R$ 2 bilhões e que informações dadas por sua sucessora estão ‘absolutamente erradas’
Maria Rehder, JORNAL DA TARDE
O ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo Gabriel Chalita rebateu ontem as críticas feitas pela atual secretária, Maria Helena Guimarães de Castro, ao programa de formação continuada de professor.
O Teia do Saber foi criado em sua gestão, em 2003, e consiste na contratação de universidades e instituições de ensino para a oferta de cursos a docentes da rede.Segundo Chalita, o investimento feito nos últimos cinco anos no programa foi de cerca de R$ 580 milhões, e não de R$ 2 bilhões, como informado pela secretária em reportagem publicada ontem. “Os dados que a secretária deu estão absolutamente errados”, afirmou Chalita, que, procurado pela reportagem anteontem, havia respondido que “não tinha interesse em falar sobre o assunto”.
Maria Helena, por sua vez, disse ontem que não comentaria as declarações do ex-secretário.“Eu até gostaria de ter investido R$2 bilhões na Teia do Saber porque acho que formação de professor não é gasto, é investimento”, disse Chalita. “Alguns temas (dos programas de atualização de professores) eram gerais e outros específicos, cada diretoria de ensino do Estado trabalhava com dados do Saresp, reunia-se com os docentes e chegava à conclusão do que era mais importante.”Chalita aproveitou para provocar sua sucessora. “Acho triste a secretária colocar as coisas da forma que ela colocou, mas acho que é o momento de greve”, afirmou. “Eu fiquei cinco anos como secretário e nenhuma greve. A gente tinha um diálogo com a rede.”
REAJUSTE E CONCURSO
Em meio a uma greve dos professores, que já dura cinco dias, o governo enviou para a Assembléia Legislativa projeto para contratação de 70 mil professores com jornada semanal de 10 horas e anunciou que o piso mínimo dos docentes da rede estadual de 1ª a 4ª série, com jornada de 40 horas semanais, será reajustado em 12,2%.
Passará de R$ 1.166,83 para R$ 1.309,17. Os docentes de 5ª a 8ª série receberão um aumento de 11,16%. Irá de R$ 1.350,75 para R$ 1.501,50.
O reajuste inclui também a incorporação da Gratificação do Trabalho Educacional, beneficiando também servidores inativos. “Vamos gastar R$ 670 milhões a mais por ano”, afirma Fernando Padula, chefe de gabinete da secretaria.
Diretores e supervisores também receberão aumentos de 11% e 10%, com o salário-base passando para R$ 1.563,72 e R$ 1.803,93, respectivamente.
O salário dos funcionários de apoio também será reajustado em 5%. Secretários de escola, por exemplo, receberão, no mínimo, R$ 926,25.
A secretaria implantará este ano a política de bônus por mérito.
O valor já foi definido: até três salários adicionais.Carlos Ramiro, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), afirma que o reajuste será discutido hoje em assembléia. Padula diz que a negociação já foi encerrada.
Maria Rehder, JORNAL DA TARDE
O ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo Gabriel Chalita rebateu ontem as críticas feitas pela atual secretária, Maria Helena Guimarães de Castro, ao programa de formação continuada de professor.
O Teia do Saber foi criado em sua gestão, em 2003, e consiste na contratação de universidades e instituições de ensino para a oferta de cursos a docentes da rede.Segundo Chalita, o investimento feito nos últimos cinco anos no programa foi de cerca de R$ 580 milhões, e não de R$ 2 bilhões, como informado pela secretária em reportagem publicada ontem. “Os dados que a secretária deu estão absolutamente errados”, afirmou Chalita, que, procurado pela reportagem anteontem, havia respondido que “não tinha interesse em falar sobre o assunto”.
Maria Helena, por sua vez, disse ontem que não comentaria as declarações do ex-secretário.“Eu até gostaria de ter investido R$2 bilhões na Teia do Saber porque acho que formação de professor não é gasto, é investimento”, disse Chalita. “Alguns temas (dos programas de atualização de professores) eram gerais e outros específicos, cada diretoria de ensino do Estado trabalhava com dados do Saresp, reunia-se com os docentes e chegava à conclusão do que era mais importante.”Chalita aproveitou para provocar sua sucessora. “Acho triste a secretária colocar as coisas da forma que ela colocou, mas acho que é o momento de greve”, afirmou. “Eu fiquei cinco anos como secretário e nenhuma greve. A gente tinha um diálogo com a rede.”
REAJUSTE E CONCURSO
Em meio a uma greve dos professores, que já dura cinco dias, o governo enviou para a Assembléia Legislativa projeto para contratação de 70 mil professores com jornada semanal de 10 horas e anunciou que o piso mínimo dos docentes da rede estadual de 1ª a 4ª série, com jornada de 40 horas semanais, será reajustado em 12,2%.
Passará de R$ 1.166,83 para R$ 1.309,17. Os docentes de 5ª a 8ª série receberão um aumento de 11,16%. Irá de R$ 1.350,75 para R$ 1.501,50.
O reajuste inclui também a incorporação da Gratificação do Trabalho Educacional, beneficiando também servidores inativos. “Vamos gastar R$ 670 milhões a mais por ano”, afirma Fernando Padula, chefe de gabinete da secretaria.
Diretores e supervisores também receberão aumentos de 11% e 10%, com o salário-base passando para R$ 1.563,72 e R$ 1.803,93, respectivamente.
O salário dos funcionários de apoio também será reajustado em 5%. Secretários de escola, por exemplo, receberão, no mínimo, R$ 926,25.
A secretaria implantará este ano a política de bônus por mérito.
O valor já foi definido: até três salários adicionais.Carlos Ramiro, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), afirma que o reajuste será discutido hoje em assembléia. Padula diz que a negociação já foi encerrada.
sábado, 14 de junho de 2008
Sobre amor, rosas e espinhos

Amor que é amor dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor.O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou. O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto." O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar.O poeta soube traduzir bem quando disse: " Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!". Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuia e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha. Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos. Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las. Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios. Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois... Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo.Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira.A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá que saber que com ela vão inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos... ou não.
Padre Fábio de Melo
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Lançamento do novo livro de Gabriel Chalita
"Pedagogia da Amizade" Nesse novo livro Gabriel fala sobre pessoas que sofrem ou praticam o bullying, a agressão física ou moral repetida e cruel, que ocorre principalmente no ambiente escolar.
Gabriel Chalita,tem como objetivo falar sobre a amizade como um caminho para educar com excelência, tanto em casa quanto na escola.
O LANÇAMENTO DESSE NOVO LIVRO SERÁ
data: 19/06/2008
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura - Conjunto Nacional
Av: Paulista, 2073
O direito à educação Gilberto Dimenstein
Diante da bagunça, dois jovens de uma escola particular da cidade de São Paulo (o colégio Santa Cruz) logo perceberam que sua idéia de dar aula de filosofia para estudantes da rede pública estava condenada ao fracasso - a classe se dividia, basicamente, entre os que "zoneavam" e os silenciosos desinteressados. Foram todos salvos por uma música.
Na semana passada, em vez de começar a aula com falatório, os dois adolescentes puseram um rap para os alunos ouvirem e distribuíram a letra a eles. Conseguiram, então, motivar uma discussão sobre temas como violência, solidão e esperança. Nem parecia uma aula de filosofia - aliás, nem parecia uma aula.
A magia operada por aquela música revela o "deslumbramento pelas coisas belas" - essa expressão foi usada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) ao justificar seu projeto, lançado na semana passada, que determina a exibição periódica de filmes nacionais nas escolas.
A única questão relevante na discussão lançada pelo governo federal sobre a possibilidade de mudar a legislação de incentivo cultural -uma bolada anual de R$ 1 bilhão- é a democratização do deslumbramento diante da beleza.
Um dos argumentos para a mudança da legislação é a crítica de que parte dos recursos canalizados pelas empresas vai para ações culturais destinadas a platéias de maior poder aquisitivo e nas regiões mais ricas.
Muita gente séria aceita essa crítica, mas vê com desconfiança (também corretamente) o risco de criar um fundo de cultura gerido apenas pelo governo, sujeito a vícios como a corrupção e o desperdício, sem contar os apadrinhamentos políticos. Um exemplo recente de má gestão de recursos foi o que ocorreu com o Fust, que, destinado a conectar escolas à internet, arrecadou nada menos que R$ 8 bilhões e, sem exagero, não serviu para quase nada.
Argumenta-se também (mais uma vez com razão) que os empresários se sentiriam menos estimulados a colocar dinheiro na cultura se não pudessem escolher os beneficiários e, assim, valorizar sua marca.
Já vi aquele tipo de experiência dos adolescentes que usaram o rap para dar aula de filosofia aplicada dos mais diferentes modos e nos mais diversos lugares, quase sempre com resultados estimulantes. É uma fórmula eficaz para desenvolver o prazer de conhecer. É certo que a arte não deve ser condicionada a nada, deve apenas ser a expressão livre do artista, mas a arte bancada com imposto deve ter uma contrapartida em educação pública.
Será divulgada nesta semana, durante seminário em São Paulo sobre lei de incentivo cultural, uma pesquisa do Datafolha que, entre outros pontos, mostra um forte crescimento da freqüência aos museus entre os paulistanos. Esse é um exemplo de dinheiro mais bem empregado.
De acordo com a pesquisa, 65% dos que foram a exposições neste ano são estudantes de escolas do ensino fundamental e médio; 47% pertencem às classes C, D e E. É claro que esse seria o recurso mais bem empregado se os professores soubessem (e poucos sabem) como usar aquela visita ao museu para tornar mais atrativo o que eles ensinam em sala de aula. Isso significa que as verbas de incentivo à cultura deveriam contemplar não só o acesso mais amplo aos bens culturais mas também a capacitação de educadores.
O direito à educação é, em essência, o direito ao deslumbramento permanente ante a vida. Nada melhor que a arte para servir de introdução a essa aventura. O deslumbramento com as coisas belas revela o que nós somos e o que podemos ser - por isso, e só por isso, aqueles meninos e meninas aceitaram discutir filosofia tomando como ponto de partida a letra do rap.
Jornal Folha de S. Paulo, 08/06/2008
Na semana passada, em vez de começar a aula com falatório, os dois adolescentes puseram um rap para os alunos ouvirem e distribuíram a letra a eles. Conseguiram, então, motivar uma discussão sobre temas como violência, solidão e esperança. Nem parecia uma aula de filosofia - aliás, nem parecia uma aula.
A magia operada por aquela música revela o "deslumbramento pelas coisas belas" - essa expressão foi usada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) ao justificar seu projeto, lançado na semana passada, que determina a exibição periódica de filmes nacionais nas escolas.
A única questão relevante na discussão lançada pelo governo federal sobre a possibilidade de mudar a legislação de incentivo cultural -uma bolada anual de R$ 1 bilhão- é a democratização do deslumbramento diante da beleza.
Um dos argumentos para a mudança da legislação é a crítica de que parte dos recursos canalizados pelas empresas vai para ações culturais destinadas a platéias de maior poder aquisitivo e nas regiões mais ricas.
Muita gente séria aceita essa crítica, mas vê com desconfiança (também corretamente) o risco de criar um fundo de cultura gerido apenas pelo governo, sujeito a vícios como a corrupção e o desperdício, sem contar os apadrinhamentos políticos. Um exemplo recente de má gestão de recursos foi o que ocorreu com o Fust, que, destinado a conectar escolas à internet, arrecadou nada menos que R$ 8 bilhões e, sem exagero, não serviu para quase nada.
Argumenta-se também (mais uma vez com razão) que os empresários se sentiriam menos estimulados a colocar dinheiro na cultura se não pudessem escolher os beneficiários e, assim, valorizar sua marca.
Já vi aquele tipo de experiência dos adolescentes que usaram o rap para dar aula de filosofia aplicada dos mais diferentes modos e nos mais diversos lugares, quase sempre com resultados estimulantes. É uma fórmula eficaz para desenvolver o prazer de conhecer. É certo que a arte não deve ser condicionada a nada, deve apenas ser a expressão livre do artista, mas a arte bancada com imposto deve ter uma contrapartida em educação pública.
Será divulgada nesta semana, durante seminário em São Paulo sobre lei de incentivo cultural, uma pesquisa do Datafolha que, entre outros pontos, mostra um forte crescimento da freqüência aos museus entre os paulistanos. Esse é um exemplo de dinheiro mais bem empregado.
De acordo com a pesquisa, 65% dos que foram a exposições neste ano são estudantes de escolas do ensino fundamental e médio; 47% pertencem às classes C, D e E. É claro que esse seria o recurso mais bem empregado se os professores soubessem (e poucos sabem) como usar aquela visita ao museu para tornar mais atrativo o que eles ensinam em sala de aula. Isso significa que as verbas de incentivo à cultura deveriam contemplar não só o acesso mais amplo aos bens culturais mas também a capacitação de educadores.
O direito à educação é, em essência, o direito ao deslumbramento permanente ante a vida. Nada melhor que a arte para servir de introdução a essa aventura. O deslumbramento com as coisas belas revela o que nós somos e o que podemos ser - por isso, e só por isso, aqueles meninos e meninas aceitaram discutir filosofia tomando como ponto de partida a letra do rap.
Jornal Folha de S. Paulo, 08/06/2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Quadrilha
João amava Teresa
que amava Raimundo
que amava Maria
que amava Joaquim
que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se
e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
[Carlos Drummondde Andrade]
que amava Raimundo
que amava Maria
que amava Joaquim
que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se
e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
[Carlos Drummondde Andrade]
domingo, 1 de junho de 2008
Pedagogia da Amizade

Já está marcado, para o dia 19 de junho, o lançamento do novo livro de Gabriel Chalita, "Pedagogia da Amizade". O local é a Livraria Cultura, na Avenida Paulista.
O livro "Pedagogia da Amizade"é uma extensão do pensamento pedagógico de Gabriel Chalita, iniciado em "Educação, a solução está no afeto" e "Pedagogia do Amor".
Com base em teorias da didática moderna e no pensamento filosófico de vários momentos da história da humanidade, o autor analisa os efeitos positivos da amizade nas relações sociais, a partir da premissa de que amizade é uma atitude que protege. O contraponto abordado, especialmente no ambiente escolar - mas sem desprezar o ambiente familiar - é o mal do bullying, fenômeno social que afeta crianças e jovens no Brasil e no mundo inteiro. Preocupado com a questão, Gabriel Chalita pesquisou, observou e entrevistou pessoas que sofreram agressões físicas e morais típicas de bullying, e traz um balanço lúcido e útil sobre a questão. Sua tese, no livro, é de que a amizade é uma atitude positiva que pode e deve ser desenvolvida, e que funciona como o melhor antídoto para o veneno social da violência. Gabriel Chalita analisa, também, experiências de fracasso e de sucesso, e indica as atitudes que governo, família e sociedade deveriam tomar.
UM TRECHO DO LIVRO -
Na atualidade, as questões que envolvem o tema da violência nas escolas têm motivado numerosas discussões e reflexões de educadores de várias partes do mundo. Há um clima de perplexidade diante de atitudes cruéis que ferem diretamente um indivíduo porque, indiretamente, ferem a sociedade.
Num contínuo fluir de exigências ora pessoais, ora grupais, a escola é palco de conflitos de toda ordem. Para solucioná-los, nem sempre bastam os saberes e as habilidades armazenados pela experiência, pois o problema surge invariavelmente como algo inédito no âmbito da vida escolar - para aqueles considerados corriqueiros, o ineditismo fica por conta do contexto e das pessoas envolvidas.
Quando a pauta é violência escolar, visualizamos trocas de xingamentos, palavrões, provocações verbais, desrespeito com o material alheio, depredação do patrimônio escolar, ameaças dirigidas aos professores e agressões físicas, propriamente, entre alunos (e mais raramente de alunos contra professores e vice-versa), como chutes, tapas, beliscões etc. Contudo, aqui, o cerne da questão é ampliar os conhecimentos e sensibilizar para uma violência que é silenciada pelo medo e está presente, infelizmente, no mundo inteiro. Trata-se do bullying, uma forma intencional e repetitiva de atitudes agressivas dentro da escola.
A palavra bullying é um verbo derivado do adjetivo inglês bully, que significa valentão, tirano. É o termo que designa o hábito de usar a superioridade física para intimidar, tiranizar, amedrontar e humilhar outra pessoa. A terminologia é adotada por educadores, em vários países, para definir o uso de apelidos maldosos e toda forma de atos desumanos empregados para atemorizar, excluir, humilhar, desprezar, ignorar e perseguir os outros.
O fenômeno bullying não escolhe classe social ou econômica, escola pública ou privada, ensino fundamental ou médio, área rural ou urbana. Está presente em grupos de crianças e de jovens, em escolas de países e culturas diferentes.
Sem equivalência na língua portuguesa, adotamos, no Brasil, o termo inglês bullying, que na França chamam de harcèlement quotidien, na Itália de prepotenza ou mesmo de bullismo, no Japão de ijime, na Alemanha de agressionen unter schülern e em Portugal de maus-tratos entre os pares. Muitos pesquisadores definem o fenômeno bullying como violência moral (uma adaptação do francês assédio moral).
Nas escolas, é um fenômeno complexo, muitas vezes banalizado e confundido com agressão e indisciplina. Exige observação atenta e presença constante, pois, normalmente, as vítimas são aterrorizadas em áreas da escola com pouca ou nenhuma supervisão. Estratégia premeditada, que contribui para que a vítima seja desacreditada. Ou que a ação desencoraje a vítima a falar da dor a outrem, ou que se passe muito tempo até que alguém perceba. Tempo suficiente para registrar a dor da agressão vivida, o medo, para abalar a auto-estima, os processos de aprendizagem e a construção/afirmação da identidade. Um tempo, muitas vezes, mais do que suficiente para que o caso se transforme em manchete de jornais.
Na escola, quem nunca foi "zoado" ou "zoou" alguém? Risadinhas, piadinhas, fofocas, apelidos. Todos nós, em algum momento de nossas vidas, testemunhamos essas brincadeiras de mau gosto, ou fomos autores ou vítimas. Contudo, essa rotina de xingamentos e ofensas, considerada normal por muitos pais, alunos e até educadores, está longe de ser inocente. O bullying é um comportamento ofensivo, aviltante, humilhante, que desmoraliza de maneira repetida, com ataques violentos, cruéis e maliciosos, sejam físicos, sejam psicológicos.
É um problema universal, uma epidemia invisível admitida como natural em alguns casos, desvalorizada em outros e, na maioria das vezes, ignorada.
Essa forma sutil de violência, que geralmente envolve colegas da mesma sala de aula, pode se constituir de maneira direta ou indireta.
O bullying direto é mais comum entre agressores meninos. As atitudes mais freqüentes identificadas nessa modalidade violenta são os xingamentos, tapas, empurrões, murros, chutes, apelidos ofensivos repetidos.
Carlos, um menino de 13 anos, não era considerado muito bom no futebol. Por ser obeso, não tinha velocidade nem fôlego para acompanhar as partidas e passou a ser motivo de chacota dos considerados "craques". Mesmo sob a supervisão de um professor, Carlos levava tapinhas na cabeça toda vez que perdia uma bola durante o jogo. Com o tempo, as agressões degradantes se tornaram freqüentes e aconteciam mesmo sem o suposto motivo. Decidido a não mais participar das partidas, começou a ser chamado de "menininha" e de gay pelos colegas. De "gordo sujo", apelido que ganhou porque suava muito quando corria, passou a ser conhecido na escola por "gordinha fedida", o que motivava risadas debochadas de meninos e meninas. Por várias vezes, teve sua cueca puxada por trás, apertando sua genitália. Essa desmoralização se estendeu até o dia em que o menino saiu da escola. Dizem que a família saiu da cidade. Talvez Carlos nunca mais tenha jogado futebol. Talvez tenha emagrecido. Mas, certamente, carrega consigo as marcas desse período perverso de sua vida.
O bullying indireto é a forma mais comum entre o sexo feminino e crianças menores. Caracteriza-se basicamente por ações que levam a vítima ao isolamento social. As estratégias utilizadas são difamações, boatos cruéis, intrigas e fofocas, rumores degradantes sobre a vítima e familiares, entre outros. Os meios de comunicação costumam ser eficazes na prática do bullying indireto, pois propagam, com rapidez e dimensões incalculáveis, comentários cruéis e maliciosos sobre pessoas públicas. A perversidade virtual é conhecida como cyberbullying e realiza-se por meio de mensagens de correio eletrônico, torpedos, blogs, fotoblogs, e sites de relacionamento, sempre anonimamente.
Bianca, aos 13 anos, foi perseguida por uma colega de classe. A novidade é que ela e a tal colega costumavam andar juntas a ponto de freqüentarem, algumas vezes, uma a casa da outra. As agressões começaram quando Bianca começou a namorar um garoto de quem, pelo que tudo indica, sua colega gostava. Foi o princípio do pesadelo. Primeiro foram os rumores maliciosos, espalhados pela menina, de que Bianca era uma "galinha". Risadinhas de canto e sussurros a mantiveram isolada da turma. Até então eram ofensas divulgadas somente na escola. Até que começaram os blogs e os fotoblogs, com montagens de cenas eróticas em que o rosto de Bianca aparecia adicionado a um corpo nu e por vezes fazendo sexo. Em questão de uma semana, garotos e garotas das escolas da região já conheciam a fama de Bianca. Desesperada, sua mãe recorreu à escola, que disse não ter como impedir algo que extrapolou os muros da instituição. A mãe, então, decidiu ir à casa da menina difamadora e conversar com seus pais. Chocados com o que viram e ouviram, acolheram toda a dor e a angústia da família e prometeram tomar uma atitude, mesmo diante da filha, que negava a autoria das agressões. Dias depois, a menina foi à casa de Bianca se desculpar. Quanto ao namoro, não deu certo. Já a suposta amizade, também foi rompida. Colocadas em classes distintas nos anos seguintes, ambas passaram a se ignorar. Separadas pelo tempo, nunca mais se viram ou se encontraram. E quanto ao trauma, só o tempo será capaz de dizer. Certamente não foi agradável para Bianca ser destruída em sua integridade moral. Mesmo que a amiga tenha pedido desculpas, isso não apaga o trauma. Pedidos de desculpas são importantes, mas às vezes tardios.
É indispensável que se estabeleça uma parceria entre a escola e a família. Sobretudo, é preciso que pais e educadores tenham um olhar atento, amoroso e sensível, que propicie atitudes efetivas no acolhimento das angústias e dos medos. É fundamental que os adultos não neguem os fatos, nem se coloquem à parte dos acontecimentos, arriscando diagnósticos precipitados ou naturalizando tais "brincadeiras de mau gosto".
O bullying nos faz conjeturar sobre nós mesmos, sobre os nossos pensamentos, sentimentos e atos. Reflexão que desperta para a responsabilidade que nos cabe pelos maus resultados colhidos e pelas tragédias registradas. Em muitas ocorrências, temos culpa, seja pela ação ou pela omissão, pela agressividade ou pela passividade, pelo barulho ou pelo silêncio, como protagonistas, vítimas ou testemunhas de atos violentos de qualquer natureza.
O mundo das crianças e dos jovens não é tão risonho quanto se pensa. A escola pode, sim, tornar-se um lugar constrangedor. Sob a roupagem de brincadeira de mau gosto, o fenômeno bullying invade silenciosamente os espaços escolares, furtando de crianças e jovens a possibilidade de sonhar. As experiências de dor, de angústia e de humilhação, vividas solitariamente, deixam cicatrizes e podem trazer graves conseqüências para os adultos que essas crianças serão.
Bom humor e brincadeiras são comuns na infância e na juventude e devem estar presentes em nossas vidas, mas a linha divisória entre atitudes dessa natureza e bullying por vezes é tênue. Um costume infeliz, ao ser ignorado e desvalorizado, torna-se um hábito desastroso. Obstar esse hábito exige conhecimento do fenômeno e do perfil dos personagens envolvidos. Mas a mudança principia com o profundo desejo e esforço ético revelados na ação de acolher sonhos, angústias e medos para proteger e transformar, amorosa e corajosamente, tantas vidas e reescrever um novo final para essa história.
O Bom Humor do Professor - Gabriel Chalita

O ser humano é um animal que ri. Pode parecer uma afirmativa leviana, mas o riso, a alegria, e suas manifestações, fazem diferença para que o homem seja quem é. Pesquisadores, antropólogos e escritores já analisaram essa característica, e concluíram que os homens melhoram quando riem. Henri Bergson, por exemplo, quando escreveu como tese de doutoramento "O riso - ensaio sobre a significação do cômico". No Brasil, recentemente, Flávio Moreira da Costa compilou os cem melhores contos de humor da literatura universal, pela Ediouro. Entre eles Anton Tchekhov, um mestre na arte de fazer rir.
O preâmbulo serve para apoiar uma reflexão sobre o papel do bom humor nas relações professor-aluno, e como o aprendizado pode ser facilitado com isso.
Alegria é algo muito próximo do prazer. E não há como discutir que o aprendizado só se dá se o processo for prazeroso.
A criança imita atitudes, no processo de construção de sua identidade. Desenvolve habilidades e competências com base no que percebe em casa, inicialmente, e na escola, quando chega o momento de freqüentar escola. Os bloqueios também começam a aparecer, muitas vezes por causa de atitudes quase sempre irrefletidas dos pais e dos educadores: apatia, indiferença, impaciência, intolerância, incompaixão. E talvez não haja nada que intimide mais uma criança do que uma carranca. Há algo mais opressor do que uma criança que não se sente à vontade para fazer perguntas ao professor porque tem medo da cara feia dele?
A atitude correta de pais e professores é a proteção. Não a proteção que engole, que apequena, que aprisiona. Mas a proteção que acolhe, que cuida, que prepara para o desenvolvimento da autonomia e do sonho. A criança tem de ser incentivada a sonhar e a realizar desde sempre. No mundo fantasioso da infância, pululam personagens e situações que não devem ser descartadas ou desprezadas. Todas com cara alegre, que cantam, que dançam, que vivem de bom humor. Quem está sempre de mau humor é o vilão, o bandido, aquele personagem que as crianças abominam e repelem. Pais contadores de histórias estimulam mais esse universo onírico, além de estarem mais presentes com os filhos. Isso é bom, desde que seja reservado espaço muito definido entre o que é bom e o que é ruim, entre o que é certo ou errado, justo ou injusto, mentiroso ou verdadeiro. Olhando para essas características, é fácil perceber que o que é ruim, errado, mentiroso e injusto, quase sempre tem cara feia, produto de tristeza e de rancor. Ao contrário, o que é certo, verdadeiro, bom e justo, tem aparência alegre.
Aí está o papel do bom humor. É amenizar o coração. E assim permitir que as pessoas tenham atitudes igualmente amenas. O sorriso no rosto reflete e até condiciona o estado de espírito. O professor que sorri certamente terá mais inclinação para fazer comentários positivos sobre as diferenças de cultura, ideologia, classe social, gênero etc.
A literatura está cheia de exemplos de bom humor. Mário Quintana é um dos mais divertidos. O escritor tem uma vocação que tem tudo a ver com o magistério. A literatura educa. E por isso vou citar uma escritora, também mestra na arte do bom humor. Lygia Fagundes Telles, no conto Eu era mudo e só, tem um trecho divertido do personagem Manuel, que se sente oprimido pelo casamento:
..."Ou a mulher fica aquele tipo de amigona e etc. e tal ou fica de fora. Se fica de fora, com a famosa sabedoria da serpente misturada à inocência da pomba, dentro de um tempo mínimo conseguirá indispor a gente de tal modo com os amigos que quando menos se espera estaremos distantes deles as vinte mil léguas submarinas. No outro caso, se ficar a tal que seria nosso amigo se fosse homem, acabará gostando tanto dos nossos amigos, mas tanto, que logo escolherá o melhor para se deitar. Quer dizer, ou vai nos trair ou chatear. Ou as duas coisas..."
Toda pessoa pode ser assertiva sem ser amarga. Toda pessoa é capaz de docilidade e de ternura. Basta desfazer as rugas da testa. Suavizar o rosto para suavizar a alma. Porque o que sentimos repercute na forma com que tratamos o outro. E, sem dúvida, a atitude do professor condiciona o resultado do aprendizado.
Há muitas informações que vão sendo oferecidas aos alunos e, aos poucos, descartadas. Isso faz parte do desenvolvimento cognitivo. Ninguém é capaz de memorizar tudo o que aprendeu desde sempre. Datas são esquecidas, nomes, lugares. Conteúdos específicos, se não utilizados, ficam armazenados em algum lugar, e não representam mais significado. Mas há algo que não sai jamais da memória: o gesto amigo, o acolhimento e o sorriso no rosto.
(Artigo publicado na Revista Profissão Mestre, edição de maio/2008)
O preâmbulo serve para apoiar uma reflexão sobre o papel do bom humor nas relações professor-aluno, e como o aprendizado pode ser facilitado com isso.
Alegria é algo muito próximo do prazer. E não há como discutir que o aprendizado só se dá se o processo for prazeroso.
A criança imita atitudes, no processo de construção de sua identidade. Desenvolve habilidades e competências com base no que percebe em casa, inicialmente, e na escola, quando chega o momento de freqüentar escola. Os bloqueios também começam a aparecer, muitas vezes por causa de atitudes quase sempre irrefletidas dos pais e dos educadores: apatia, indiferença, impaciência, intolerância, incompaixão. E talvez não haja nada que intimide mais uma criança do que uma carranca. Há algo mais opressor do que uma criança que não se sente à vontade para fazer perguntas ao professor porque tem medo da cara feia dele?
A atitude correta de pais e professores é a proteção. Não a proteção que engole, que apequena, que aprisiona. Mas a proteção que acolhe, que cuida, que prepara para o desenvolvimento da autonomia e do sonho. A criança tem de ser incentivada a sonhar e a realizar desde sempre. No mundo fantasioso da infância, pululam personagens e situações que não devem ser descartadas ou desprezadas. Todas com cara alegre, que cantam, que dançam, que vivem de bom humor. Quem está sempre de mau humor é o vilão, o bandido, aquele personagem que as crianças abominam e repelem. Pais contadores de histórias estimulam mais esse universo onírico, além de estarem mais presentes com os filhos. Isso é bom, desde que seja reservado espaço muito definido entre o que é bom e o que é ruim, entre o que é certo ou errado, justo ou injusto, mentiroso ou verdadeiro. Olhando para essas características, é fácil perceber que o que é ruim, errado, mentiroso e injusto, quase sempre tem cara feia, produto de tristeza e de rancor. Ao contrário, o que é certo, verdadeiro, bom e justo, tem aparência alegre.
Aí está o papel do bom humor. É amenizar o coração. E assim permitir que as pessoas tenham atitudes igualmente amenas. O sorriso no rosto reflete e até condiciona o estado de espírito. O professor que sorri certamente terá mais inclinação para fazer comentários positivos sobre as diferenças de cultura, ideologia, classe social, gênero etc.
A literatura está cheia de exemplos de bom humor. Mário Quintana é um dos mais divertidos. O escritor tem uma vocação que tem tudo a ver com o magistério. A literatura educa. E por isso vou citar uma escritora, também mestra na arte do bom humor. Lygia Fagundes Telles, no conto Eu era mudo e só, tem um trecho divertido do personagem Manuel, que se sente oprimido pelo casamento:
..."Ou a mulher fica aquele tipo de amigona e etc. e tal ou fica de fora. Se fica de fora, com a famosa sabedoria da serpente misturada à inocência da pomba, dentro de um tempo mínimo conseguirá indispor a gente de tal modo com os amigos que quando menos se espera estaremos distantes deles as vinte mil léguas submarinas. No outro caso, se ficar a tal que seria nosso amigo se fosse homem, acabará gostando tanto dos nossos amigos, mas tanto, que logo escolherá o melhor para se deitar. Quer dizer, ou vai nos trair ou chatear. Ou as duas coisas..."
Toda pessoa pode ser assertiva sem ser amarga. Toda pessoa é capaz de docilidade e de ternura. Basta desfazer as rugas da testa. Suavizar o rosto para suavizar a alma. Porque o que sentimos repercute na forma com que tratamos o outro. E, sem dúvida, a atitude do professor condiciona o resultado do aprendizado.
Há muitas informações que vão sendo oferecidas aos alunos e, aos poucos, descartadas. Isso faz parte do desenvolvimento cognitivo. Ninguém é capaz de memorizar tudo o que aprendeu desde sempre. Datas são esquecidas, nomes, lugares. Conteúdos específicos, se não utilizados, ficam armazenados em algum lugar, e não representam mais significado. Mas há algo que não sai jamais da memória: o gesto amigo, o acolhimento e o sorriso no rosto.
(Artigo publicado na Revista Profissão Mestre, edição de maio/2008)
NY estimula a leitura dentro das prisões
Sofia Ussami
O Projeto de Encorajamento à Leitura para Presidiários já doou mais de 50.000 livros para prisões de Nova York. Em atividade desde 2000, o PREP (sigla do nome do projeto em inglês) é uma organização sem fins lucrativos que busca propiciar oportunidades de educação aos presos por meio do contato com a literatura e conscientizar a sociedade da importância de programas educacionais nessas instalações.
O projeto funciona por meio de doações de livros ou dinheiro, vindas principalmente de donos de livrarias e estabelecimentos de ensino como escolas e universidades. Com a ajuda de voluntários, os livros recebidos são cadastrados e as bibliotecas dos presídios escolhem por quais obras se interessam. Só em 2006, 6.833 livros foram enviados às prisões nova-iorquinas.
O programa também promove concursos de redação entre os presos, para que estes possam desenvolver suas habilidades de escrita, com prêmios como livros especiais ao primeiro colocado. Os concursos têm um tema geral, baseado ou em datas comemorativas como o Dia dos Pais ou em assuntos que tenham ligação com a realidade em que os participantes vivem, por exemplo, o tema “O significado da liberdade”.
Ao longo do tempo, o PREP tem se ramificado em vários outros projetos, como o Viagem das Palavras. Neste, os presos podem gravar suas leituras de livros infantis e mandá-las para seus filhos por meio de uma fita. A iniciativa, além de estreitar os laços entre as crianças e seus pais enquanto estes se encontram na prisão, também desperta a curiosidade infantil pelos livros.No BrasilNo Brasil, existe um projeto similar ao PREP chamado Sala de Leitura. Concebido pelo Instituto Oldemburg de Desenvolvimento em parceria com o grupo editorial Record e o Ministério da Cultura, o programa também tem como objetivo estimular a leitura nas penitenciárias visando à inclusão social. Sempre é recebido com entusiasmo e atende inclusive às solicitações dos próprios detentos, que mandavam cartas pedindo doações de livros. Criado em 2003 e idealizado por Cristina Oldemburg, a iniciativa vai além disso, já que instala verdadeiras salas de leituras, tendo já ultrapassado o número de 400 núcleos em casas de detenção, escolas, hospitais e outras instituições públicas.
A maior parte dos recursos utilizados no projeto parte da iniciativa privada, através da Lei Rouanet. Por meio deles, nos próximos meses mais 20 salas serão inauguradas em diferentes Estados do país. A última inauguração foi no dia 27, quinta-feira, em Minas Gerais, no presídio de Ribeirão das Neves e numa casa de ressocialização de jovens em Belo Horizonte.
O Projeto de Encorajamento à Leitura para Presidiários já doou mais de 50.000 livros para prisões de Nova York. Em atividade desde 2000, o PREP (sigla do nome do projeto em inglês) é uma organização sem fins lucrativos que busca propiciar oportunidades de educação aos presos por meio do contato com a literatura e conscientizar a sociedade da importância de programas educacionais nessas instalações.
O projeto funciona por meio de doações de livros ou dinheiro, vindas principalmente de donos de livrarias e estabelecimentos de ensino como escolas e universidades. Com a ajuda de voluntários, os livros recebidos são cadastrados e as bibliotecas dos presídios escolhem por quais obras se interessam. Só em 2006, 6.833 livros foram enviados às prisões nova-iorquinas.
O programa também promove concursos de redação entre os presos, para que estes possam desenvolver suas habilidades de escrita, com prêmios como livros especiais ao primeiro colocado. Os concursos têm um tema geral, baseado ou em datas comemorativas como o Dia dos Pais ou em assuntos que tenham ligação com a realidade em que os participantes vivem, por exemplo, o tema “O significado da liberdade”.
Ao longo do tempo, o PREP tem se ramificado em vários outros projetos, como o Viagem das Palavras. Neste, os presos podem gravar suas leituras de livros infantis e mandá-las para seus filhos por meio de uma fita. A iniciativa, além de estreitar os laços entre as crianças e seus pais enquanto estes se encontram na prisão, também desperta a curiosidade infantil pelos livros.No BrasilNo Brasil, existe um projeto similar ao PREP chamado Sala de Leitura. Concebido pelo Instituto Oldemburg de Desenvolvimento em parceria com o grupo editorial Record e o Ministério da Cultura, o programa também tem como objetivo estimular a leitura nas penitenciárias visando à inclusão social. Sempre é recebido com entusiasmo e atende inclusive às solicitações dos próprios detentos, que mandavam cartas pedindo doações de livros. Criado em 2003 e idealizado por Cristina Oldemburg, a iniciativa vai além disso, já que instala verdadeiras salas de leituras, tendo já ultrapassado o número de 400 núcleos em casas de detenção, escolas, hospitais e outras instituições públicas.
A maior parte dos recursos utilizados no projeto parte da iniciativa privada, através da Lei Rouanet. Por meio deles, nos próximos meses mais 20 salas serão inauguradas em diferentes Estados do país. A última inauguração foi no dia 27, quinta-feira, em Minas Gerais, no presídio de Ribeirão das Neves e numa casa de ressocialização de jovens em Belo Horizonte.
Cinema incentiva o amor pela cidade
Rafaela Pinheiro
Este foi um ano de muitas estréias de filmes franceses produzidos no próprio país. Na França sempre existiram festivais próprios e prêmios para os filmes nacionais, no entanto só recentemente esses longas começaram a chegar ao Brasil.
Um dos motivos das produções terem conseguido sair das fronteiras de seu país é o fato deles valorizarem a nação. Tendo os diretores e atores franceses escolhidos como cenário das gravações a França e o idioma francês. Fazem assim, uma verdadeira homenagem ao seu país.
Exemplos desses filmes são: “Paris, te amo!”, “Medos Privados em Lugares Públicos” e “Um lugar na Platéia”. O primeiro foi produzido por 18 diretores, cada um com 10 minutos para fazer um curta tendo como tema o amor. As histórias se passam nos bairros de Paris, mostrando diferentes tipos de amor, desde o amor pela cidade até o por um filho.
Já os outros dois foram produzidos apenas por um diretor. “Medos Privados em Lugares Públicos” conta a história de seis pessoas de diferentes localidades de Paris procurando por um amor. Enquanto que “Um lugar na Platéia” é sobre uma menina que vai para a capital para realizar seu sonho de morar lá, começa a trabalhar como garçonete e assiste a acontecimentos envolvendo celebridades ao seu redor. Além desses, muitos outros filmes franceses foram trazidos este ano para o Brasil, apesar de só serem exibidos em alguns cinemas, os longas são uma variação do contingente de filmes norte-americanos.
Essa valorização do país através de filmes nacionais pode ser observada também na cidade de São Paulo. Cada vez mais o cinema brasileiro produz com melhor qualidade. Quanto aos filmes que fazem homenagem a Sampa podemos citar: “Não Por Acaso” que mostra como a cidade de São Paulo pode influenciar muito na vida das pessoas. Imagens panorâmicas da cidade mostra suas ruas e cruzamentos, isso através da mente de um engenheiro de trânsito. Além deste, o Espaço Unibanco irá exibir neste mês o longa chamado “Bem-Vindo a São Paulo”. Unindo vários diretores internacionais com suas visões distintas da cidade e narrado por Caetano Veloso, o filme pretende desvendar peculiaridades da terceira maior cidade do mundo.
Este foi um ano de muitas estréias de filmes franceses produzidos no próprio país. Na França sempre existiram festivais próprios e prêmios para os filmes nacionais, no entanto só recentemente esses longas começaram a chegar ao Brasil.
Um dos motivos das produções terem conseguido sair das fronteiras de seu país é o fato deles valorizarem a nação. Tendo os diretores e atores franceses escolhidos como cenário das gravações a França e o idioma francês. Fazem assim, uma verdadeira homenagem ao seu país.
Exemplos desses filmes são: “Paris, te amo!”, “Medos Privados em Lugares Públicos” e “Um lugar na Platéia”. O primeiro foi produzido por 18 diretores, cada um com 10 minutos para fazer um curta tendo como tema o amor. As histórias se passam nos bairros de Paris, mostrando diferentes tipos de amor, desde o amor pela cidade até o por um filho.
Já os outros dois foram produzidos apenas por um diretor. “Medos Privados em Lugares Públicos” conta a história de seis pessoas de diferentes localidades de Paris procurando por um amor. Enquanto que “Um lugar na Platéia” é sobre uma menina que vai para a capital para realizar seu sonho de morar lá, começa a trabalhar como garçonete e assiste a acontecimentos envolvendo celebridades ao seu redor. Além desses, muitos outros filmes franceses foram trazidos este ano para o Brasil, apesar de só serem exibidos em alguns cinemas, os longas são uma variação do contingente de filmes norte-americanos.
Essa valorização do país através de filmes nacionais pode ser observada também na cidade de São Paulo. Cada vez mais o cinema brasileiro produz com melhor qualidade. Quanto aos filmes que fazem homenagem a Sampa podemos citar: “Não Por Acaso” que mostra como a cidade de São Paulo pode influenciar muito na vida das pessoas. Imagens panorâmicas da cidade mostra suas ruas e cruzamentos, isso através da mente de um engenheiro de trânsito. Além deste, o Espaço Unibanco irá exibir neste mês o longa chamado “Bem-Vindo a São Paulo”. Unindo vários diretores internacionais com suas visões distintas da cidade e narrado por Caetano Veloso, o filme pretende desvendar peculiaridades da terceira maior cidade do mundo.
Teatro começa a modificar sociedade da Índia
Caio Dib
Um grupo de teatro tem conseguido integrar os diversos segmentos sociais da Índia. Por meio de músicas, jogos, viagens e, é lógico, da dramaturgia, o Teatro do Oprimido (TO) trabalha para curar traumas, estabelecer a paz e aumentar a responsabilidade social no país.
A população da Índia tem um grande número de refugiados, grupos étnicos descriminados, pessoas alcoólatras e mulheres portadoras do vírus da AIDS. A naco é uma das mais populosas do mundo, com mais de um bilhão de pessoas.
Em 1971, Augusto Boal saiu da direção do Teatro de Arena de São Paulo e criou o Teatro do Oprimido no Brasil, que visa à construção da cidadania por meio de exercícios, jogos e técnicas teatrais. O projeto também foi criado para pessoas que possuem dificuldades de integração social, econômica, política e cultural, tentando promover a restauração do diálogo e da convivência entre todos em mais de 70 países.
Boal acredita que a iniciativa ajuda as pessoas a viver em sociedade através do jogo teatral. No TO são discutidos e trabalhados temas como racismo, gravidez precoce, machismo, violência, entre outros, que estão presentes em nosso cotidiano. Dessa forma, quem sofre algum desses tipos de agressão consegue ter voz e, muitas vezes, mudar a realidade vivida.
Armindo Pinto, do TO de Santo André, diz que “muitas pessoas já conseguiram melhorar sua vida. A Jane, aos 16 anos, já dá aulas de dança e esse é seu sonho: ser professora de dança. Sonho que luta para concretizar. Fernando, 17 anos, voltou para a escola e acredita que, sendo professor, vai ensinar história, como aprendeu com o Teatro do Oprimido. Michele, 17 anos, aprendeu a se relacionar com sua mãe. Diego aprendeu que mulher é mais que fogão e tanque. Peterson aprendeu a combater o racismo”.
Segmentos do Teatro do OprimidoNo Brasil, o Teatro do Oprimido desenvolve vários projetos em sete Estados diferentes. O Teatro Imagem transforma questões, problemas e sentimentos em linguagens concretas por meio da linguagem corporal, buscando a compreensão dos fatos. Já o Teatro Invisível teatraliza uma cena do cotidiano em lugar em que ela realmente poderia acontecer, contando com a participação do público. Também existe o Teatro Legislativo, que, analisando questões interpessoais e individuais sobre temas do cotidiano, recolhe sugestões da platéia para elaboração de propostas de leis que visem à solução do problema apresentado na peça. Em razão desse projeto, já foram produzidas várias leis, garantindo a democratização através do teatro.
O Teatro do Oprimido também trabalha nas escolas e nas prisões, desenvolvendo projetos de atividade artísticas e visando abertura de espaços de diálogo entre os diferentes atores do sistema prisional e destes com a sociedade civil, além de vários outros projetos.
Um grupo de teatro tem conseguido integrar os diversos segmentos sociais da Índia. Por meio de músicas, jogos, viagens e, é lógico, da dramaturgia, o Teatro do Oprimido (TO) trabalha para curar traumas, estabelecer a paz e aumentar a responsabilidade social no país.
A população da Índia tem um grande número de refugiados, grupos étnicos descriminados, pessoas alcoólatras e mulheres portadoras do vírus da AIDS. A naco é uma das mais populosas do mundo, com mais de um bilhão de pessoas.
Em 1971, Augusto Boal saiu da direção do Teatro de Arena de São Paulo e criou o Teatro do Oprimido no Brasil, que visa à construção da cidadania por meio de exercícios, jogos e técnicas teatrais. O projeto também foi criado para pessoas que possuem dificuldades de integração social, econômica, política e cultural, tentando promover a restauração do diálogo e da convivência entre todos em mais de 70 países.
Boal acredita que a iniciativa ajuda as pessoas a viver em sociedade através do jogo teatral. No TO são discutidos e trabalhados temas como racismo, gravidez precoce, machismo, violência, entre outros, que estão presentes em nosso cotidiano. Dessa forma, quem sofre algum desses tipos de agressão consegue ter voz e, muitas vezes, mudar a realidade vivida.
Armindo Pinto, do TO de Santo André, diz que “muitas pessoas já conseguiram melhorar sua vida. A Jane, aos 16 anos, já dá aulas de dança e esse é seu sonho: ser professora de dança. Sonho que luta para concretizar. Fernando, 17 anos, voltou para a escola e acredita que, sendo professor, vai ensinar história, como aprendeu com o Teatro do Oprimido. Michele, 17 anos, aprendeu a se relacionar com sua mãe. Diego aprendeu que mulher é mais que fogão e tanque. Peterson aprendeu a combater o racismo”.
Segmentos do Teatro do OprimidoNo Brasil, o Teatro do Oprimido desenvolve vários projetos em sete Estados diferentes. O Teatro Imagem transforma questões, problemas e sentimentos em linguagens concretas por meio da linguagem corporal, buscando a compreensão dos fatos. Já o Teatro Invisível teatraliza uma cena do cotidiano em lugar em que ela realmente poderia acontecer, contando com a participação do público. Também existe o Teatro Legislativo, que, analisando questões interpessoais e individuais sobre temas do cotidiano, recolhe sugestões da platéia para elaboração de propostas de leis que visem à solução do problema apresentado na peça. Em razão desse projeto, já foram produzidas várias leis, garantindo a democratização através do teatro.
O Teatro do Oprimido também trabalha nas escolas e nas prisões, desenvolvendo projetos de atividade artísticas e visando abertura de espaços de diálogo entre os diferentes atores do sistema prisional e destes com a sociedade civil, além de vários outros projetos.
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